EDIÇÃO 86 » ESPECIAIS

O Dia do Baralho


Marcelo Souza
O ser humano sempre foi fascinado por jogos. Jogos promovem a competitividade, raciocínio lógico e, claro, a confraternização. No Brasil, é raro achar alguém que nunca teve contato com um baralho, e entre essas pessoas que passam ou já passaram o tempo em uma roda de cacheta, buraco ou truco há uma coisa em comum: todos, pelo menos uma vez, já tiveram contato com um baralho Copag.
 
Copag e baralho se tornaram sinônimos, substantivos inerentes em nosso País. Agora, com a explosão do poker, as cartas ganharam ainda mais importância na cultura do brasileiro. Pensando nisso, a Copag, em uma inciativa inédita, criou o “Dia do Baralho”. Com ações de marketing por todos Brasil, a marca deu outra dimensão ao dia 13 de setembro — referência ao seu baralho mais popular, o Copag 139, aquele mesmo do truco de final de semana —, e nós, da Card Player Brasil, como amantes do poker, não poderíamos deixar esse dia passar em branco.

Entre Reis, Rainhas e Valetes
A humanidade sempre se pautou pela incessante busca de significado. Nada acontece por acaso. Nada tem um sentido transcendental. O baralho, obviamente, não poderia ficar de fora dessa necessidade de achar porquês em tudo. Há muito se especula sobre as origens das cartas do baralho. Entre diversas histórias, criam-se lendas e histórias mirabolantes.
 
A verdade é que a confecção de baralhos recebeu inúmeras influências ao longo dos anos, com variações que iam do número de cartas à quantidade e natureza dos naipes. Os baralhos italianos, por exemplo, possuíam 56 cartas, com quatro tipos de figuras: Rei, Dama, Valete e Servo. Em vez dos tradicionais copas, espadas, paus e ouros, os naipes se dividiam em bastões, cálices, espadas e moedas. Com o passar do tempo, a figura do Servo foi descartada e os baralhos passaram a ter o padrão atual de 52 cartas.

Ao adotarem o baralho, os espanhóis excluíram as damas e, no lugar delas, incluíram os Caballeros. Os alemães também excluíram as damas, chamando as figuras de König (Rei), Übermann (Homem Superior) e Üntermann (Homem Inferior). Os germânicos ainda modificaram os naipes, substituindo os símbolos franco-itálicos por sinos, corações, folhas e bolota.

Já os franceses foram além: deixaram de fora o Übermann e reincluíram a Dama. Nos naipes, adotaram os corações (hoje, copas) e as folhas dos alemães (foram viradas de cabeça para baixo e adquiriram a conhecida forma do naipe de espadas). A partir das bolotas, conceberam e adaptaram o naipe de paus. Os sinos foram substituídos por ouros (do francês carreaux, azulejos envernizados usados em igrejas). A partir disso, especulações históricas começaram a atribuir significado a cada naipe, dizendo que cada um representava um setor da sociedade: o clero, o exército, os burgueses e os camponeses. Mas o que lemos em relação a isso são apenas suposições.
 
Quanto às figuras, também chamadas de cartas reais, a ideia de que elas foram baseadas em personagens históricos tem uma razão: um baralho confeccionado, por volta de 1567, por Pierre Maréchal. Ele ainda se encontra preservado no museu da cidade francesa de Ruão e contém inscrições que indicam textualmente quem são as figuras ali representadas, o que fez com que se pensasse que todas as cartas reais tinham sido baseadas nas mesmas personalidades. Contudo, uma análise histórica mais profunda revela que diversos notáveis serviram de inspiração, a depender da época e da localidade.
 
As primeiras escolhas para as identidades dos Reis foram Salomão, Augusto, Clóvis e Constantino, mas, durante a última parte do reinado de Henrique IV (1553-1610), elas foram mais ou menos padronizadas e representavam Carlos Magno (copas), Davi (espadas), César (ouros) e Alexandre, o Grande (paus). As Damas, por sua vez, sempre foram objeto de muita especulação, por não serem tão facilmente identificáveis: Judith, a rainha de copas, é associada à Imperatriz Judite (esposa do filho de Carlos Magno) ou Isabel da Bavária (esposa de Carlos VI e mãe de Carlos VII). Palas (espadas) representaria Atenas, a deusa grega da guerra ou a heroína francesa Joana d’Arc. Agnès Sorel (a amante de Carlos VII) ou a esposa de Jacó seriam Rachel, a Dama de ouros. E Argine (paus), que é um acrônimo para “Regina” (Rainha), seria María de Aragón (esposa de Carlos VII) ou a deusa romana Hera (irmã e esposa de Zeus, o deus dos deuses).

As identidades dos Valetes, por sua vez, sempre permaneceram constantes: La Hire (Étienne de Vignoles, cavaleiro e herói da França) como o Valete de copas; Holger (um dos cavaleiros de Carlos Magno) como o Valete de espadas; Heitor, herói de Troia, como o Valete de ouros; e Lancelot, o grande cavaleiro da Távola Redonda de Artur, como o Valete de paus.

Essa prática francesa de associar personagens reais às figuras de seus baralhos chegou ao fim após a Revolução Francesa, no final do século XVIII. Depois de Luís XVI e Maria Antonieta terem sido condenados à guilhotina, símbolos da monarquia passaram a não ser mais bem vindos na nova república.
Quanto ao Ás, a carta suprema do baralho, ela representa, ao mesmo tempo, o número 1, o A, o alpha, como também o sol, Alá, Deus. Enfim, possui diversos significados, quase todos transcendentais. Não por acaso, o Ás encerra a ideia de ciclo. Isso justificaria, por exemplo, o straight poder tanto começar quanto terminar com o Ás.

Festa do baralho
Para comemorar o Dia do Baralho, a Copag trouxe um personagem curioso. O habilidoso Rei do Baralho, senhor de Cartópolis (cartopolis.com.br), um lugar onde as pessoas podem marcar ou encontrar um home game de seu jogo favorito de cartas, desde o nostálgico do Jogo do Mico até o Poker.

O icônico rei recebeu duas passagens para Las Vegas e teria que escolher alguém para ser seu acompanhante. E qual a melhor maneira de fazer isso? Promovendo um torneio, obviamente.

A modalidade escolhida foi o poker e da mesa final, composta de 10 selecionados de todo o Brasil, Márcia Callegaro, do Rio Grande do Sul, foi quem saiu vitoriosa e faturou o prêmio. 

As comemorações do Dia do Baralho ainda contaram com um evento para imprensa, que distribuiu viagens nacionais e internacionais para os vencedores. 

Outra iniciativa, promovida pela Copag e pelo Shopping Plaza Sul, em São Paulo, foi a “Catedral de Cartas”, em que Bryan Berg, reconhecido internacionalmente pelas suas grandiosas obras envolvendo construções com baralhos, vem construindo, desde o dia 13, uma réplica da Catedral da Sé. O resultado do trabalho de Berg poderá ser visto gratuitamente até o dia 30, no próprio shopping.

E para quem não pôde participar dos festejos, a Copag criou versões próprias, para tablets e smartphones, de três dos jogos preferidos dos brasileiros: buraco, paciência e truco, além do site www.diadobaralho.com.br. 

A expectativa é que, nos próximos anos, o Dia do Baralho ganhe cada vez mais atrações e adeptos. Afinal, seja uma criança de cinco anos ou um senhor de setenta, não tem quem não goste de uma boa roda de baralho.
 



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