EDIÇÃO 47 » ESTRATÉGIAS E ANÁLISES

Cabeça de perdedor


Ed Miller

A maioria dos jogadores de poker pensa como perdedores. Eu sei disso porque muitos deles me contam, com uma dose torturante de detalhes, como encaram o jogo. Gostando ou não, eu paro e escuto a palestra de um jogador sobre a idiotice que é aumentar com par de dez – e depois escuto como eu dei sorte ao acertar um 10 no river.

Pensar como perdedor certamente fará você continuar perdendo. Por quê? Porque isso significa que você está focado nas coisas erradas, o que lhe impede de melhorar. Eis algumas coisas que escuto os jogadores dizerem que representam o raciocínio de um perdedor. Vamos entender por que elas são ruins e depois ver algumas maneiras de transformar essa energia negativa em positiva.

Histórias de bad beat
Essas são as piores. São completamente negativas. Nem toda a lamentação do mundo é capaz de mudar uma única carta do river daqui até o fim dos tempos. Pensar nas bad beats é garantia de não melhorar seu jogo.

E quando essa mentalidade toma conta, ela empurra todos os pensamentos construtivos ladeira abaixo. Se você ainda estiver pensando sobre aquele 10 no river duas horas depois, nesse tempo você não jogou seu melhor, e são horas nas quais você quase não teve chance de aprender nada.

Obviamente, quando o monstro da bad beat se apossa do seu cérebro, é difícil tirá-lo de lá. Castigos assim acontecem o tempo todo, então o perigo está sempre lhe rondando. Não há maneira certa de superar uma bad beat, mas eu lhe direi o que funciona para mim.

Primeiro, jogue com um bankroll confortável. Se você estiver preocupado, realmente preocupado, em perder esse dinheiro do seu stack, está se permitindo pensar como um perdedor. Por outro lado, se você tiver cinco buy-ins no bolso enquanto jogar, jamais pensará: “Uau, se eu perder esse buy-in, está tudo acabado”. Jogar com um bankroll pequeno é jogar com medo, e quando você experimentar uma bad beat, naturalmente ficará muito mais ressentido.

Segundo, compute algumas vitórias. Se você se foca apenas em bad beats, isso provavelmente significa que você vem perdendo muito. É claro que você não pode ganhar apenas com a força de vontade, mas pode decidir não forçar a barra próxima vez que os altos e baixos naturais do poker lhe renderem algumas centenas de dólares de lucro. Matematicamente, não fará diferença quando você terminar uma sessão, mas sair algumas bets para frente ser o bastante para limpar sua mente.

Minha esperança é que da próxima vez que você se sentir tentado a contar uma história triste, lembre-se desta coluna. Preocupar-se com bad beats é uma atitude prejudicial. É pensar como perdedor. Levante-se e vá tomar um ar. Lembre-se daquele torneio que você ganhou ano passado. Conte ovelhas. Faça qualquer coisa! Mas tire a derrota da sua mente.

Reclamações sobre os oponentes
Eis outra bizarrice: “Como eu posso ganhar com esse trouxa na posição 8 dando call no river em toda mão?” A não ser que o trouxa em questão seja o Phil Ivey, o mais provável é que ele não seja a causa dos seus problemas. Ele simplesmente está jogando como um idiota. Quem joga assim perde dinheiro. Podem até não perder todas as vezes, mas eventualmente perdem. E na maioria das vezes, perdem depressa. Se você não acredita em mim, tente jogar como um idiota por algumas horas e veja no que vai dar.

O poker é um jogo de soma zero (sem contar o rake, claro). Isso significa que, se o idiota na posição 8 está perdendo dinheiro (e ele está), alguém está ganhando. Deveria ser você.

Veja como isso funciona: digamos que haja um cara dando call pré-flop com 75% de suas mãos e depois pagando no river com qualquer par. Duas vezes seguidas, você tinha A-K e não acertou o bordo enquanto ele flopou bottom pair. Ele deu call e ganhou ambas as vezes. Isso é frustrante, claro. Mas é assim que muitos jogadores reagem: da próxima vez que floparem um par contra aquele jogador, eles apostam uma vez e dão check até o fim, na esperança de vencer no showdown. Então, quando ganham, gritam “Aleluia!” e levam o pote minúsculo.

Isso é pensar como perdedor. Eles estão muito focados no fato de esse jogador maluco ter-lhes derrotado, e não estão atentos a por que o que ele está fazendo é maluco para começo de conversa. O jogador é trouxa porque dá calls demais com mãos fracas. Portanto, para tirar proveito disso, é preciso apostar com suas mãos de verdade usando mais força do que o normal. Dar check com um par para tentar “ganhar de forma barata” é prejudicial. Em vez disso, você deve apostar, apostar e apostar.

Se você se encontrar tentado a reclamar de um oponente, contenha-se. Ele não é a causa dos seus problemas. Ao contrário, ele é uma oportunidade. Pense sobre o que ele está fazendo de errado, e então ajuste seu jogo para tirar proveito máximo disso.

Esperar Por Uma Oportunidade Melhor
Tudo bem, a maioria das pessoas sabe que histórias de bad beat não são produtivas (muito embora, julgando pela frequência com que as escuto, a maioria das pessoas também não aprendeu isso). E muita gente sabe que oponentes ruins não vencem você no longo prazo. Mas tem uma coisa que eu escuto o tempo todo e que se fixou como uma espécie de sabedoria convencional, mas é um raciocínio perdedor.

“Eu achei que ele poderia estar blefando, mas dei fold mesmo assim. Preferi esperar por uma oportunidade melhor”.

Fico de cabelo em pé quando escuto alguém dizer que “esperou por uma oportunidade melhor”. Nove a cada dez vezes, isso significa: “Eu era muito medroso para tomar uma atitude decisiva, então busquei a saída mais fácil e dei fold. Eu não preciso ter vergonha de dar fold, não é?”

Isso é meio complicado. Não estou dizendo que dar fold seja algo ruim. É o que eu faço em quase todas as mãos. Mas, esperar habitualmente por uma “oportunidade melhor” é um grande problema. Por quê? Porque as pessoas que não fazem isso com frequência acabam esperando por uma mão quase perfeita antes de colocar seu dinheiro em jogo. Há outra palavra para esse estilo de jogo: nit. Ser um nit não é ruim por não ser “cool”. É ruim porque não é lucrativo na maioria das mesas de no-limit hold’em.

Bons jogadores correm certos riscos. Se eles tiverem uma leitura de que alguém pode estar blefando, podem puxar o gatilho e dar call ou raise. Eles não dizem: “Bem, eu acho que é um blefe, mas vou dar fold de qualquer forma. Quem sabe eu flopo uma trinca daqui a pouco e faça ele entrar na mão comigo”. Isso é um desejo, um raciocínio, de perdedor.

Avalie cada decisão de acordo com seu próprio mérito. Ignore a “melhor oportunidade” mítica que pode ou não surgir. Se uma jogada atrevida parece ser a mais certa, corra o risco. Você será fatiado às vezes, mas é o preço do aprendizado.




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EDIÇÃO 47

Ano 4 - junho, 2011

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