EDIÇÃO 41 » ESTRATÉGIAS E ANÁLISES

Todos São Donkeys

Até que provem o contrário


Diógenes Malaquias

Dessa vez, decidi fazer um texto diferente. Respirei fundo e busquei na minha cabeça as experiências com um coach, aquelas aulas particulares de poker, voltadas para jogadores iniciantes e intermediários, e encontrei um tema muito interessante: “por que o ganho de conhecimento confunde a cabeça dos jogadores?”

Graças à dedicação, experiência, grind e estudo, os jogadores passam a visualizar uma gama de jogadas bem maior do que eles sequer imaginavam que existisse. Até aí, tudo é maravilhoso. O grande problema surge quando eles precisam aplicar esses conhecimentos.

Efetuar as jogadas mais avançadas é relativamente tranquilo, a questão é quando os iniciantes que aprenderam esses novos movimentos começam a supervalorizar seus adversários, passando a acreditar que todos os outros “bons” players também dominam essa mesma expertise. Já vi muita gente que está começando no poker ter esse comportamento e se dar mal por conta disso. Depois de um tempo, os jogadores percebem que poucos oponentes (ou quase nenhum) estão em um nível de conhecimento avançado.

E agora, como saber que adversários são realmente fortes? A estratégia é simples: todos os oponentes desconhecidos são fracos, até que se prove o contrário.

E quanto aos jogadores famosos? E se você se sentar em uma mesa de high stakes parar jogar contra um Patrik Antonius e não tiver nenhuma leitura dele? Você se senta à frente do computador para fazer sua sessão e se depara com o vencedor do último Sunday Million. E aí? Ele conhece as mesmas estratégias que você ou é um jogador apenas mediano? Você vai jogar um torneio live que aparece na TV e cai em uma mesa com vários nomes conhecidos no cenário nacional. E então, como você deve classificá-los?

Acredite em mim: a melhor maneira de enfrentá-los é pensando que eles jogam de forma simples, sem estratégias avançadas, até que as jogadas deles provem o contrário e você possa usá-las como leitura.
Vamos entender um conceito avançado, resumi-lo e depois utilizá-lo como exemplo.



Conceito
Estou jogando contra um oponente, o flop está lotado de draws e minha mão é bem fraca. Faço uma continuation-bet de 3/4 do pote e tomo call. O turn traz a pior carta possível, que completa alguns draws e ainda cria outros para o nuts. Eu aposto de 1/3 do pote, e o meu oponente apenas paga.

O call dele no turn me diz que ele tem uma mão fraca, pois em um bordo tão carregado, todas as mãos fortes precisam dar raise no turn para se proteger dos vários draws existentes. Um flush ou uma sequência estão vulneráveis contra flushes e sequências maiores e também contra um full house. Portanto, não se pode deixar o river aparecer por apenas 1/3 do pote.

Tendo isso em mente, no river eu faço uma aposta de 4/5 do valor do pote, colocando 44,44% [4/5 dividido por (4/5+1)] do valor do pote. E com a configuração do range do meu adversário, eu sei que ele vai dar fold bem mais de 44,44% das vezes, o que torna esse blefe lucrativo.

Resumo
Quando o oponente apenas pagar uma aposta pequena em um bordo com muitos draws, a mão dele tende a ser fraca.

Aplicação
A única informação que você possui sobre seu adversário é que ele parece saber o que está fazendo. Em uma situação semelhante à do conceito, com um bordo cheio de draws, ele utiliza a seguinte linha: Flop – aposta padrão, Turn – aposta fraca, River – aposta forte.

O grande ponto é: com uma mão mediana, dê fold no river. Apenas excelentes jogadores utilizam essa linha blefando, e o simples fato de ele ter noção do que está fazendo não o eleva a esse patamar. Um oponente só deve ser considerado fora de série depois de provar isso para você, e o único modo de alguém fazer isso é executando jogadas excelentes. Ponto final.

Não dê crédito à fama. Não dê crédito aos resultados. Não dê crédito ao fato de o adversário parecer saber o que está fazendo – simplesmente todos são donkeys até que suas jogadas, e apenas suas jogadas, provem o contrário.

Qualquer dúvida, não deixe de entrar em contato comigo através do email: contato@cardplayerbrasil.com.  Até a próxima edição!





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EDIÇÃO 41

Ano 4 - dezembro, 2010

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