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Jogos Mentais: Estratégias Para Estágios Iniciais de Torneios Multitable


Craig Tapscott

Os Profissionais: Phil Laak, Alex “AJKHossier1” Kamberis, Corwin “[vital]Myth” Cole

Craig Tapscott:
Como você aborda os estágios iniciais de um torneio multitable live ou online com grandes stacks?

Phil Laak: Tight é o caminho. Nos estágios iniciais, a única vez em que eu coloco todas as minhas fichas em jogo é quando estou nuts. Geralmente, é o nuts inusitado, como quando eu tenho 8-5 e o flop vem 8-8-5 ou 7-6-4. Além disso, quando os antes começam a ser cobrados, você quer ser encarado como um nut peddler (alguém que só joga com as melhores mãos); esse é basicamente o cenário dos sonhos. Além disso, nunca se exiba; jamais mostre blefes, jamais. Estamos em 2010 e ninguém mais está dando fold. Portanto, sua taxa de blefes deve ser menor. Se você não jogar uma mão nos estágios iniciais, seu stack praticamente não vai mudar. Você não vai ser eliminado. Eu encaro os estágios iniciais como uma oportunidade para enganar meus oponentes e fazê-los crer que eu sou super-tight.

Alex “AJKHossier1” Kamberis: A maneira como eu começo jogando online depende muito do oponente. Normalmente, eu jogo de forma muito tight contra adversários aleatórios e muito mais agressivamente contra regulares. Isso porque os regulares em regra esperam que eu jogue de maneira previsível no começo, e tipicamente jogam de forma direta eles mesmos, sobretudo aqueles que estão jogando em várias mesas ao mesmo tempo, então essa é uma dinâmica da qual se pode tirar proveito. Eu também acho que, em geral, tenho uma imagem bastante tight contra jogadores regulares, então tento trabalhar com isso também. Oponentes aleatórios tendem a reagir com exagero diante de stacks maiores no início, e a jogar de forma muito loose. Portanto, a melhor maneira de contra-atacar isso geralmente é jogar de modo um pouco mais tight, um jogo mais básico. Em geral, você me verá jogando de maneira muito paciente e sólida nos estágios iniciais.

Corwin “[vital]Myth” Cole: Nos primeiros níveis de torneios ao vivo, eu sou um dos jogadores mais agressivos. Mas há certa finesse na agressividade inicial: ela precisa ser controlada e seletiva. Minha meta é jamais jogar grandes potes ou ir all-in no começo; eu não uso o lema “vá para as cabeças ou vá para casa”. Imagine uma disputa de esgrima. Eu quero conduzir meu sabre de forma frequente e implacável, vendo como meus oponentes se esquivam e contra-atacam, mas não vou correr riscos desnecessários para tentar desferir um golpe mortal. Isso criará a oportunidade que eu quero quando os antes começarem a ser cobrados e os potes se tornarem significativos perto do final do dia. Se eu tiver me conduzido bem, alguns de meus oponentes estarão clamando por um contra-ataque depois de terem perdido o pique, enquanto outros estarão desanimados e indispostos a colocar fichas no pote sem mãos de verdade. Ambas essas posturas são boas para mim; por um lado, serei capaz de enfrentar pessoas que estão agindo com desespero e tentando blefes terríveis, e, por outro, vou atropelar pessoas que se acham incapazes de blefar. Para mim, os primeiros níveis de um torneio live oferecem a oportunidade de preparar o terreno para se obter lucros enormes mais para frente naquele dia.

Craig Tapscott: Como você joga pares altos nos estágios iniciais? Você controla o tamanho do pote, age com cautela diante de flops perigosos e assim por diante? Caso faça isso, quando e por que o faz?

Phil Laak: Se eu abrir raise pré-flop com A-A ou K-K e um oponente der reraise, eu acho incorreto voltar outro reraise. A razão é que, se seu oponente for alguém que saiba jogar e tiver dado reraise com 8 5 ou Q-Q e você voltar reraise por cima, não receberá nenhuma ação. Jogadores inteligentes vão descartar Q-Q ou pior, creio eu. Se seu oponente for um jogador fraco que nunca dá fold, continue aumentando. Mas, se ele for um jogador decente, apenas pague. Sabe por quê? No flop, não importa o que bata, ele vai fazer uma continuation-bet. Se ele tiver uma mão alta, muitos flops o favorecem quando ele segura Q-Q ou K-K, e ele continuará apostando quando você tiver A-A, o que dá mais valor à sua mão.

Corwin “AJKHossier1” Cole: Fichas acumuladas agora são ótimas, mas fichas que você ganha futuramente com jogadas que executadas agora são sempre mais valiosas. Se eu jogar uma mão no nível 50-100 (antes de haver cobrança de antes) que fizer alguém jogar mal em uma mão futura no nível 300-600 (ante de 75), serei devidamente recompensado. Por isso eu não sou fã da estratégia “small ball” nos estágios iniciais. Eu normalmente não controlo o pote com pares altos; eu tento maximizar o valor com eles. Eu erro por otimismo, não por cautela. Quando preciso dar um check ou raise crucial com um par alto, vou em frente. Mas se eu não tiver uma boa leitura de que estou derrotado, provavelmente jogarei um grande pote. Minha agressividade constante, quer eu tenha uma mão, quer não, me permite continuar jogando de maneira agressiva ao longo do dia. Mostrar uma tendência de controlar o pote excessivamente com mãos de um par vai diminuir de forma drástica o número de jogadas agressivas que eu poderei executar mais tarde. E, se eu ficar impossibilitado de blefar mais tarde, prefiro ficar de fora.

Alex “[vital]Myth” Kamberis: A maioria das pessoas exagera com pares altos nos estágios iniciais de um torneio. A não ser que seja uma batalha entres os jogadores em posição final (button vs. blinds ou blind vs. blind), é em regra um erro tribetar com mãos como J-J e Q-Q, e às vezes até K-K. Se você der reraise, precisa levar em conta com que tipo de mãos o outro jogador realmente vai continuar, ainda mais se se tratar de uma four-bet. Por exemplo, se um bom jogador aumentar de posição inicial no primeiro nível de um torneio e você decidir tribetar com Q-Q de posição intermediária, o que você vai fazer diante de uma four-bet? Como o tipo de mãos com que ele dará uma four-bet tende a ser quase sempre K-K ou melhor, é obviamente um erro crasso tribetar aqui. Além disso, ao dar apenas call, você dá a sua mão muito mais valor pós-flop com essa indução ao erro, já que muitas pessoas tendem a erroneamente achar que você não tem pares altos (Q-Q, K-K) quando não tribeta. Como dou apenas call com uma mão como Q-Q, eu tendo a pagar na maioria dos bordos baixos “bons” e a aumentar apenas caso acerte uma trinca ou se o outro jogador for claramente fraco (se ele apostar muito pouco, e assim por diante). Na maioria dos bordos, essa será a melhor maneira de obter valor com um overpair. Normalmente, no começo de um torneio, eu me encontro triberando com mais frequência segurando mãos como 10-9 suited ou A-A, e com menos frequência com mãos como A-K, K-K ou Q-Q.

Phil Laak ganhou seu primeiro bracelete e $263.494 esse ano na World Series of Poker Europe no evento de no-limit hold’em six-max. Em outubro de 2009, ele se tornou o campeão do PartyPoker.com World Open V, faturando $250.000. Você pode encontrá-lo no site de poker unabomberpoker.com.

Corwin Cole é coach de poker e produtor de vídeos do CardRunners. Ele ensina teoria e estratégia de no-limit hold’em tanto para torneios quanto para cash games.

Alex Kamberis foi o Jogador Online do Ano da Card Player em 2008. Ele tem mais de $5 milhões ganhos na carreira, e é considerado um dos melhores jogadores online do mundo.




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