EDIÇÃO 24 » FIQUE POR DENTRO

Card Player PRO: Raciocínio Flexível


Andrew Brokos

Em um heads-up de $5-$10, aumentei para$30 do button com J5, e meu oponente pagou do big blind. Ele tinha cerca de $1.500 e eu tinha mais fichas que ele.

O flop veio Q54, me dando um par do meio. Coloquei $44 com meu middle pair, que era realmente uma mão muito forte aqui. Eu apostaria com quase qualquer coisa, a parte alta de minha gama, e eu achei que meu oponente fosse pagar com qualquer par, alguns draws e talvez até com um ás como carta mais alta.

Quando ele aumentou para $166, eu não fiquei feliz. Esse oponente não era do tipo que fazia uma jogada sem ter nada, nem eu achava que ele fosse transformar uma mão que tinha potencial de showdown em um blefe. Em outras palavras, ele não daria check-raise do tamanho do pote aqui com um par do meio. Ele não esperaria que eu pagasse com muitas dessas mãos, e seria difícil para ele em streets posteriores. Portanto, eu o coloquei iniialmente em uma dama, um flush draw ou a eventual mão mais forte, como dois pares ou uma trinca.

Para ser honesto, meu middle pair não tinha grande equidade contra essa gama. Eu estava contando com a utilização de minha posição ao longo da mão para me concentrar nas cartas de meu oponente e ganhar valor adicional induzindo blefes, desistindo quando estiver derrotado e ocasionalmente até mesmo roubar o pote de uma mão melhor. Esse é um call arriscado que requer uma excelente compreensão de como seu oponente irá jogar de modo a ser lucrativa. Contudo, largar uma mão forte como um par médio diante de um check-raise no flop em um heads-up é perigoso, pois oponentes decentes podem rapidamente explorar esses folds com blefes frequentes.

Quando o 8 apareceu no turn, eu soube que meu par não era bom. Um flush draw era a única coisa com a qual eu ainda podia contar para ganhar no flop, e agora nem mais isso. Quando meu oponente pediu mesa, porém, ele me deu uma nova informação que me ajudou a delimitar ainda mais sua gama. Eu o tinha colocado em um par alto ou flush draw. Pedindo mesa diante da carta do flush ele me disse que quase com certeza tinha uma dama. Ou eu não teria acertado o flop e ele poderia ter um blefe puro e estar dando fold agora.

Em qualquer caso, eu queria apostar naquele instante. Se por acaso eu tivesse a melhor mão, não queria dar a ele uma carta grátis. Meu par é pequeno, então mesmo uma mão que parece não ser nada pode ter entre 12 e 15 outs, se ela incluir um ás e uma ou duas overcards em relação a minha mão.

Se meu único objetivo fosse proteger minha mão, eu não precisaria apostar muito alto. Meu oponente provavelmente planeja desistir diante de qualquer aposta, mesmo contra algo pequeno como 20% do pote.

No entanto, proteger minha mão era apenas uma de minhas metas. Eu também queria me preparar para blefar contra mãos melhores no river. Se meu oponente tiver algo como um par ou mesmo uma trinca, há boas chances de ele agora entrar no modo “controle do pote”, pois o bordo ficou perigoso. Eu esperava que ele pedisse mesa e pagasse no turn, mas pedisse mesa e desse fold diante da maioria das cartas do river. Se o river não trouxer um par para o bordo, pretendo fazer outro grande blefe.

Então, ao dimensionar meu blefe no turn, eu estava realmente tentando escolher uma quantia que meu oponente pagaria. Como eu estava planejando blefar no river de qualquer maneira, ganharia dinheiro mesmo que ele pagasse com mãos melhores no turn, desde que fossem mãos que ele descartaria no river. De fato, era de meu interesse conseguir o máximo de dinheiro possível no pote de mãos que não pagariam minha aposta na quinta street.

Meu outro objetivo era preparar o blefe do river. Embora eu quisesse colocar dinheiro no pote na quinta carta, eu não queria inchá-lo a ponto de deixar meu oponente comprometido com o call no river. Apostei $299, o suficiente para deixar espaço para um blefe do tamanho do pote.

O river trouxe um irrelevante 6, meu oponente pediu mesa, e eu prossegui com meu plano blefando all-in. Muito embora eu tivesse um par, isso na verdade era um blefe. Meu oponente raramente,ou mesmo nunca, terá uma mão pior do que a minha ao pagar no turn, então eu não posso esperar ganhar num showdown. Ele desistiu e eu ganhei um pote de $1.000 com a pior mão.

Essa mão ilustra a importância de permanecer flexível no seu raciocínio. Muitos jogadores pensam sobre suas mãos ou seus planos para streets futuras em termos rígidos. Nesse exemplo, pode ser tentador dizer: “Eu tenho um par médio, meu oponente pode estar blefando, eu vou tentar mostrar minha mão pagando pouco” ou “Eu paguei no flop, planejando desistir se o flush surgisse, o turn foi uma carta de copas, não quero mais saber dessa mão”.

Pensar assim pode lhe custar o pote. Nem valor de showdown nem valor de blefe são isoladamente suficientes para justificar um call no flop. Apenas a habilidade de pensar de maneira criativa e se adaptar em face de novas informações reveladas por seu oponente em streets futuras faz com que você obtenha lucro em uma situação como essa.




NESTA EDIÇÃO



A CardPlayer Brasil™ é um produto da Raise Editora. © 2007-2019. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo deste site sem prévia autorização.

Lançada em Julho de 2007, a Card Player Brasil reúne o melhor conteúdo das edições Americana e Européia. Matérias exclusivas sobre o poker no Brasil e na América Latina, time de colunistas nacionais composto pelos jogadores mais renomados do Brasil. A revista é voltada para pessoas conectadas às mais modernas tendências mundiais de comportamento e consumo.

Sede: Rua Stela de Souza, 54 - Sagrada Família - Belo Horizonte/MG - CEP: 31030-490
contato@cardplayer.com.br
31 3225-2123
LEIA TAMBÉM!×