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Torneio Milionário do Conrad: Emoção e glamour na disputa pelo maior prêmio da América Latina


Amúlio Murta

Durante os dias 20, 21 e 22 de novembro, a encantadora cidade uruguaia de Punta del Este foi palco, pela segunda vez, do maior torneio de poker da América Latina. A etapa de encerramento do Conrad Poker Tour 2008 – tradicional série de torneios realizadas no cassino Conrad, que já distribuiu mais de US$2.500.000 em premiação – teve sua conclusão em uma empolgante disputa.

A primeira “Final Milionária” chamou a atenção do mundo quando o canadense Edward Hattori levou para casa um prêmio de U$S530.700: o maior já distribuído na América Latina. Com isto, a segunda edição do Torneio do Milhão atraiu jogadores de vários países, consolidando o evento como um dos mais importantes do continente.

Não foi somente o valor da premiação e o fato de estar sendo realizado em um dos balneários mais charmosos da América do Sul que tornaram o Torneio Milionário um dos mais concorridos do final de 2008.  O local do evento, o imponente Conrad Resort & Casino, trouxe um charme especial à disputa, e o espaço escolhido reforça essa atmosfera. Totalmente redecorado para receber os jogadores, o magnífico salão Montecarlo proporcionou um ambiente tranqüilo e agradável, ideal para a prática do Texas Hold’em. Nenhum detalhe foi esquecido, toda a equipe envolvida na organização do evento trabalhou uniformizada, e o torneio contou ainda com uma inovação: a presença de dois dealers em cada mesa. Isso fez com que o jogo se tornasse mais rápido e dinâmico, e a estrutura, com blinds subindo a cada 20 minutos, acabou não se tornando um problema para quem gosta do jogo bem jogado.

A expectativa acerca do desempenho dos jogadores brasileiros era muito grande. No ano passado, havíamos obtido uma expressiva participação, com um bom número de jogadores “in the money”. Além disso, um brilhante segundo lugar geral alcançado pelo carioca Marcelo Dabus. Ironicamente, ele caiu no heads-up em uma mão na qual dominava o canadense Hattori, num confronto de AK contra A4. Um 4 no flop tirou de Marcelo o título de 1° Campeão do Torneio Milionário do Conrad.

O Torneio
Com buy-in no valor de $2.500,00, o torneio oferecia ainda a possibilidade de fazer um rebuy, limitada a primeira hora de disputa. Tivemos 434 jogadores inscritos e, ao todo, foram efetuados 74 rebuys, totalizando um prêmio acumulado de $1.555.300 – novo recorde do torneio.

Estrutura
Cada jogador iniciava a disputa com 10 mil fichas, os blinds começavam em 50–100 e subiam a cada 20 minutos. Os dois primeiros dias do evento ficaram reservados à qualificação para a grande final, e os inscritos se dividiram em 4 baterias, jogando até o final do 9º nível de blinds.

Dias 1A e 1B
Nos dois primeiros dias de disputa, alguns nomes conhecidos ficaram pelo caminho. Caso de Bruno Foster, Felipe Mojave, Alessandra Braga, a argentina Verônica Dabul (eliminada faltando 10 minutos para o encerramento da fase de classificação), os mineiros Manoel Vinhas (que ganhou a vaga por ser o primeiro colocado no ranking da Federação Mineira de Texas Hold’em) e Renato Lins (diretor executivo da CardPlayer Brasil), e o vice-campeão do ano passado, Marcelo Dabus.

Por sua vez, Piragibe, Gabriel Otranto, Marco Aurélio “Salsicha”, Sérgio Braga, Grow, Tico Viana (4° colocado no evento de 2007), Gualter Salles e Christian Kruel foram alguns dos brasileiros que se juntaram a outros 180 jogadores que conseguiram a qualificação para a disputa do prêmio milionário.

O dia decisivo contou ainda com a presença de muitas outras figuras conhecidas do poker latino-americano, como os argentinos Ernesto Panno (comentarista da ESPN de seu país) e Lisandro Gallo, o venezuelano Juan Carlos Burgillos e o uruguaio Sebastián Stratta, vencedor da penúltima etapa do Conrad Poker Tour 2008, realizada em outubro.

Dia 2
Dois brasileiros lideravam a contagem de fichas no início do dia final: Luiz Bicudo e Roberto Rodrigues, com 99K e 90K respectivamente. A disputa teve início poucos minutos após o relógio marcar 11 da manhã, e o primeiro nível de blinds do dia se iniciou em 1000–2000 com antes de 100. Foi um começo rápido e furioso: ao fim dos primeiros 20 minutos de competição, 22 dos 188 jogadores restantes já haviam se despedido do torneio.

AA’s
No segundo nível de blinds do dia, a melhor mão possível em um jogo pré flop começou a aparecer para alguns brasileiros. Gualter Salles, que havia se classificado mas vinha short stack quando recebeu o seu par de ases, não teve dúvidas e empurrou todas as fichas para o centro da mesa. Um jogador argentino decidiu pagar a aposta e o brasileiro levou a mão, dobrando suas fichas e respirando aliviado.

Tico Viana foi outro que recebeu AA quando estava short stack – também não hesitou ao voltar all-in em um raise aplicado sobre o seu big blind. Recebeu o call e mostrou AA. Viu TT, levou o pote e voltou para a média de fichas, que estava em 30 mil.

Gualter Salles mal havia juntado suas fichas quando, com AT em um flop com AA7, recebeu all-in do jogador que estava no cut-off. Pagou a aposta e viu seu oponente mostrar AQ. Perdeu um grande pote e voltou a ficar short stack, comprometendo sua vida no torneio. Duas mãos depois Gualtinho acabou caindo, quando foi all-in com 77 e, ironicamente, deu de cara com um AA – fim da linha para o brazuca.

Logo no início do 3° nível, uma jogadora brasileira vinha chamando a atenção. A mineira Rosamélia Ferreira demonstrava que os ares do Uruguai faziam muito bem ao seu jogo. Ela, que já havia se destacado como a melhor brasileira no LAPT-Punta, onde terminou na 14ª colocação, agora subia gradualmente o seu stack e fazia um torneio tranqüilo, bem acima da média geral. Uma de suas vítimas foi Daniel Hoory: na mão em que eliminou o novo jogador do BesTPoker Team, Rosamélia decidiu entrar de limp do UTG com KK. Daniel, com QQ, aumentou a aposta em quatro vezes. Ela, com muito mais fichas, voltou all-in. Ele pagou, e o flop trouxe QA4. No turn, um 5. No river, um K que deu a vitória para a jogadora de Belo Horizonte.

Outro brasileiro que deu adeus ao torneio, vítima de um par de ases, foi Grow. Abaixo da média geral, apostou tudo com 77 e acabou eliminado do torneio.

Christian Kruel
Quando iniciamos o 6° nível, ainda restavam 92 jogadores na disputa. A média geral estava em aproximadamente 56 mil fichas, e Christian Kruel vinha bem no torneio, com mais ou menos 90 mil. CK fazia um torneio seguro e se mantinha desde o início do dia bem acima do average. O primeiro brasileiro a aparecer na contagem era Antônio Fernandes, com cerca de 112 mil. Outra que aparecia bem era Rosamélia, com 91 mil fichas.

GG Braga!!
O próximo brasileiro a bater de frente com AA foi Sérgio Braga. Ele, que havia começado o dia com 56 mil fichas, viu do big blind um flop com 7T2. Com 79 nas mãos, apostou 14 mil e recebeu all-in do short stack que havia entrado de limp com AA. Pagou a aposta e perdeu parte do seu estoque. Algumas mãos depois, com KT, ele foi eliminado ao encontrar um AK em um bordo que trouxe um rei.

Com o jogo no 11° nível e restando 49 jogadores na disputa, a média do torneio girava em torno de 105 mil, e a zona de premiação começava a partir da 43ª posição. Ao contrário do que acontece na maioria dos torneios nos momentos que antecedem a bolha, a estrutura não permitia aos competidores segurar o jogo para tentar administrar o momento. O que se viu no salão foi muita ação, com vários jogadores buscando aumentar os seus stacks para ficar ITM.

“Aí Sim, Viana!”
Em uma destas tentativas o baiano Tico Viana, que vinha um pouco abaixo do average com aproximadamente 80 mil fichas, anunciou all-in com AK. Um jogador brasileiro deu call e mostrou AK. O bordo trouxe duas cartas de espadas, dando uma queda de flush para Tico. Só que no river veio uma carta de paus, e os dois dividiram o pote.

Na mão seguinte, o baiano novamente anunciou all-in, a mesa rodou em fold e ele, em desespero, mostrou AA.

Faltando pouco para a bolha estourar, os blinds adquiriram um valor determinante para quem desejava sobreviver no torneio. Neste momento o venezuelano Juan Carlos Burguillos, após uma dobra, colocou novamente todo o seu stack em jogo com 66. O brasileiro Roberto Rodrigues pagou com A3s e, sem ajuda das cartas comunitárias, ficou abaixo da média de fichas.

Muita ação no jogo pós-bolha
Após o estouro da bolha, quando chegamos ao 14° nível e com 32 jogadores ainda na disputa, começou a brilhar a estrela de CK. Ele dobrou suas fichas após dar um raise com 99. Um oponente brasileiro interpretou a jogada como steal e voltou all-in. Christian pensou um pouco e decidiu pagar. O jogador mostrou K9. O par de noves segurou e, com o average em 185 mil fichas, ele saltou para mais de 300 mil. O chip leader a essa altura era o australiano Andrew Batey, com 360 mil fichas.

Decorridas seis horas de jogo, a competição estava em três mesas, e nelas estavam repartidos os 25 jogadores restantes. Os blinds eram 8000–16000 e os antes valiam 800. Foi nessa fase que Tico Viana se despediu do torneio. Ele, que ainda não havia conseguido dobrar novamente seu stack, foi all-in com AT, mas trombou com um JJ. O bordo tijolou, e o baiano encerrou sua participação no evento.

Guevara é o novo CL
Com mais de 7 horas e 30 minutos de disputa, a disputa se aproximava da definição dos 10 finalistas. Com 16 jogadores na briga, Rosamélia e Christian Kruel eram os melhores brasileiros na contagem de fichas. Nesse momento o torneio sofreu uma alteração importante no topo da tabela, com o argentino Jose Luis Guevara assumindo a ponta com mais ou menos 500 mil fichas.

GG Rosamélia!
Rosamélia não conseguiu chegar à mesa final. Acabou caindo na 14ª posição, eliminada por outro brasileiro, Luiz Portnoi, o “Baiano”. Após um reraise de 100 mil fichas de Baiano, a mineira voltou all-in com AK, fazendo tudo 220 mil. Luiz pagou a aposta e apresentou JQ. Uma Q no turn fez com que a brasileira desse adeus à disputa. Parabéns, Rosamélia, mulher mais bem classificada no torneio.

CK mostra seu poder de fogo
Quando faltavam três minutos para começar o 21° nível, Christian Kruel entra de mini-raise na mão. O brasileiro Afrânio Miranda paga, e o flop vem J6A. Afrânio pede mesa e CK vai all-in. Afrânio solicita a contagem e, após ser informado de que o valor da aposta seria 281 mil fichas, ele dá call. CK Apresenta A3 e Afrânio mostra KT. O turn é um J, e o river um 5. CK leva o pote e vibra muito. Afrânio, mesmo perdendo boa parte de seu stack, continuava vivo.

Em seguida, Kruel entra novamente em all-in, desta vez com AT. Um oponente uruguaio paga a aposta e apresenta KK. Um A logo no flop dá a vitória novamente a CK, que assume a ponta da contagem.

Com poucos minutos decorridos no nível 21, José de la Guardia, jogador panamenho que chegou a ser chip leader, acabou caindo na bolha da mesa final, que ficou assim:


O brasileiro Afrânio Miranda foi a primeira baixa da final table. Ele caiu com K9, eliminado por Christian Kruel com KK. Com a 10ª posição, ele levou um prêmio de $32.300.

Cerca de 15 minutos após a primeira queda, o uruguaio Alejandro del Puerto entrou all-in com 86, e o australiano Batey pagou com AK. O flop veio Q53, o turn trouxe um 7, abrindo possibilidade de sequência para o uruguaio, mas o river foi um K que pôs fim às pretensões de Alejandro no torneio. Ele ficou com a 9ª colocação e um prêmio de $40.000,00.

Já no 23° nível foi a vez de outro brasileiro deixar a disputa. Antônio Alves foi all-in com 33, e o argentino Roberto Catavorello pagou com TQ. Uma sequência obtida no turn com um 8 deu a vitória para o argentino, que venceu a mão e eliminou o brasileiro. Toninho ficou com a 8ª colocação, bem como uma premiação de S$50.000,00. O 7° colocado foi  Diego Nicolás, que deixou a FT quando seu par de damas bateu de frente com o AA do brasileiro César Labate. Além do 7° lugar ele faturou um prêmio de US$60.000,00.

Deal! No Deal!
Após a queda de Nicolás, os jogadores restantes propuseram uma parada para discutir um possível acordo. O torneio foi interrompido por 15 minutos, e depois de uma longa e acalorada discussão não houve acordo e a mesa final prosseguiu.

Os sexto e quinto lugares ficaram com dois jogadores brasileiros. O sexto colocado foi Luiz Portnoi, que caiu em um all-in triplo no qual seu K8 teve poucas chances. Com o resultado, levou $75.000,00. O quinto foi César Labate. Ele acabou eliminado quando se colocou em all-in com KJ. Christian Kruel pagou com QQ. O bordo não trouxe surpresas, e Labate recebeu $90.000,00 pela 5ª posição.

A definição de quem ficaria com o 4º lugar se deu em um embate entre dois jogadores argentinos. Roberto Catavorello, com AJ, e Jose Guevara, com KK. O par de reis segurou, e Catavorello deixou a mesa final em quarto, levando $105.000,00.

Os finalistas
Na disputa entre Brasil, Argentina e Austrália, CK era o que tinha menos fichas. Porém, quando pagou um all-in do australiano Andrew, que tinha A7, e mostrou JJ, Christian conseguiu dobrar e assumir a segunda colocação na corrida pelo prêmio milionário. Andrew ainda tomaria outra pancada ao dobrar o estoque do argentino Guevara, quando seu par de seis encontrou um 6 no flop, deixando Batey bem machucado.

Fim de jogo para C.K.
A mão que selou o destino do brasileiro no Torneio Milionário começou quando ele decidiu, do small blind, empurrar todas as suas fichas para o centro da mesa com K2, tentando roubar os blinds do australiano. CK foi surpreendido pelo call de Batey com AJ, e um ás no flop acabou dando a vitória para o jogador da terra dos cangurus. Na mão seguinte, em uma nova tentativa de steal, CK vai all-in com K4 e novamente é pago por Batey, que tinha KJ. Fim de torneio para o brasileiro jogador do Full Tilt Team, que encerra de forma brilhante sua participação no torneio, conquistando um honroso 3° lugar e mais $135.000,00.

Heads-Up
Depois de uma mesa final com mais de três horas de duração, o heads-up que decidiu o Torneio Milionário do Conrad 2008 durou apenas uma mão. José Luis Guevara, com AQ, venceu o australiano Andrew, que tinha A5. O argentino acabou acertando uma seqüência em um bordo com 4J79T. Pela segunda colocação, Andrew Batey recebeu $200.000. Já Guevara, com a conquista do título, faturou a bela quantia de $530.000,00.

Parabéns ao argentino José Luis Guevara, Campeão do Torneio Milionário do Conrad em 2008, e também a toda a equipe do Conrad Resort & Casino, pela realização de um evento inesquecível. Até a próxima temporada do Conrad Poker Tour, em 2009!




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EDIÇÃO 17

Ano 2 - dezembro, 2008

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