EDIÇÃO 16 » COLUNA INTERNACIONAL

Das Piscinas Para o “Pheltro”

Um fim de semana com Michael Phelps


Todd Brunson

Caso você estivesse escondido num abrigo subterrâneo (ou preso em um jogo de poker) durante os últimos meses, poderia ter perdido o que aconteceu nas Olimpíadas desse ano. Um jovem rapaz de nome Michael Phelps ganhou um recorde de oito medalhas de ouro, para somar com as seis que ele já possuía. Então, o que um cara solteiro, de 23 anos, faz para comemorar um feito desses? Ele vem a Las Vegas, naturalmente.

Meu amigo Mike Bertolini e Phelps têm um amigo em comum, que disse a Mike que Phelps queria se divertir, então Mike o apresentou aos irmãos Maloof. Eles não o desapontaram, hospedando Phelps na suíte “Basquete” de dois andares do Palms, que tem cerca de mil metros quadrados. Ela é chamada assim porque tem uma quadra de basquete gigante dentro, dois quartos e três camas Murphy que podem ser puxadas da parede da quadra de basquete. Essa monstruosidade comporta (e comportou, durante duas noites) até 300 pessoas!

Na companhia de 40 ou 50, Phelps precisava de todo o espaço disponível para dormir. Ele trouxe todos os seus amigos do colégio, da faculdade e da natação. Que camarada! Ele criou um fim de semana que nenhum deles irá esquecer (e nem eu).

Phelps também fez um pedido a meu amigo Mike: ele queria conhecer alguns jogadores de poker famosos. Foi aí que eu entrei. Mike me ligou e pediu que eu levasse grandes nomes para conhecer Phelps. Eu levei Jennifer e Marco Traniello, Hoyt Corkins, Daniel Negreanu e o jogador preferido de Michael (infelizmente, não era eu), mas meu papai, Doyle Brunson.

Na primeira noite, nós jantamos em meu restaurante preferido, a churrascaria Nine. Tomamos cerca de um quarto do lugar para nosso jantar, que durou quatro horas. O chef Barry realmente se superou dessa vez, com mais pratos (e drinks) do que eu consegui contar.

Depois do jantar, nós precisávamos queimar um pouco daquelas calorias, então fomos até a quadra da suíte dele. Jogar basquete bêbado é meu segundo passatempo favorito. O primeiro? Um torneio de poker bêbado, que também aconteceu na suíte dele (eu ganhei, é claro).

Depois, decidimos ir até as mesas de jogos. Phelps e eu gostamos de roleta, então nos juntamos e nos demos muito bem. Eu ganhei mais de cem dólares e Michael ganhou quase mil! Como notamos que os irmãos Maloof estavam ficando nervosos, não queríamos parecer ingratos para os nossos anfitriões, então paramos de jogar. Depois de mais alguns drinks, eu fui até meu quarto para hibernar durante 12 horas.

Quando desci para jantar na Nine, Michael já estava a todo vapor no bar. Ele imediatamente pediu para mim um martini Belvedere e me entregou antes mesmo que eu pudesse dizer a ele que eu achei que já tinha consumido minha cota de álcool para o fim de semana. Ele então começou a caçoar de um amigo dele que não estava bebendo.

O amigo pareceu ter ficado muito ofendido com isso, e pediu para nós três doses de tequila. Enquanto eu procurava um balde caso eu vomitasse, meu primo Ken veio até o bar. Ele e Phelps começaram a conversar sobre whisky, e Ken e Michael pediram, cada um, uma dose dupla de Jack Daniels malte único, que não durou muito.

“Incrível!” eu pensei comigo mesmo. Esse cara estava bebendo algum tipo de coquetel quando eu cheguei, depois tequila, depois whisky, tudo isso em menos de cinco minutos! Como se isso não bastasse, ele então me perguntou por que eu não estava na piscina durante o dia. Aparentemente, enquanto eu estava deitado me recuperando, ele e seus amigos estavam na piscina desde as 9h da manhã. E eles não estavam treinando.

Eu achei que isso fosse algo fora do normal, mas ele me disse que ele e seus amigos bebiam até três vezes por semana, mesmo enquanto treinavam. Ele só parou um mês antes das Olimpíadas! Ah, se eu tivesse 23 anos de novo... Também não seria mal ter a boa forma dele. Mesmo bebendo tanto, eu nunca o vi gaguejando ou parecendo pelo menos um pouco debilitado.

Michael também tem o melhor comportamento dentre todas as celebridades com as quais já convivi. Meu amigo Lenny levou seu filho de 11 anos (meu afilhado), que é um grande fã de Phelps, para conhecê-lo, e o maior campeão olímpico de todos os tempos foi gentil o suficiente para conversar com ele durante mais de 20 minutos sobre natação, e para assinar pôsteres e tirar muitas fotos. De fato, ao longo do fim de semana, enquanto eu estava com ele, ele deve ter tirado literalmente 500 fotos com fãs. Phelps não apenas nunca disse não diante do pedido de uma foto, como também se empenhava em cada uma delas. Ele abraçava o fã ou segurava seus braços para cima com seu grande sorriso de criança que faz com que a câmera o adore.

Você consegue ver que ele está muito empolgado, aproveitando sua celebridade e tudo que esse status traz. “É como se eu estivesse num sonho”, ele me disse durante o jantar. Com 14 medalhas de ouro e contratos de patrocínio estimados entre $50 e $100 milhões vindo em sua direção, eu acho que é um sonho muito bom e que não poderia ter acontecido para um cara melhor... bem, exceto talvez eu.




NESTA EDIÇÃO



A CardPlayer Brasil™ é um produto da Raise Editora. © 2007-2019. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo deste site sem prévia autorização.

Lançada em Julho de 2007, a Card Player Brasil reúne o melhor conteúdo das edições Americana e Européia. Matérias exclusivas sobre o poker no Brasil e na América Latina, time de colunistas nacionais composto pelos jogadores mais renomados do Brasil. A revista é voltada para pessoas conectadas às mais modernas tendências mundiais de comportamento e consumo.

Sede: Rua Stela de Souza, 54 - Sagrada Família - Belo Horizonte/MG - CEP: 31030-490
contato@cardplayer.com.br
31 3225-2123
LEIA TAMBÉM!×