EDIÇÃO 11 » COMENTÁRIOS E PERSONALIDADES

Vencedores se Preparam a Fundo: Parte VI

O trabalho é duro, mas vale a pena


Alan Schoonmaker

Colunas anteriores dessa série afirmaram que jogadores de poker vencedores e generais ganham batalhas se preparando a fundo. O compromisso deles com a preparação nunca cessa. Depois que uma batalha acaba, eles se preparam para as futuras.

Eu perguntei a Barry Tanenbaum, profissional muito bem sucedido e colunista da Card Player: “O que você faz depois de jogar?” Ele revisa sua sessão para:

• Preparar-se para jogar contra os mesmos oponentes
• Desenvolver suas próprias habilidades (que ele considera o mais importante)
Essa coluna discute como fazer ambas as coisas.

PREPARANDO-SE PARA JOGAR CONTRA OS MESMOS OPONENTES
Se você não joga muito contra alguém, concentre-se em outras pessoas. Em jogos caseiros, você normalmente enfrenta o mesmo pequeno grupo. Algumas card rooms têm muitos jogadores regulares e quase nenhum turista. Em Las Vegas, Atlantic City e outras cidades turísticas, seus oponentes mudam constantemente. Descubra quem você irá encontrar novamente perguntando: “Onde você mora?” ou “Você vai ficar na cidade até quando?”

Como seu tempo é limitado, concentre-se primeiramente nos oponentes importantes, naqueles que jogam particularmente bem, mal ou que são imprevisíveis. Preste menos atenção aos jogadores medianos, pois eles não demandam grandes ajustes. Revise cada ação importante de um oponente para aprender:

• Quão bem ele joga
• Que estilo ele joga
• Quaisquer tells ou telegramas
• Qualquer mudança no jogo dele
• Quaisquer surpresas

Quão bem ele joga: Analise o nível de habilidade dele e conclua se é fraco o suficiente para que você tente jogar contra ele, ou forte e/ou enganador o suficiente para evitá-lo. Se não puder evitar completamente um jogador perigoso, planeje se sentar à sua esquerda ou longe dele, para reduzir o perigo.
Que estilo ele joga: Descubra quão loose, tight, passivo, agressivo, enganador ou previsível ele é, bem como tendências específicas como aumentar para obter cartas grátis ou executar “floats” no flop. Assim você pode tomar decisões melhores sobre o lugar onde sentar e como se ajustar. Meu livro A Psicologia do Poker fornece diretrizes detalhadas sobre onde se sentar e como se ajustar diante de cada um dos principais estilos, mas você também deve se preparar para reagir às tendências específicas de cada oponente.

Quaisquer tells ou telegramas: Tome notas mentais ou escritas sobre cada sinal que ele enviar e sobre o que isso geralmente significa. Os Livros The Book of Tells, de Mike Caro, e Read ’em and Reap, de Joe Navarro, fornecem orientações excelentes sobre os significados de vários sinais, mas o significado dos sinais específicos de determinado jogador são muito mais valiosos.

Vejamos um exemplo claro: pedir mesa e deliberadamente pegar fichas quase sempre significa que um oponente está querendo evitar que você aposte. Contudo, os jogadores variam o modo como fazem essa “ameaça”. João geralmente faz uma aposta a contragosto, mas Henrique em regra desiste. Aposte pelo valor contra João e blefe contra Henrique.

Qualquer mudança no jogo dele: O jogo de quase todo mundo muda sob determinadas circunstâncias, mas as condições e respectivas reações são individuais. Por exemplo, muitos jogadores ficam mais loose depois de perder muito, mas outros têm a reação oposta. Se você detectar alguma mudança, tome nota. Da próxima vez que jogar, observe o quanto ele está ganhando ou perdendo (ou qualquer outra condição que modifique o jogo habitual dele) e então ajuste seu jogo.

Quaisquer surpresas: Barry repete mentalmente cada mão que contém uma surpresa. Por exemplo, se ele vir um jogador que ele considerava bastante conservador triplicando a aposta no river com um flush de 8 como carta mais alta, ele revisa a ação e se pergunta: “Por que ele fez isso?”

Ele deve ter visto algo que indicou que seu aumento aparentemente arriscado era seguro, ou ele não é tão conservador quanto Barry imaginara. Analisando a mão, ele pôde aprender algo sobre o jogador que triplicou a aposta ou sobre outro oponente.

Barry também faz anotações especiais quando um jogador aprende uma nova jogada, como um check-raise blefando no turn. Se ele jamais viu isso antes, adiciona o fato a seu banco de dados do jogador.

DESENVOLVENDO SUAS HABILIDADES
Quanto mais freqüente e profundamente você revisar seu jogo e se preparar para melhorá-lo, mais rapidamente suas habilidades irão se desenvolver. Na verdade, se não seguir esses passos, é provável que não evolua muito. Busque fraquezas específicas, como não blefar o suficiente ou jogar além do recomendável.

Uma série anterior, “Planejando Seu Desenvolvimento Pessoal”, abordou problemas do longo prazo (CardPlayer.com, Nov. 29, 2005 - April 18, 2006). Agora, estou preocupado com o desenvolvimento de habilidades específicas no curto prazo. Você irá progredir mais depressa se:

• Traçar missões bem definidas
• Colher as informações certas
• Discutir seus dados e conclusões

Traçar missões bem definidas: Na obra 12 Days to Hold’em Success, Mike Caro recomendou o seguinte passo: uma “missão” é uma mudança que você quer fazer, como blefar mais. Não trabalhe em mais nada. Se você tentar desenvolver várias habilidades simultaneamente, é provável que não ocorram mudanças significativas. Obviamente, as missões que você traçar dependem de suas forças e fraquezas específicas, bem como das metas de desenvolvimento. Por exemplo, se você não blefa o suficiente, pode traçar como missão blefar em determinadas situações (como estar no big blind em um pote sem raise, com um flop contendo um par médio e um lixo).

Para realizar uma mudança significativa em seu jogo, talvez seja preciso passar vários dias em uma missão, e pode perder no curto prazo, enquanto a executa. Encare isso como o “preço” do aprendizado.
Colher as informações certas: Tome notas sobre sua missão. Como o histórico das mãos é facilmente encontrado e você pode usar softwares que registram mãos para lhe mostrar os padrões, muitas missões podem ser executadas e analisadas online, com maior precisão. Registre com a maior riqueza de detalhes possível:

• O que você fez (como jogou a mão)
• Por que você agiu assim (seus motivos, raciocínios e emoções)
• Como outras pessoas reagiram, e quais suas conclusões a respeito das razões delas
• O resultado final
• As lições que você aprendeu

Discutir seus dados e conclusões: Você pode discutir mãos, missões e quase qualquer coisa em fóruns online (como os da CardPlayer.com), em grupos de discussão de poker ou com técnicos ou colegas de poker. Como todos nós somos tendenciosos a respeito de nós mesmos, precisamos dessas discussões para aumentar nossa objetividade e instrução. Você pode não gostar do que as outras pessoas dizem, mas precisa ouvi-las.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Você pode achar que seis colunas sobre preparação é um exagero, mas se preparar a fundo é a maneira mais fácil de melhorar seus resultados. Alguns jogadores não estudam nem se preparam de outras formas, e podem até se orgulhar disso, da mesma maneira imatura que os estudantes do ensino médio se orgulham de jamais abrirem os livros. Alguns deles se dão muito bem porque — como disse David Sklansky — “Eles são aberrações, assim como os atletas campeões”. Eles simplesmente sabem como ler e manipular oponentes.

Infelizmente, você provavelmente não é um jogador abençoado nesse sentido, mas, com a preparação adequada, pode compensar suas limitações e aumentar drasticamente seus lucros. É um trabalho árduo e em geral cansativo, mas vale a pena.

Para aprender mais sobre si mesmo e outros jogadores, você pode comprar os livros do Dr. Schoonmaker’s books, Your Worst Poker Enemy e Your Best Poker Friend, em CardPlayer.com, que serão lançados em breve em português pela Raise Editora.




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