EDIÇÃO 11 » MISCELÂNEA

Capture a Bandeira: Daniel Alaei


Lizzy Harrison

Apesar de ter ganhado mais de 1,5 milhões em torneios, Daniel Alaei é basicamente jogador de high-stakes cash games. No verão de 2006, conquistou seu primeiro bracelete da World Series of Poker quando venceu uma mesa na qual estavam competidores como David Williams, Men Nguyen e Allen Cunningham, e levou o evento de no-limit deuce-to-seven lowball com buy-in de $5.000. Alaei também participou de vários episódios do High Stakes Poker da GSN e, apesar de no-limit hold’em $25-$50 ser seu ganha-pão, já jogou em limites de $500-$1.000. Atualmente seu foco é o pot-limit Omaha.

Lizzy Harrison: Que fatores compõe um bom cash game?

Daniel Alaei:
Para um cash game ser bom, é preciso ter uma mistura de jogadores previsíveis e loose. Também é interessante que haja pelo menos um ou dois jogadores fracos, de fácil leitura, e que joguem muitas mãos. Você não deve se importar se tiver alguns chatos em sua mesa, que jogam apenas com mãos boas, porque eles não darão tanta dor-de-cabeça, e você saberá o que eles têm. O que é realmente indesejável são jogadores agressivos, porque constantemente eles o testarão. Ao contrário disso, devo dizer que todos jogam à sua própria maneira e querem alguma coisa diferente em uma partida. Mas posso dizer com confiança que todo jogador de poker deseja ficar diante de adversários fracos.

LH: Qual sua variante preferida e por quê?

DA:
É bem provável que seja o no-limit hold’em, mas o pot-limit Omaha está bem perto. Prefiro essas variantes porque tenho mais experiência nelas. Definitivamente, dediquei muitas horas da minha vida ao no-limit hold’em. Já estudei muito o jogo. Comecei a me empenhar mais em pot-limit Omaha há pouco tempo, mas já posso dizer que foi a variante que mais joguei no último ano. Gosto muito de Omaha por ser um jogo bastante complexo. Recentemente, de um modo geral, jogadores de no-limit hold’em tem se dado muito bem. Então, agora eu realmente prefiro jogar pot-limit Omaha.

LH: E qual a variante de que você menos gosta?

DA:
A modalidade em que sou pior e a de que menos gosto é, provavelmente, seven-card stud. Isso porque ainda não tive a chance de jogá-la muito. Porém, quero começar a praticar para que eu possa jogar H.O.R.S.E. com mais confiança.

LH: Como você escolhe uma partida?

DA:
Sinceramente, não tenho muita habilidade para seleção de partidas, portanto não sou a melhor pessoa pra responder a essa pergunta. Se há uma da qual eu queira participar, jogo nela. Isso acontece porque sou péssimo na escolha de partidas.

LH: Quais os maiores limites em que você já jogou?

DA:
No High Stakes Poker, joguei no-limit hold’em de $300-$600 com antes. Também joguei no-limit de $500-$1.000, mas não muito. Geralmente entro em no-limit hold’em de $25-$50 a $200-$400, chegando a $300-$600 algumas vezes. Na verdade, jogo em qualquer limite disponível, o que nos faz voltar à questão da minha falta de habilidade para selecionar partidas.

LH: Quando um jogador deve determinar o momento de subir de limite?

DA:
Acredito ser muito importante que os jogadores pelo menos experimentem o novo limite antes de subir de vez a ele. Apenas devem se lembrar de deixar dinheiro suficiente em seu bankroll para voltar ao limite anterior, caso precisem. Mas acho importante arriscar, porque às vezes você consegue se dar bem nesse novo limite e continuar nele. Se você está estável e se dando bem em seu limite, deveria, pelo menos, tentar mudar para um mais alto. Minhas habilidades de administração de bankroll também são bem questionáveis, mas se a partida for boa, participo, sem me importar se ela é muito alta para meu bankroll.

LH: Qual o erro mais comum que você vê jogadores iniciantes cometerem?

DA:
Novatos em cash games jogam potes grandes demais quando estão fora de posição. Posição é muito importante! Se um jogador pagar, aumentar ou der reraise fora de posição, isso vai machucá-lo. Ele está apenas a caminho de enfrentar várias decisões muito difíceis.

LH: Que habilidades são mais importantes para cash games do que para os torneios?

DA:
Saber ler seus oponentes é muito mais importante em cash games. Se você quer vencer em cash games, deve ser capaz de fazer uma boa leitura de seus adversários. Deve saber como usar suas fichas para conseguir informações. Cash games não são tão matemáticos quanto torneios. Em torneios, não se tem tantas em fichas com relação aos blinds, então a disputa se torna muito mais matemática; em torneios é preciso prestar atenção aos big blinds que você ainda tem, para poder determinar quando deve ir de all-in ou quando poderá pagar um raise. Em cash games, tudo acontece depois do flop. Nada do que acontece pré-flop é realmente importante.

LH: Qual conselho você daria a um jogador de torneios bem-sucedido se ele quisesse passar a jogar cash games?

DA:
Eu diria que ele precisa mesmo praticar muito. A chave de tudo é a experiência; então, ele teria que se exercitar durantes horas para ter uma boa noção do jogo. Cash games são muito diferentes de torneios e eu diria que é necessário se aperfeiçoar no jogo pós-flop. O melhor conselho que eu poderia dar seria para que ele procurasse um jogador que realmente respeitasse, e aprendesse o com jogo dele. Estude os bons jogadores e você aprenderá com eles.

LH: Quais características os maiores jogadores de cash games têm em comum?

DA:
Para ser um jogador diferenciado em cash games de no-limit hold’em é preciso ser bastante inteligente. Para ser bem-sucedido, deve ser esperto e ter raça. Não pode ter medo de investir dinheiro, e ser capaz de fazer grandes calls é importante. Você também deve ser bom no aspecto psicológico, para saber ler bem seus oponentes.

LH: Quais os jogadores de cash games você mais respeita e por quê?

DA:
Acho Kenny Tran um grande jogador. Gabe Thaler também joga muito bem. Há inúmeros jogadores bons por aí; fica difícil dar o nome de todos eles.




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