EDIÇÃO 108 » COLUNA NACIONAL

Cérebro na cartola

Um papo sobre como aprender poker vai muito além de roteiros


Fábio F1oba Maritan
No poker ou em qualquer outra atividade, pessoas alcançam sucesso em seus propósitos e inspiram outras pessoas. Na onda da inspiração, muitos aprendem e evoluem consoante a uma grande maioria que apenas procura o segredo, a fórmula mágica e rápida para surfar também. Pois bem, afinal qual a mágica?

Primeiro de tudo, é inegável que cursos, coachings e discussões, em geral, tornam o jogador cada vez mais capacitado. Afinal, conhecimento sempre é bem-vindo. A capacitação torna o jogador cada vez mais “defendido”, rico em repertório. Ótimo, mas quão limitado é ter uma receita de bolo de cenoura perfeita se, em pouco tempo, cenouras passassem a causar alergia? Você quer surfar a onda perto da quebra ou na formação? Muito cuidado com a abordagem da informação que você procura. Desconfie totalmente de fórmulas prontas. Vivemos um momento de valorização do pensamento e da criatividade.

Tomar decisões jogando poker profissionalmente exige mais profundidade que o senso comum imagina. Você pode aplicar conceitos que aprendeu e abusar da experiência a seu favor, mas jamais deve esquecer que as situações, principalmente as mais difíceis, são únicas. Não tem fórmula mágica. A decisão é você com você, interpretando o que significam aqueles tamanhos de apostas daquele jogador, naquele cenário totalmente específico e complexo. Subjetividade aliada a esforço mental.



O que parece mais divertido? Tomar uma decisão ruim hoje e ser gratificado pela aleatoriedade do baralho rindo com os amigos ou se esforçar em tomar boas e embasadas decisões no longo prazo? O poker precisa ser sério apenas pra quem quer levá-lo a sério, e pronto. A maioria está ali apenas pra se divertir num baita desafio legal. Muito inconveniente é aquele jogador que se senta à mesa e parece deter a verdade, importunando e corrigindo publicamente os demais com seu “livrinho de boas práticas”. Oras, toda subjetividade envolvida faz com que certo e errado estejam muito mais ligados a argumentos que embasam decisões do que simplesmente: “você não pode abrir essa mão dessa posição”. Muito preguiçoso colocar uma regra em seu jogo sem entender os porquês. Pior, a partir de regras, colocar o escudo do “eu já sei jogar” e viver numa acomodação melancólica. Uma jogada aparentemente ruim pode ser explicada por argumentos. Argumentos podem ser trabalhados para enriquecer a decisão. E assim sempre. Amém. Obviamente, que absurdos existem, mas frustrar-se em excesso pela decisão alheia apenas expõe incapacidade de adaptação. Você não pode mudar a aleatoriedade do baralho, mas pode mudar sua postura em relação a isso.

No mais, para quem busca evolução, valorize coachings que estimulem o pensamento e a criatividade. Coachings que não apenas falem, mas também ouçam e modelem argumentos. Em minha opinião, times de poker saem na frente nesse sentido. Com capital humano qualificado evoluindo diariamente, se ganha em velocidade de adaptação e, consequentemente, colhem-se retornos regulares. Coloque seu cérebro nas mesas e boa diversão.


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