EDIÇÃO 9 » MISCELÂNEA

Capture a bandeira: Billy Baxter


Lizzy Harrison

Billy Baxter tornou a expressão jogador profissional de poker em um título de trabalho legítimo décadas atrás, quando enfrentou o Internal Revenue Service (Instituto de Seguridade Social Norte-Americano). No caso William E. Baxter versus Estados Unidos, um juiz de Nevada afirmou que os ganhos oriundos de apostas de Baxter não consistiam em renda não-merecida (podendo ser devidamente tributada). O juiz decidiu que Baxter tinha ganhado seus rendimentos no poker e que, portanto, eles deveriam ser tributados como qualquer outra fonte de renda. Baxter até hoje sobrevive como jogador profissional de poker, em parte graças àquela decisão vanguardista. Ele foi incluído no Hall da Fama do Poker em 2006.

Lizzy Harrison: Que fatores compõem um bom cash game?
Billy Baxter:
Vários jogadores ruins e muito dinheiro na mesa; você não vê isso com muita freqüência, mas torna um jogo muito bom. O que se deve buscar em uma partida é uma modalidade que você goste com bom volume de dinheiro na mesa. Se tiver sorte, encontrará alguns jogadores fracos pelo caminho.

LH: Qual é sua modalidade preferida e por quê?
BB:
Quando eu comecei a jogar poker, a variante mais popular era o no-limit deuce-to-seven single draw. Obviamente, essa é a minha favorita, já que comecei com ela. Mas eu realmente gosto de jogar todos os tipos de lowball. Eu estou meio que numa máquina do tempo. Eu tinha parado de jogar poker em 1985 e me mudado de volta para a Georgia. Eu achava que já tinha feito tudo que podia fazer no mundo do poker. Achava que não queria mais jogar. Acabei me mudando de volta para cá [para Las Vegas] nos anos 90, e a primeira coisa que notei foi que tinham proibido todo mundo de fumar nas card rooms. Essa era uma coisa que eu detestava nas salas de poker: o fumo! Então comecei a jogar novamente. O poker hoje é mais popular do que nunca e, para mim, jogar é como ir para o campo de golfe: é divertido.

LH: Quando está jogando por diversão, como você seleciona os limites de apostas em que joga?
BB:
Bem, eu sempre prefiro no-limit poker, não importa que variante eu esteja jogando. Ultimamente, contudo, tem havido muitos jogos mistos e de lowball por aqui; a maioria deles é com limites. Eu tenho jogado $400-$800 e $600-$1,200 no Bellagio atualmente, em especial esses novos tipos como badugi e triple-draw deuce-to-seven. Todos essas modalidades estranhas são muito populares hoje.

LH: Quais foram os maiores limites nos quais você já jogou?
BB:
Eu participei daquele que foi o maior jogo de todos os tempos, se você comparar o valor do dólar nos anos 70 ao valor atual. Nós jogamos no-limit deuce-to-seven com blinds de $1.000-$2.000 e ante de $500. Doyle Brunson, Bobby Baldwin, Major Riddle e Jimmy Chagra, todos jogaram essa partida nos anos setenta. Chagra tinha muito dinheiro; ele aparecia na mesa de poker com sacolas cheias de dinheiro. E sempre trazia seu dinheiro nessas grandes bolsas.

LH: Como deve um jogador decidir quando está pronto para subir os níveis de apostas?
BB:
Quando começar a ganhar no jogo que vem praticando, e financeiramente puder subir para o limite seguinte, deve sempre tentar crescer.

LH: Qual é o erro mais comum que você vê jogadores de cash games inexperientes cometerem?
BB:
Eu geralmente não gosto de falar sobre isso diante de uma dama, mas há um velho ditado no jogo em relação a novatos: “Eles comem como um passarinho e c---- como um elefante!” Isso quer dizer que, quando eles ganham dinheiro, ganham apenas um pouquinho, mas quando perdem, perdem tudo.

LH: Quais habilidades são mais importantes em cash games do que em torneios?
BB:
Tocamos nesse ponto ainda há pouco: gerenciamento de dinheiro. Uma das maiores habilidades de que necessita um jogador de cash games é a de maximizar ganhos e minimizar perdas. Outra habilidade importante consiste em escolher os jogos nos quais você se sabe favorito. É preciso saber; não basta achar. Esse é outro problema: muitas pessoas não sabem quando estão em vantagem ou desvantagem. É isso que separa os jogadores de poker bem sucedidos daqueles que não obtêm êxito.

LH: Que conselho você daria a um jogador de torneios de sucesso que quisesse se aventurar na arena dos cash games?
BB:
Eu simplesmente diria que ele tem que suar a camisa para jogar cash game. Muitos desses jogadores de torneios jogam muito bem esse tipo de competição, mas são absolutamente terríveis quando tentam os cash games. A razão por trás disso é que é preciso ter uma mentalidade completamente diferente. Ter de tirar de seu próprio bolso para pegar mais de seu dinheiro quando você perde é difícil; alguns dos jogadores de torneio simplesmente não conseguem suportar isso. Eles são muito destemidos quando disputam um evento, pois tudo que podem perder é um montante determinado, talvez $10.000. Quando jogadores assim entram em um cash game, em que se pode facilmente perder $40.000 ou $50.000, eles realmente não aceitam isso muito bem.

LH: Quais características grandes jogadores de cash games têm em comum?
BB:
Primeiramente, todos os grandes jogadores de cash games têm coragem. E também têm grande habilidade para selecionar partidas. Grandes jogadores jogam pelo dinheiro, e sabem quem são os perdedores em suas mesas. Existem vencedores e perdedores em todos os aspectos da vida, e não é difícil diferenciar uns dos outros, especialmente nas mesas de cash games.

LH: Quais são os jogadores de cash games que você mais respeita e por quê?
BB:
Sabe, eu sou meio à moda antiga, então eu acho que teria de retroceder algumas décadas. Eu tenho que mostrar aos bons jogadores seu merecido respeito. Doyle Brunson foi, e ainda é, um grande jogador de cash games. Obviamente, Chip Reese foi um dos melhores. Tinha um cavalheiro que foi o sujeito mais difícil de se tomar dinheiro que já existiu. Já é falecido, e você pode não estar familiarizada com ele, mas seu nome era Fred Ferris. Nós o chamávamos de Sarge (Sargento). Ele está no Hall da Fama do Poker; foi incluído no final dos anos 80, e sua foto está na parede. Ele foi realmente um grande jogador de cash games; não tanto porque jogava bem todas as variantes, mas porque ele era muito obstinado e difícil de se tirar dinheiro. Mas, claro, existem alguns novos jogadores de cash games muito bons por aí. Phil Ivey é um deles.




NESTA EDIÇÃO



A CardPlayer Brasil™ é um produto da Raise Editora. © 2007-2018. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo deste site sem prévia autorização.

Lançada em Julho de 2007, a Card Player Brasil reúne o melhor conteúdo das edições Americana e Européia. Matérias exclusivas sobre o poker no Brasil e na América Latina, time de colunistas nacionais composto pelos jogadores mais renomados do Brasil. A revista é voltada para pessoas conectadas às mais modernas tendências mundiais de comportamento e consumo.

Sede: Rua Stela de Souza, 54 - Sagrada Família - Belo Horizonte/MG - CEP: 31030-490
contato@cardplayer.com.br
31 3225-2123
LEIA TAMBÉM!×