EDIÇÃO 81 » MISCELÂNEA

Final Table

Tradução e adaptação: Marcelo Souza


Craig Tapscott

Grandes campeões analisam mãos decisivas que lhes levaram a vitórias nos principais torneios do mundo, seja na internet ou ao vivo. 

MIKE LEAH MOSTRA COMO SE PORTAR EM UMA MESA FINAL EXTREMAMENTE AGRESSIVA

Mike Leah é membro do Team Ivey. Ele é um dos mais bem-sucedidos jogadores de mixed games do mundo. O ex-gerente de vendas foi apresentado ao poker em 2005. Um ano depois, ele já destruía nos torneios ao vivo. Em 2008, deixou seu emprego para se profissionalizar. Nos últimos três anos, Leah teve bastante sucesso na World Series of Poker. Foram 16 ITMs e três mesas finais. Seus ganhos na carreira, tanto online quanto ao vivo, estão perto de US$ 4,5 milhões.

Evento: 2014 World Poker Tour Fallsview Poker Classic Main Event
Jogadores: 649
Buy-in: US$ 995
Primeiro Prêmio: US$ 107.084
Colocação:





MÃO #1
Conceitos-chave: Usando informações pré-adquiridas. Range de mãos. Induzir um oponente agressivo.

Craig Tapscott: Pelo que entendi, a mesa final era muito agressiva. Fale um pouco sobre isso e sobre a sua estratégia.

Mike Leah: Realmente era muito agressiva. No dia anterior, Jeremy Rose ficou por algumas horas imediatamente à minha esquerda, então eu sabia que todas as vezes que eu desse raise, ele daria call ou faria uma 3-bet. Nós havíamos jogados vários potes com 3-bets, 4-bets, 5-bets e 6-bets. Eu sabia que a mesa final seria uma batalha dura entre nós dois. E eu também sabia que alguns jogadores esperariam por eliminações para atingirem melhores premiações. Com isso em mente, minha estratégia inicial era aplicar 3-bets contra os stacks médios, o que também forçaria Jeremy a desistir dos potes.

CT: Isso é loucura. Potes com 5-bets e 6-bets? Quando a mesa está assim, insana, como você reage? 

ML: Com um jogador hiperagressivo na sua esquerda, é melhor deixar o seu range de raise um pouco mais tight ou estar preparado para aplicar 4-bets light (blefando). Você também pode aplicar 3-bets nos oponentes à sua direita para tirar o jogador à sua esquerda da mão. Eu não gosto de colocar todas as minhas fichas em uma situação de flip, estou sempre tentando arranjar uma situação em que, pelo menos, esteja dominando meu adversário.

CT: Vamos falar sobre a primeira mão.

ML: Algumas mãos antes, tentei usar minha estratégia de 3-bets contra os stacks médios, mas recebi 4-bets-all-in como resposta. As coisas não estavam indo muito bem. Os shorts estavam dobrando e eu não conseguia puxar nenhum pote. Jeremy Rose tinha chegado a dois milhões de fichas e eu tinha caído para 700.000.

CT: Agora você tem menos de 30 big blinds. Qual sua nova estratégia, já que não está mais deep?

ML: Com esse stack, minhas mãos estão um pouco atadas. Com a minha imagem diante da mesa, o melhor seria ficar mais tight e esperar por situações ideais, mas eu ainda acredito que posso ganhar potes, já que vários jogadores só querem ficar vivos e levar mais dinheiro. Com um jogador hiperagressivo ao meu lado, era difícil, mas meu stack era ideal para uma 4-bet-all-in, então continuei a aumentar com um range de mãos mais amplo.

Leah aumenta para 60.000 do início da mesa com A 7. Danny Freitas paga do meio da mesa.

CT: Você tem alguma leitura dele?

ML: Eu tinha jogado um pouco com o Freitas nos dias anteriores e na mesa final. Nesse ponto, eu sei que, aqui, o range de call é bem grande, pares, mãos suited como 10-9 etc. Ele também é capaz de ir para o float, acertando ou não o flop.

Flop: K 7 4 (pote: 205.000)
Leah aposta 65.000. Freitas paga.

CT: Como esperado.

ML: Sim. Eu estava bem confiante que tinha a melhor mão, mas ele poderia estar segurando 8-8 ou 9-9; ou alguma mão suited como K-Q, K-J ou K-10.

Turn: 5 (pote: 335.000)
Leah pede mesa.

CT: Por que pedir mesa?

ML: Eu pedi mesa com a intenção de controlar o pote, induzir blefes e dar check-call, mas check-raise-all-in também era uma opção, tudo dependia do tamanho da aposta dele e da minha leitura. Mas para a minha surpresa...

Freitas empurra all-in.

CT: O que ele poderia ter nessa situação?

ML: Pensei por bastante tempo, tentando dimensionar o seu range. Se eu desse call e perdesse, estaria praticamente morto. No final, devido ao tamanho da sua aposta, all-in de 450.000 em um pote de 300.000, percebi que era mais provável que eu segurasse a melhor mão. Eu só estaria perdendo para alguns Reis e um possível semiblefe com 8-8 ou 9-9.
Leah paga. Freitas mostra AQ.

River: 2 (pote: 1.285.000)

Leah leva o pote de 1.285.000

CT: E se ele tivesse apostado metade do pote no turn e no river, como você avaliaria a força da mão dele?

ML: Eu não estava muito certo de o que aconteceria quando pedi mesa. Sabendo das suas tendências ao float, sabia que as chances de ele apostar eram grandes, então eu estava inclinado a empurrar all-in. Isso é interessante porque o meu check-raise-all-in poderia ser tanto por valor como por blefe, já que ele poderia dar fold em um par de Oitos ou Noves.

CT: Já que você não estava deep, suas opções estavam um pouco limitadas, certo?

ML: Sim. Com meu stack, dar check-call não era uma boa jogada, mas se ele apostasse pouco, se tornaria uma opção, por controle de pote ou para pegá-lo blefando. No entanto, minha mão era bastante frágil. Vários rivers seriam ruins para mim, o que dificultaria para eu pagar outra aposta. Se ele apostasse metade do pote, minha decisão seria fold ou all-in, já que o pote estaria muito inflado comparado com os nossos stacks.




MÃO #2
Conceitos-chave: Dinâmica da mesa, conhecendo o seu oponente, momento.

ML: A mesa estava insana, e essa dinâmica era refletida nas jogadas entre mim e Jeremy. Foram numerosos raise e reraises blefando. O que resultou nesta mão foi o fato de eu abrir raise 100% das vezes no button (BTN).

Leah aumenta para 60.000 do button com 99. Rose faz tudo 150.000 do small blind.

CT: O que passou pela sua cabeça quando ele reaumentou?

ML: A mais pura alegria (risos). Eu estava dando raise todas as vezes em que eu era o BTN, e Jeremy estava aplicando 3-bets com a mesma frequência. Dado o nosso histórico, havia uma boa chance de ele aplicar uma 5-bet blefando, empurrar all-in ou até mesmo dar call na minha 4-bet. Eu sabia que precisava dar a chance a ele de colocar mais dinheiro no pote, então fiz uma 4-bet. Contra outro jogador, eu poderia apenas pagar, mas eu imaginava que se ele tivesse um par menor, algo como A-9 ou um A-X do mesmo naipe, ele não largaria.

Leah aposta 290.000.

Rose faz uma 5-bet para 500.000.

CT: Há alguma chance de você dar fold?

ML: Não.

CT: O range dele não estaria em algo como 10-10 até A-A ou 6-6, 7-7 e 8-8? E, claro, A-Q e A-K? Ele faria isso com A-J ou um par pequeno? Eu só estou tentando entender esta louca dinâmica hiperagressiva entre vocês dois. Bem, mas ele empurrou all-in. E então?

ML: Sinceramente, eu preferiria que ele tivesse empurrado, já que quando ele faz isso, posso incluir combos de A-X e pares pequenos em seu range. Mas pelo fato de, algumas vezes, ele dar fold depois dessa 5-bet ou tentar induzir um all-in da minha parte para conseguir um coin flip, dada a força da minha mão, há muito dinheiro no pote para que eu possa considerar o fold.

CT: Essa é uma jogada normal nos torneios de hoje em dia?

ML: Em poucos torneios os jogadores chegam nesse estágio com stacks tão grandes para realizarem jogadas desse tipo. É mais comum você presenciar isso em eventos principais, em que as estruturas são bastante deep e há mais profissionais.

Leah empurra all-in.
Rose paga com AQ.
Flop: 7 3 2 (pote: 2.245.000)
Turn: 4 (pote: 2.245.000)
River: 8 (pote: 2.245.000)
Leah leva um pote de 2.245.000 fichas.




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