EDIÇÃO 49 » ESTRATÉGIAS E ANÁLISES

Leitura de Mãos

A habilidade mais importante do no-limit hold’em


Ed Miller

Leitura de mãos é a habilidade mais importante do no-limit hold’em. Quanto melhor você for na arte de deduzir as mãos que seus oponentes seguram, mais dinheiro ganhará. É possível cometer vários outros erros, como o tamanho das apostas ou o jogo pré-flop, e ainda assim ficar no lucro, se você ler mãos melhor do que os oponentes.

São necessários três fatores para se tornar um bom leitor de mãos. Primeiro, é preciso aprender o processo de leitura. Isso é algo se faz através de raciocínio dedutivo. Se você for bom de charadas, possui a característica necessária para ser um bom leitor de mãos em no-limit.

Segundo, precisa prestar atenção. A leitura consiste na acumulação de informações. Quanto mais informações você juntar, melhor será sua leitura de mãos.

Por fim, precisa de experiência. Quanto mais mãos de no-limit você jogar, mais saberá o significado de cada informação que obtiver.

Se você quiser melhorar sua capacidade de leitura, nada substitui estes três fatores: é preciso aprender o processo, prestar atenção e adquirir experiência.



No início, você começa com todas as possíveis mãos do seu oponente. No instante em que as cartas são distribuídas, são duas cartas aleatórias. Depois, a cada nova informação, você delimita as possibilidades. Novas informações podem ser checks, calls, bets ou raises. Também podem ser tells ou “falinhas” do oponente. Você mantém uma lista mental de todas as mãos possíveis que são condizentes com cada ação que ele executou.

Eis como funciona: mesa $2-$5 em Las Vegas. Um jogador tight em posição intermediária abre raise de $20. Ele dá fold com a maioria de suas mãos de posição inicial, e frequentemente entra de limp com mãos marginais. Portanto, o open-raise sinaliza uma mão inicial forte. Ele pode ter um par de oitos ou melhor, duas cartas altas do mesmo naipe (AT ou KJ, por exemplo), ou talvez AK ou AQ de naipes diferentes.

Um jogador loose dá call. Em seguida, um jogador regular da mesa dá call do button, algo que ele faz com uma gama de mãos bastante ampla. O regular pode ter qualquer pocket pair, cartas do mesmo naipe até K5 ou J8, e mãos de naipes diferentes como T9 offsuit ou melhor. (Isso representa cerca de 30% de todas as mãos possíveis).

Ambos os blinds dão fold, e três jogadores veem o flop com um pote de $67.

O flop vem K 10 4. O jogador tight dá check, o seguinte também e o regular aposta $30 do button. O jogador tight dá call e o seguinte dá fold.

Vamos dar uma olhada no check do jogador tight. Ele deu raise pré-flop, mas depois deu check em um flop com rei como carta mais alta e um possível flush draw. Com uma mão como AK ou AA, a maioria dos jogadores apostaria nessa situação. É o natural a se fazer quando você acerta sua mão. Além do mais, muitos jogadores iriam temer os draws e querer proteger seus pares fortes, porém vulneráveis.

Mesmo um jogador tight também apostaria com um royal flush draw, como A Q ou Q J. Portanto, as mãos que fazem mais sentido para um raise pré-flop e depois um check no flop são bons pocket pairs que não acertaram o flop — QQ, JJ, 99 e 88 — e mãos com cartas altas que não formaram um top pair ou um flush draw — AQ, AJ, QJ, AT etc. Também não podemos descartar a possibilidade de ele ter flopado dois pares ou uma trinca e ter decidido dar check para induzir os oponentes a erro.



O jogador no button apostou. Alguém agressivo pode apostar aqui com praticamente qualquer coisa, em razão de os outros oponentes terem dado check. Mas digamos que você conheça esse jogador suficientemente bem para suspeitar que ele tenha conseguido pelo menos um draw ou um par. Ele pode apostar com 77 ou AJ, mas talvez não com 76 ou A2. O que ele pode ter? Ele pode ter qualquer pocket pair; qualquer rei (pelo menos até K5 do mesmo naipe, mais ou menos); T9 de naipes diferentes e T8 do mesmo naipe ou melhor; A4 ou 54 ou 64 do mesmo naipe; bem como AQ, AJ, QJ, Q9, J9 ou um draw de paus.

São muitas possibilidades. Precisamos levar em conta muitas mãos plausíveis, pois ainda não temos tantas informações sobre o button. Ele deu call pré-flop em uma situação na qual as pessoas fazem isso com muitas mãos. Depois, apostou no flop em uma situação na qual as pessoas fazem isso com muitas mãos.

O jogador tight dá call no flop. A maioria das mãos com que ele jogaria pré-flop se conecta com esse flop, então o call dele não nos diz muito. Ele pode fazer isso até mesmo com 88 ou AQ.

Nós temos mais informações sobre o raiser pré-flop. Essa ação restringiu bastante suas mãos, e o check no flop foi inesperado, amarrando ainda mais as possíveis mãos dele.

O turn foi o 3, completando um eventual flush draw. Ambos os jogadores deram check. Isso não nos diz muito sobre a gama do tight. Não havia muitas quedas para flush na gama dele, então essa carta provavelmente o assustou.

O check do que apostou do flop nos diz um pouco mais. Com uma mão como uma trinca ou dois pares, ele provavelmente teria apostado no turn apesar da carta de paus. E embora ele possa ter dado check com um flush, poderia ter apostado também, o que tornaria o flush menos provável de certo modo. Portanto, é mais provável que ele tenha as mãos mais fracas de sua gama, ou seja, pares e straight draws.

O river foi o A, deixando o bordo final com K 10 4 3 A. O jogador tight deu check novamente. O button apostou $100 no pote de $127.
O jogador tight confirma com seu check que ele não tem uma mão forte. Poucas pessoas dariam check duas vezes com dois pares ou algo melhor. Ele pode ter um pocket pair não melhorado, ou talvez tenha acertado um par de ases no river com AQ ou AJ. Mãos como KJ e AT não são totalmente consistentes, mas ainda são possibilidades.



O button estaria blefando? É pouco provável. Ele deve ter acertado um par ou um draw no flop e por isso apostou. No turn e no river, apareceram tanto o flush quanto o straight draws. As únicas mãos consistentes que não têm um par ou melhor no river são Q9 e J9, e a maioria dos jogadores não arriscaria um blefe em um bordo como esse. Com um ou dois pares, ele provavelmente teria dado check ou apostado menos. O valor alto sugere que ele pode ter QJ ou um flush com o qual deu check no turn.

Diante dessa análise, comparando as mãos possíveis do jogador tight com as do button, é quase certo que o tight dê fold.

O processo de leitura de mãos pode parecer um pouco complicado agora, mas com prática ele se torna quase instintivo.





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EDIÇÃO 49

Ano 5 - agosto, 2011

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