EDIÇÃO 48 » COLUNA INTERNACIONAL

Erros Óbvios

Por que acontecem e como evitá-los


John Vorhaus

Tem um filme com Drew Barrymore, chamado Riding In Cars With Boys (Os Garotos da Minha Vida, EUA, 2001), sobre uma garota de 15 anos que, em 1965, conhece o cara errado na hora errada, engravida e sua vida muda completamente por causa disso. De certo modo, é uma história de triunfo sobre a adversidade. Por outro lado, é uma advertência para não cometermos erros óbvios. É essa segunda interpretação que eu quero agarrar pelo pescoço e trazer para o nosso mundo, o mundo do poker, pois ultimamente me parece que uma falha que muitos de nós compartilhamos é a total incapacidade de evitar os erros mais óbvios. Nesta coluna, eu listarei alguns desses erros, falarei por que eles acontecem e discutirei formas de evitá-los.

Jogar Com Pares Baixos Fora de Posição

Esse é um erro muito bom para começarmos, pois é bastante fácil de ser evitado. Você recebe um par de dois no UTG e entra de limp. Você espera começar uma avalanche de limpers e ter as odds adequadas para tentar uma trinca. Bem, como elas são de 7,5-para-1 contra, é pouco provável que você consiga o preço certo para sua mão especulativa, exceto nas mesas mais loose e passivas. Muitas pessoas darão fold, hipótese na qual você estará pagando um preço baixo por uma expectativa negativa. No entanto, alguém pode dar raise, caso em que você pagará um preço muito maior pelo mesmo produto, ou dará fold e perderá uma aposta que poderia ter economizado simplesmente não jogando a mão. Veja bem, todo mundo adora acertar uma trinca no flop e todo mundo acredita que dessa vez vai acontecer com certeza. Mas quando você está em posição inicial, na maioria das vezes esse call só lhe força a cálculos ruins. Economize fichas, poupe-se da dor de cabeça, evite esse perigo óbvio: simplesmente dê fold.




Fazer Qualquer Outra Coisa Fora de Posição

Eu não conheço maior verdade no poker do que tudo é mais difícil fora de posição. É mais difícil blefar, é mais difícil controlar o tamanho do pote, é mais difícil conseguir o preço certo para draws, é mais difícil proteger mãos fortes, é mais difícil saber onde seus oponentes estão na mão, e por aí vai. E mesmo assim – o dia todo, todo dia – vemos as pessoas darem os calls mais promíscuos e os raises mais audaciosos de posição inicial. O que elas estão pensando? Que seu 9-8 suited irá flopar um straight ou um flush? Que seu A-Q nos blinds vale pagar um raise e um reraise porque os outros dois caras são mentirosos? Que sua vantagem em termos de habilidade é tão grande a ponto de superar a desvantagem de posição? Bem, não é. Mike Caro uma vez disse: “Todos têm sua vez de cometer erros no poker. O truque é simplesmente deixar sua vez passar”. Do mesmo modo, todos têm sua vez de jogar fora de posição. Por que não deixar sua vez passar? Se você estiver em um bom jogo, ficará bem simplesmente esperando para jogar mãos em posição. E se não estiver, jogar fora de posição se torna geometricamente pior.





Blefar Contra Todo Mundo

Com três ou quarto jogadores no pote, você encara um bordo com A-K-3 e pensa: “Se eu apostar, talvez possa fazer eles darem fold”. Isso é improvável, pois com que mãos a maioria dos jogadores joga? Com aquelas que contêm ases e reis. Será que é realista pensar que as seis ou oito cartas que você está enfrentando não são nem ases nem reis? Obviamente, há vezes em que você pode fazer tais mãos darem fold, mas geralmente, nessa situação, você está nadando contra a corrente. Blefar é ótimo, adoramos fazer isso, mas guarde seus blefes para quando estiver enfrentando apenas um oponente. Suas chances de blefar com sucesso são inversamente proporcionais ao número de jogadores no pote. Portanto, não blefe contra uma multidão. Isso não funciona com frequência o suficiente para ser lucrativo.



Ignorar Tells Óbvias

Eu sou muito culpado aqui. Estou sentado em posição intermediária com, digamos, K-J. Olho para minha esquerda antes de falar (como devemos fazer sempre) e vejo um cara enchendo as mãos de fichas. Eu sei por experiência que essa é uma tell verdadeira, e que, para todos os efeitos, essas fichas do raise já estão no pote. Bem, isso quer dizer que, se eu me envolver aqui, terei que jogar em um pote com um raise fora de posição contra alguém que já telegrafou sua força. Que tipo de mão ele tem? Provavelmente um pocket pair ou algo com um ás, e ambas estão à frente – talvez dominando – meu KJ. Ainda assim eu pago, ou talvez até aumente antes dele (ficando suscetível a um desastroso reraise), só porque decidi me envolver com a mão antes de receber a notícia da intenção dele de dar raise. Eu sempre digo: “Tome a decisão o mais tarde possível, baseado nas melhores informações disponíveis”. Agora adicionarei isso: “Não ignore as informações que receber!” Confie em mim, eu estou tentando me convencer tanto quanto a você.




Aceitar o Preço Errado

Você tem um flush draw. Um jogador agressivo faz uma aposta do tamanho do pote no flop. A matemática diz que você não tem o preço certo para pagar. Mas, vislumbrando as implied odds, você paga mesmo assim, torcendo para completar sua queda no turn e derrotar seu adversário. Eu vejo uma coisa ruim e outra ainda pior acontecendo aqui. A ruim acontece quando o draw bate e seu adversário não paga. Bem, por que deveria pagar? Ele vê o flush tão claramente quanto você. Diga adeus às implied odds. Já a coisa pior acontece quando sua queda não bate e você se depara com outra aposta do tamanho do pote no turn. Agora, sua escolha é entre abandonar seu investimento irresponsável e continuar desperdiçando dinheiro com cálculos ruins. Veja bem, é fácil calcular as odds das suas cartas e compará-las às suas pot odds (as verdadeiras, não as odds implícitas ou imaginárias). É tão simples que até eu sei fazer isso, e eu sou um idiota quanto o assunto é matemática. Então respire fundo. Esmiúce os números. Filtre os resultados através de análises objetivas, não de esperanças. Chegue às conclusões corretas e não tente o draw pagando o preço errado. Esse é outro desastre que você pode evitar simplesmente mantendo seus olhos abertos e pensando além.

Isso é somente a ponta do iceberg dos erros óbvios que podemos, e devemos, evitar. Talvez você deva tirar um tempo para pensar a respeito de alguns dos seus obstáculos e fazer uma anotação mental para nunca mais cometer os mesmos equívocos. Se evitarmos fazer coisas idiotas, certamente triunfaremos.




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EDIÇÃO 48

Ano 4 - Julho, 2011

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