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CAIO PESSAGNO - O novo rei do pedaço

Como a grande maioria das pessoas, ele teve seu primeiro contato com o poker através de programas de televisão. Depois vieram os home games com os amigos. Até a profissionalização, foi preciso muito esforço, dedicação e mais de 20 mil mãos jogadas na internet. E com os resultados do ano passado, ele ganhou o prêmio de Jogador do Ano da CardPlayer Brasil. Conheça melhor a vida e a carreira de Caio Pessagno, menino prodígio do poker nacional.


Gabriel Rubinsteinn

Como a grande maioria das pessoas, ele teve seu primeiro contato com o poker através de programas de televisão. Depois vieram os home games com os amigos. Até a profissionalização, foi preciso muito esforço, dedicação e mais de 20 mil mãos jogadas na internet. E com os resultados do ano passado, ele ganhou o prêmio de Jogador do Ano da CardPlayer Brasil. Conheça melhor a vida e a carreira de Caio Pessagno, menino prodígio do poker nacional.

GR: O que você fazia antes de jogar poker? E se não jogasse poker, como imagina que seria sua vida hoje?
CP: Eu sempre tive uma boa condição de vida, estudei nos bons colégios daqui de São Paulo, sempre tive uma família muito presente etc. Tudo isso me deu base e estrutura para tomar decisões com humildade, sempre disposto a reconhecer erros e tentar consertá-los da maneira mais prática e inteligente possível. Abri três negócios antes de conhecer o poker online, empreendimentos bem interessantes, mas nada que tenha me empolgado e me incentivado a continuar. Estudei Administração por dois anos, até decidir trancar em 2010. A rotina do poker me exigia muito, e eu sabia que precisaria investir 100% do meu tempo no jogo para tentar atingir metas expressivas. Acho que, sem o poker, minha vida não seria muito diferente: estaria em outra área, trabalhando com a mesma seriedade e racionalidade. Acredito que isso seja fundamental para o sucesso em qualquer segmento.

GR: Seus pais lhe apoiaram quando você decidiu se profissionalizar?
CP: Meu pai é uma pessoa tradicional, com valores de outras gerações, e obviamente sempre foi contra. Esperava que eu trabalhasse com ele, ou engravatado em algum banco ou grande empresa. Sempre me cobrou muito pelos estudos, e hoje vejo que ele estava coberto de razão. Eu não enxergava na época, me sentia injustiçado pela cobrança extrema, o que me deu muita força justamente para provar o contrário. E eu só tenho que agradecer por tudo que ele me ensinou e cobrou esse tempo todo. Tenho muita admiração por ele, por seu caráter e dignidade.

GR: Como você define seu estilo de jogo?
CP: Gosto de jogar muitas mãos, muito para frente. Para isso, é preciso ter controle absoluto de seu stack, não desperdiçar fichas. Saber controlá-las é fundamental no desenvolvimento do torneio, e acredito que essa seja uma das minhas melhores qualidades. Como a maioria dos jogadores de poker, minha dificuldade é manter a linha de raciocínio estável, nem muito baixa nem muito confiante. Falando assim pode parecer simples, mas é um dos maiores obstáculos enfrentados pelos jogadores.

GR: Como é o seu dia de trabalho? Você faz alguma preparação especial antes das sessões de poker? Quantas horas você joga por dia?
CP: Acordo tarde, quase sempre às 13 horas, então faço uma hora de musculação ou algum outro esporte. Só depois me sinto preparado para encarar uma sessão, que geralmente dura umas 15 horas, com média de 80 a 90 torneios dia, diluídos entre 12 e 18 mesas simultâneas. Acredito que é muito importante cuidar da saúde e do corpo, pois isso tem influencia direta no jogo. Autoestima baixa e desânimo sem dúvida prejudicam o desempenho.

GR: Você planeja com antecedência o que vai jogar? Faz uma programação?
CP: Eu sei o horário de praticamente todos os torneios regulares do PokerStars e do Full Tilt. Então, dependendo da hora, já sei automaticamente o que e por quanto tempo poderei jogar. E, também, no que vou investir.

GR: Você estuda poker?
CP: A prática com consciência, análise de mãos após as sessões, é uma forma de se estudar o jogo. É o que faço. Sempre estudei e discuti mãos com meu primo e parceiro Leo Brescia e, quando estou sozinho, essa atividade fica praticamente automática.

GR: Sit ’n go ou Multi-Table Tournament? Por quê?
CP: Os sit ’n gos são uma base fundamental para quem quer jogar MTTs. A essência do jogo é a mesma, porém em proporções menores. Ser um regular de sit ’n go lhe dá base para poder aplicar essa noção em larga escala nos MTTs. Obviamente, isso não vai acontecer do dia para a noite, mas a evolução é certa no longo prazo, com uma amostragem considerável de jogos. Gosto dos dois.

GR: Por que você não joga os torneios major da internet?
CP: O único desses grandes torneios que eu jogo é o Sunday Million, do PokerStars. O que eu não jogo são os que têm buy-in de mais de US$ 500. Ainda considero esses buy-ins muito caros. Paga-se muito para, de repente, pegar um cooler na reta final, ficar chorando tiltado e ainda prejudicar toda a reta e o investimento por causa de um prêmio monstro que ficou no “quase”. Além disso, normalmente é necessário jogar muito mais do que uma vez para conquistar esses torneios, o que os transforma em um investimento perigosamente alto.

GR: Como se sente como o Jogador do Ano 2010 no Brasil?
CP: Sinto uma emoção muito grande. É realmente um sonho estar em destaque diante de tantos grandes jogadores e talentos do Brasil. Espero poder honrar esse título agora em 2011.

GR: Esse foi o melhor ano da sua carreira até aqui?
CP: Com certeza! Mas, oficialmente, foi também o primeiro. 2010 foi o ano em que decidi, junto ao meu pai, trancar a faculdade e cair de cabeça, dedicando 100% do meu tempo ao poker. Com uma amostragem muito grande de mãos jogadas, experiência em várias redes de jogo, retorno do investimento muito elevado e – o mais importante – regularidade, a tão temida variância era quase zero. Não me restavam mais dúvidas de que era o momento certo. Eu me dediquei ao extremo, sabia que era capaz de atingir resultados expressivos nesse período. E deu certo.

GR: Vencer o prêmio de Jogador do Ano 2010 da CardPlayer Brasil era um objetivo ou foi uma consequência?
CP: Consequência total, quase fiquei sem mandar resultados esse ano. Muitas pessoas me falaram para enviar, pois o ranking me ajudaria no reconhecimento, o que é muito importante para conseguir patrocínios, que vejo como benefícios muito grandes na carreira de qualquer jogador de poker. Poder jogar o circuito live, sem pressão financeira e de tempo, sem dúvidas é um diferencial inestimável para qualquer um.

GR: Foi difícil manter o volume e o alto nível de jogo para vencer o prêmio de Jogador do Ano 2010?
CP: Foi difícil, sem dúvidas. Competir profissionalmente é uma rotina estressante, requer muito tempo de preparação e dedicação extrema, para poder suportar a pressão e não pecar no lado emocional.

GR: Acha que pode ser bicampeão do ranking da CardPlayer Brasil, repetindo o feito do outro Caio, o Pimenta?
CP: Em fevereiro voltei ao meu ritmo normal, tentando aumentar ainda mais meu volume de jogo, pois também quero brigar pelo Tournament Leader Board (TLB) do PokerStars. Em 2010 fiquei em décimo, mas os prêmios vão só até o terceiro. E eles são muito bons, compensam demais o esforço. Quanto ao bicampeonato, posso dizer que espero mais uma vez disputar a ponta da tabela e competir de maneira saudável e amistosa com meus parceiros brasileiros que também trabalham pesado todos os dias.

GR: Por que você não joga torneios live frequentemente?
CP: Como gosto de trabalhar em alta rotatividade, jogo muitas mesas, e torneios live não são dos mais ágeis. Só teria mais paciência diante de buy-ins mais caros, o que já os torna totalmente inviáveis para mim, por causa do alto custo de se jogar o circuito todo e poder exigir um resultado mais expressivo.

GR: Já fez coaching? Já treinou alguém? Foi treinado por alguém? O que acha dessa atividade?
CP: Acho um assunto muito delicado. É preciso muita cautela das duas partes, tanto do aluno quanto do professor. Expectativas são colocadas diante de nenhum fato concreto, o que pode causar um efeito reverso no aluno, justamente pelo não cumprimento da meta e do objetivo, colocando-o numa situação de dúvida em relação ao seu jogo e atrasando completamente sua evolução natural.

GR: Casa ou balada? Gosta de gastar ou de economizar? Já se arrependeu de algo que fez com dinheiro do poker?
CP: Vivo muito bem, sempre vivi e não seria agora que eu mudaria. Mas como trabalho muito, não tenho muito tempo para festas e baladas. Com certeza já exagerei em uma festa ou outra, mas tudo isso só depois de ter atingido as metas e nunca colocando meu bankroll além do limite, pois a consequência todos sabem qual é. Procuro ter muita cautela para não me perder na tentação.

GR: Quais seus planos para o futuro próximo?
CP: Ainda está tudo muito corrido, estou analisando algumas propostas interessantes,trabalhando no meu blog (www.caiopessagno.blog.br) e em breve lançando meu site oficial. Está dando muito trabalho, mas acho que o pessoal vai gostar.




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Ano 4 - fevereiro, 2011

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