EDIÇÃO 43 » ESPECIAIS

LAPT São Paulo


Marcelo Souza

A cidade de São Paulo e o Poker Stars têm pelo menos um ponto em comum: são superlativos. Junte a grandiosidade de uma das principais metrópoles do mundo com a força de um site que abriga 300 mil jogadores conectados ao mesmo tempo, e o resultado não pode ser outro senão o maior torneio de poker já realizado no Brasil.

A maior etapa, na maior sede. Essa era o sentimento geral com relação à abertura da 4ª temporada do Latin American Poker Tour. E o evento realizado no World Trade Center do Sheraton Hotel foi “sem surpresa”: quebrou recordes de field e de premiação, com 536 jogadores no Evento Principal e mais de 2 milhões de reais de premiação.

O Dia 1 foi animador para a torcida verde e amarela. Entre os 325 brasileiros inscritos, que correspondiam a mais de 60% do field, estava a elite do poker nacional. Os Team Pros brasileiros Alexandre Gomes, André Akkari, Gualter Salles e Maridu estavam presentes, claro. O apresentador Otávio Mesquita, que chegou bem perto da faixa de premiação, bem como o piloto Thiago Camilo, também eram atrações do field. Só para listar todas as feras, seriam necessárias algumas páginas.

Apenas 167 passaram o dia seguinte, com 96 brasileiros na briga. A expectativa pelo primeiro título era enorme, apesar de o chip leader ser o argentino Leandro “Peluca” Csome.

A bolha estourou no Dia 2, com 65 jogadores premiados. Infelizmente, o bubble man foi do Brasil. Diego “Vilelinha” Vilela estava short-stacked quando empurrou all-in do button com AJ e recebeu call de Rodrigo Garrido, que tinha QQ. Fim da linha para o carioca e muita vibração no salão. O torneio continuou até restarem apenas 24 jogadores, com sólida liderança do chileno Alex Manzano.

O Dia 3 começou com 23 jogadores. E uma jogadora: Daniela Zapiello, única mulher ainda viva no torneio. Com 12 brasileiros na disputa, o otimismo no salão era grande, e a ação só seria interrompida quando a mesa final de oito jogadores fosse formada.

Depois de uma sequência de eliminações brasileiras que incluiu Dani Zapiello (22ª), Rodrigo Garrido (18º) e Caio Brites (13º), parecia que um de nossos representantes mais fortes também deixaria a competição. Na mesa da TV, João Bauer se envolvera em um all-in pré-flop com Leandro Csome, e seu AJ precisaria melhorar para derrotar o par de damas do argentino. Pois bem, o turn e o river trouxeram dois valetes, e a torcida foi ao delírio.

O dia só não terminou de maneira perfeita porque o nono colocado e bolha da FT foi um brasileiro. Fábio Colognese pagou o all-in de Bruno Foster, que acabou acertando um flush e deixou Colonese com apenas um blind. Logo depois ele foi eliminado, e a mesa final estava formada.

A liderança estava nas mãos de Leandro Csome, que certamente seria o alvo dos cinco brasileiros que carregavam a responsabilidade de trazer o primeiro título do LAPT para o Brasil.

MESA FINAL
8º Lugar – Bruno Foster (R$ 45.440)
Alex Manzano abriu raise com A K. Bruno Foster voltou all-in do button com 10 10. O flop trouxe 4 K Q e deixou Foster com apenas um out, que acabou não batendo.

7º Lugar – Henrique Bernardes (R$ 69.350)
Com poucas fichas, o brasileiro foi all-in com J Q. Recebeu call de Alex Manzano com A K. O bordo final não trouxe nada que ajudasse Henrique. Fim da linha para ele.

6º Lugar – Santiago Nadal, México (R$ 93.270)
A mesa rodou em fold até Santiago, que estava short stacked. Ele foi de all-in com A J, mas Leandro Csome tinha K K. O par segurou e Nadal deu adeus à mesa final.

5º Leandro Csome, Argentina (R$ 117.190)
João Bauer abriu raise e Csome, quase sem fichas, foi all-in com K 5. Bauer tinha 9 9. Nenhum rei apareceu e o último hermano do LAPT foi eliminado.

4º Márcio “Kamikaze” Motta (R$ 165.000)
João Bauer abriu raise com 6 6 e Kamikaze, com poucas fichas, foi all-in segurando A T. O carioca ainda conseguiu um flush draw no turn, mas um 2 no river deu a vitória a João.

3º Marcelo Fonseca (R$ 224.800)
Com menos de três blinds, Marcelo empurrou all-in com A K. João e Alex pagaram. O chileno, que tinha 10 8, acertou um dez no flop. Estava definido o heads-up do LAPT São Paulo.

2º João Bauer (R$ 352.760)
Alex Manzano abriu raise para 270.000 do button. João Bauer pagou. O flop veio 3 2 2. O brasileiro deu check e Manzano apostou 275.000. João pagou. O turn foi o 7. Novamente, check de João Bauer e nova aposta do chileno, que disparou mais 615.000. O river foi o 4. O goiano pediu mesa, mas Alex Manzano foi all-in. Depois de vários minutos pensando, o brasileiro pagou. Alex Manzano mostrou 5 6 para o nut straight. João tinha A 8.

Representando o Brasil na mesa final, cinco jogadores experientes – o cenário para o título inédito era o melhor possível. O favorito da torcida era João Bauer, campeão goiano de 2009 e do Evento #3 do WCOOP 2010.

Mas o homem a ser batido era Leandro Csome, que entrara como chip leader. E logo de cara ele mostrou serviço: puxou os cinco primeiros potes da FT e ultrapassou a marca de 3 milhões de fichas. Mas quanto maior o tamanho, maior o tombo.  Sua queda foi trágica como um legítimo tango: uma mão atrás da outra, as pancadas se sucediam. Foster, Bauer e Fonseca, todos lhe aplicaram golpes duros. Tinha ficado claro que o argentino Leandro “Peluca” Csome não conseguiria mais nada.

Com a mesa reduzida a três jogadores, João Bauer tinha mais de 50% das fichas em jogo. Só que um pote perdido contra Alex Manzano fez a liderança trocar de mãos.

E o embate que definiu o heads-up foi entre dois brasileiros. Em um coin flip, o 3-3 de Bauer foi valente contra o A-K de Marcelo Fonseca, que cairia na mão seguinte.

O HU começou com uma vantagem de quase 2-1 em fichas em favor do chileno. Apesar da torcida maciça, João não conseguiu reverter a situação. Após um call com ace-high valendo sua vida no torneio, em vez de um silêncio ensurdecedor, o que se ouviu foram muitas palmas: João Bauer perdera o torneio, mas conquistou um resultado fantástico no maior LAPT da história.

Com uma estrutura de padrão internacional, a etapa de São Paulo do LAPT só não foi perfeita porque deixamos escapar o título mais uma vez. O tabu continua, mas uma hora vai bater.

 




MINEIRO PÕE FIM AO SONHO DO TRICAMPEONATO DE “NACHO” BARBERO, MAS DEPOIS COLOCA TÍTULO “NO COLO” DE ALEX MANZANO
Uma das histórias mais curiosas desse LAPT foi a do setelagoano João Luis Torsan. Em seu primeiro evento internacional, ele foi do céu ao inferno no Dia 2. Com blinds em 1K-2K-200, ele estava sentado à mesma mesa em que se encontrava o maior astro argentino do poker, o bicampeão do LAPT Jose Ignacio “Nacho”  Barbero. Os dois vinham se estranhando bastante, com o hermano entrando em todos os potes abertos por João. Mas isso não duraria muito. Do botão, João abriu raise para 5.100 e Nacho respondeu do small blind com uma 3-bet para 15.000. João pagou. O flop veio 2s6sKs e os dois jogadores pediram mesa. O turn trouxe um 7d e Nacho saiu apostando 15.000. O brasileiro deu mini-raise para 30.000. Depois de pensar um pouco, Nacho empurrou suas 50 mil fichas restantes para o centro da mesa e, quando viu o mineiro dar insta-call, já se levantou sem esperanças. João Luis apresentou As4s para o nut flush, Nacho tentou dar muck em suas cartas, mas foi obrigado a revelar seu 9h6h. A mesa ovacionou o jogador de Minas como um herói. E o argentino? Bem, esse não vai querer ver um brasileiro na sua frente tão cedo.

Infelizmente, a alegria de João Luis só durou até o final do dia. Quando restavam 26 jogadores, ele tinha um stack bem acima da média (cerca de 600 mil) e, na sua mesa, estava atrás apenas do chileno Alex Manzano, que possuía 1.200.000 fichas. Com os blinds em 5K-10K-1K, o chileno subiu do UTG para 25K. João, do botão, tribetou Manzano pela terceira vez seguida. Foi o bastante para o chileno estourar all-in de mais de um milhão com 44. O mineiro, com KK, demorou um pouco para pagar – ainda não havia caído a ficha. Quando Daniela Zapiello anunciou que havia descartado um 4, só um desastre tiraria o pote e a liderança de João, desastre que já veio estampado na primeira carta do flop, um 4. Fim do sonho para João Torsan que, mais tarde, veria seu algoz Alex Manzano levantar a taça do LAPT.



Fala Odilon

Odilon Machuca, da Overbet Eventos, é um dos responsáveis pelo sucesso do LAPT São Paulo. Conseguimos conversar com ele em meio à correria do evento. Confira.

 

MS: Odilon, certamente não deve ser fácil organizar um torneio dessa magnitude, ainda mais em se tratando de um circuito do PokerStars, cujo padrão de qualidade é internacionalmente conhecido. Como surgiu essa aproximação da Overbet Eventos com o PokerStars?

OM: Na verdade, foi uma questão de estar no lugar certo, na hora certa. Há mais ou menos dois anos, quando criamos a Overbet Eventos, eu estava em uma viagem e encontrei o Alexandre Gomes, grande amigo meu, que sempre jogou nossos torneios em Floripa. Ele me apresentou ao pessoal do PokerStars ainda em 2009 e, depois de muitas conversas, negociações e um LAPT bem sucedido em Floripa, estamos aqui hoje.

MS: O local da Grande Final desta temporada do LAPT ainda está em aberto. Com o sucesso do evento de São Paulo, há chances de o encerramento ser realizado também aqui no Brasil?

OM: David Carrión, presidente do LAPT, disse que, se tudo corresse bem aqui em São Paulo, o Brasil teria chance de sediar também a Grande Final. Depois do sucesso dessa etapa, em que quebramos todos os recordes do circuito, acho que essa chance aumentou. É esperar para ver.

 




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