EDIÇÃO 33 » COLUNA INTERNACIONAL

J-10 Suited

Uma mão perigosa


Roy Cooke

Muitos jogadores me dizem que J-10 é sua mão preferida. Bem, é melhor do que 6-9 suited, que eu também escuto muito — além de ser um coinflip contra um par de oitos, que muitos jogadores gostam porque há oito letras em good luck. Eu tenho uma mão favorita também: par de ases. E uma segunda mão favorita: par de reis. J-10 suited sequer está no meu top 10!

É, eu sei que J-10 suited forma quatro nut straights, o que dá valor em várias situações nas quais geralmente é preciso mais do que um par para levar o pote. Mas as aparências normalmente enganam. Muitos jogadores ignoram o fato de que o que compõe essas várias situações são os muitos jogadores que usam mãos suited. E a probabilidade de o flush draw com o valete como carta mais alta se deparar com o do ás, rei ou dama desvaloriza muito a mão. Quando você coloca apostas com uma queda morta para um flush, é preciso muitas possibilidades sobrepostas para compensar essa drástica perda de expectativa.

Além disso, J-10 geralmente tem “problema de kicker”, que é uma situação na qual você não quer se encontrar. Não estou dizendo que dou fold na mão, mas que dou a ela menos valor do que a maioria dos jogadores.

Eu estava jogando numa $30-$60 nine-handed de limit hold’em, mesa loose e em sua maior parte passiva, no Bellagio em Las Vegas. Esse é meu tipo de jogo favorito, pois posso jogar muitas mãos e ainda sou capaz de manipular situações. Dois jogadores entraram de limp na minha frente, e eu dei call da posição seis com J 10. Um jogador deu call atrás de mim e o button, um advogado local chamado Joe, deu raise. Ambos os blinds pagaram meu aumento, inclusive PJ, uma jogadora local no big blind, assim como o resto do field. Sete de nós vimos o flop por $60.

O flop veio K Q 6, me dando duas pontas para a sequência, mas com um flush draw presente. Quando se tem uma queda para uma sequência com um flush draw presente, você deve ajustar seu preço ao fato de duas das cartas de sua sequência montarem o flush. Além do mais, você pode acertar seu straight no turn e ainda assim perder para um flush no river, ou o flush pode vir no turn, deixando-lhe na duvida sobre se você tem chances de ganhar. Um flush draw presente torna complicado o preço do seu straight draw.

Como o bordo estava alto, a probabilidade de a gama de raise de Joe ter acertado o flop era grande. A mesa rodou em check até mim e eu pedi mesa também, sem querer tomar a iniciativa e ver Joe aumentar, fazendo com que outros jogadores dessem fold e diminuísse o preço de um draw que já era bastante instável. Joe atirou e, sem receber muito respeito, foi pago por todo o field, inclusive eu.

A carta do turn foi a Q, virando um par no bordo e me dando um flush draw. PJ disparou uma aposta. Eu tinha plena certeza de que ela estava com uma trinca de damas. Dois jogadores deram call e, com mais de $800 no pote, eu também dei call, recebendo pote odds de mais de 13-1. Eu não estava seguro sobre quantos outs eu tinha, mas achava que valia o risco, pois PJ provavelmente teria dado raise no flop com quaisquer dois pares ou trincas. Meu risco aumentou muito quando Joe deu raise do button. PJ pagou, assim como um dos outros callers.

Agora eu tinha odds de cerca de 1.100-60 para o call. Se Joe tivesse K-K, K-Q (se PJ tivesse uma dama, impediria o four de damas), ou a pequena possibilidade de 6-6 (era menos provável que ele tivesse dado raise pré-flop com essa mão), eu teria uma queda morta. Se ele segurasse A-Q, tiraria quatro outs. PJ também tinha um kicker para acertar, e eu achei provável que o outro caller tivesse um draw de paus. Eu paguei os $60 extra, sabendo que meu preço estava muito condensado, mas acreditando que o pote era grande o bastante para compensar o risco.

O river foi o A; eu acertei tudo, tanto o straight quanto o flush, mas não estava apaixonado pela minha mão. Se Joe tivesse A-Q, eu estava derrotado. PJ deu check, o jogador entre nós descartou bruscamente sua mão e eu dei check antes de Joe, que atirou $60. PJ deu call, e chegou a minha vez. Intuitivamente, eu não gostava nem um pouco da minha mão. Pensei a respeito das gamas de mãos plausíveis de Joe e vi que não derrotava muitas; ele olhava para o pote com um sorriso nos lábios, e provavelmente tinha motivo para estar feliz. Eu tinha plena certeza de que estava derrotado, mas o pote era enorme, me dando mais de 20-1. Ele poderia ter uma mão como Q-J suited? Q-10 suited? Eu joguei $60 e Joe, ainda sorrindo, revelou A-Q, um full house.

Essa mão fala sobre correr riscos quando você sabe que tem draws fracos ou talvez até quedas mortas. Você deve ajustar seu preço com base na leitura da probabilidade de você montar sua mão e perder. E eu sei que, se li a situação corretamente e analisei minhas odds também de forma acertada, joguei minha mão bem, e isso é tudo que posso exigir de mim.

A coluna do profissional de poker de longa data Roy Cooke aparece na Card Player desde 1992. Ele é também um bem sucedido corretor de imóveis desde 1990, e seu website é www.roycooke.com.




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EDIÇÃO 33

Ano 3 - abril, 2010

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