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Floripa Open - Um evento de encher os olhos

Com buy-in de baixo custo, organização eficiente e jogadores sedentos por ação, a 10ª edição do Floripa Open surpreende e desponta como um dos eventos de poker mais importantes do país.


Bruno Nóbrega de Sousa

Confesso que fiquei surpreso com o que vi em Florianópolis. Fui à capital catarinense a convite do Odilon Machuca e do pessoal da Overbet, pensando que iria cobrir um evento pequeno, feito mais “no peito e na raça” do que qualquer outra coisa. Qual o quê... O Floripa Open é, certamente, um dos eventos de maior relevância no cenário nacional.

Quem conhece a realidade dos torneios por aqui, sabe que não é fácil organizar um field de mais de 300 jogadores – ainda mais quando há rebuys e add-ons. Se o valor da entrada for acessível, então, a chance de o evento tornar-se caótico é real. Pois bem, o Floripa Open reunia todas essas características, mas foi um primor, um evento de encher os olhos.

O buy-in de apenas cem reais é um atrativo e tanto, sobretudo para aqueles que estão dando os primeiros passos no Texas Hold’em.  Entretanto, mesmo sendo um “torneio de formação”, nos dizeres do próprio Odilon, o que pude presenciar no Hotel Torres da Cachoeira, nos dias 27 e 28 de março, é representativo de um mercado – mais do que isso, de uma nação – em que o poker está em franca ascensão: ao todo, foram 307 buy-ins, 332 rebuys e 222 add-ons, gerando uma premiação total superior a 65 mil reais.

Outro ponto positivo são os blinds, subindo a cada 40 minutos e permitindo um jogo sem pressa. Essa, aliás, talvez seja uma das maiores virtudes do Floripa Open: aliar o baixo custo da entrada à possibilidade de um poker bem jogado.

Coroando o sucesso do evento, houve a participação de figuras ilustres como Alexandre Gomes e Leandro “Amarula”. A propósito, levando em conta que apenas a partir da próxima edição todas as mesas terão dealers, foi no mínimo curioso ver o único brasileiro detentor de braceletes da WSOP e do WPT dando cartas. (Até onde eu sei, ninguém reclamou desse dealer).

Pena que Alexandre tenha sido eliminado logo no quinto nível de blinds – o primeiro depois do período de rebuy e add-on. Ele, que chegou a ser chip leader no nível anterior, envolveu-se num pote contra Marcelinho, no qual todas as fichas foram para o centro da mesa. Alexandre acertou dois pares no flop, mas Marcelinho completou um straight e decretou o fim da linha para nosso campeão mundial. Como prêmio pela eliminação do Team Pro, Marcelinho recebeu uma camisa do PokerStars.

Passada a euforia do Dia 1, o segundo e decisivo dia de torneio começou com 59 jogadores. Enquanto isso, os que haviam sido eliminados podiam participar do tradicional Second Chance ou do emergente torneio de Omaha, modalidade que vem crescendo rapidamente ao redor do mundo. Falando nisso, outro detalhe interessante foi a participação de três jogadores suecos e um inglês, dando um ar “internacional” ao field. O problema é que nenhum deles aguentou a pressão dos brazucas por muito tempo, e se despediram do torneio logo.

Com a zona de premiação se iniciando a partir da 30ª colocação, a ação no Dia 2 começou furiosa, mas a proximidade da bolha fez os jogadores ficarem naturalmente mais travados. E o título de “bubble boy” ficou com Eduardo, que foi all-in de posição final com T Q e bateu de frente com João Farias, que segurava K K no big blind e, claro, deu insta-call. O bordo trouxe A 9 Q 7 8 e decretou o estouro da bolha.

Depois disso, as eliminações se sucederam rapidamente, até que a mesa final fosse formada. Na mão que definiu os finalistas, Sérgio empurra all-in do UTG com par de cincos, e Pio dá call do big blind com ás-valete. O bordo final ainda teve dois pares virados, 4-4 e T-T, mas o parzinho guerreiro segurou e mandou Pio de volta para Itapema.

A final table ficou assim:


A definição do 9º colocado veio numa bad beat: Rafael vai all-in do UTG com AK, mas Petrúcio paga do button, com AT. Um dez no turn elimina Rafael, que fica desconsolado. Em seguida caiu Felipe, que viu Ricardo acertar um flush com quatro cartas de espadas no bordo. Depois, foi a vez Fernando dar adeus ao torneio, ao perder um coinflip de par de seis contra ás-dama –bateu um ás, lógico.

Banzai, que havia liderado parte do torneio, empurrou a casa com AK, e o chip leader Sérgio deu call com AJ. Como ficha chama ficha, dois valetes bateram no bordo, para não deixar dúvidas. Banzai fica com a sexta colocação. Uma situação de par menor contra par maior definiu que Petrúcio deixaria o torneio em quinto lugar: 7-7 versus J-J. Sem surpresa.

Neste instante começa a brilhar a estrela de Chirú. Em outro confronto entre par de setes e par de valetes, as cartas mais altas do gaúcho falam mais alto e eliminam Ricardo Mansur na bolha do troféu. Na mão que definiu quem disputaria o heads-up decisivo, Chirú acerta uma trinca de noves e decreta a queda de Sander, que conquista uma honrosa terceira colocação.

No HU decisivo, Chirú entrou com uma vantagem difícil de ser revertida por Sérgio, que ainda chegou a dobrar seu stack. Na mão que definiu o torneio, o chip leader tinha QJ e Sérgio, K7. Mas o bordo veio caprichoso, com 4 9 6 8 T, dando uma sequência para Alessandro “Chirú”, que se sagrou campeão da 10ª edição do Floripa Open.

O grande vencedor do evento faz o tipo extrovertido, que gosta de conversar à mesa, provocar os adversários e dizer que tudo isso faz parte da estratégia de jogo. Morando há 14 anos em Balneário Camboriú, onde também organiza torneios, ele se diz um grande fã de um parzinho de dois. Segundo Chirú, “O dois é parceiro, é batedor”. E completa, sorridente: “Tive que largar um 2-2 hoje, mas mandei um all-in com K-2, e o small e o big tinham um dois na mão também, só que no river bateu um rei. Daí eu troquei para K-2, mas só hoje”.

Parabéns ao Alessandro “Chirú” pela bela vitória. E parabéns à Overbet Eventos, que, com a realização do Floripa Open, desenvolve um imprescindível trabalho de formação de novos jogadores, aliando preços acessíveis a uma organização de primeira, num torneio de primeira.

Obrigado Odilon, Ricardo, Jaison, Sandro, Schummi e companhia, pelo trabalho que vocês vêm desenvolvendo em prol do nosso esporte. O poker brasileiro agradece.




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EDIÇÃO 33

Ano 3 - abril, 2010

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