EDIÇÃO 22 » ESTRATÉGIAS E ANÁLISES

Bons Ventos no Velho Mundo


Thiago Decano

Conforme havia dito em meu último artigo, estou na Europa e já joguei os EPTs de San Remo e de Monte Carlo. Os dois torneios quebraram recorde de inscrições e de premiações. Estou muito feliz com meu jogo, e nesta edição e na próxima contarei um pouco sobre os três ITMs, sendo duas mesas finais e uma cravada que conquistei pelo antigo continente.

Começando pelo Main Event do EPT de San Remo, não consegui alavancar meu stack no primeiro dia. Estava numa mesa bem dura e passei para o segundo dia com 15.000 fichas, enquanto a média era de 24.000. No dia 2, consegui alavancar bem meu stack chegando a ter o dobro da média, mas uma bad beat sofrida e um coin flip me deixaram short justamente na hora da bolha. Assim, passei para o dia 3 com 40.000 fichas e fui me mantendo, até cair com AJ x AK, já na grana.

Rapidamente desci pelas escadas do Cassino Municipal de San Remo atrás de forra. As inscrições para o Second Chance estavam encerradas, mas mesmo assim, após uma hora e meia de fila, consegui me inscrever. E valeu a pena o esforço! Esse torneio tinha uma estrutura ainda melhor que o Main Event, já que o stack inicial era de 20.000 fichas e os blinds começavam em 25-50.
Contrariando um pouco meu último artigo, acabei me envolvendo em um pote gigantesco logo nas primeiras mãos:

UTG+1 sobe para 175, MP1 paga, e eu também dou call com JT no small blind. O pote tem 575 e o UTG+1 dá uma continuation bet de 425 num flop com AQ8. Pronto, arrumaram uma nota: eu tenho duas pontas e queda para Royal Straight Flush! O MP1 paga a aposta e eu faço tudo 1.350. O primeiro pensa bastante e paga. Já o segundo, paga rapidamente. O turn vem um 3 e eu saio apostando $3.500 num pote de 4.625. Para minha surpresa, o UTG+1 faz tudo 8.500, e o MP1 larga. Com certeza absoluta, ele só daria esse raise trincado. Até AQ eu acredito que ele faria um novo aumento no flop ou, se estivesse com medo de uma trinca, controlaria o pote no turn. Ou seja, eu tenho um ótimo draw, mas não tenho take it down. Optei pelo call, pois, caso eu não acertasse meu draw, ainda me sobrariam 9.000 fichas no blind 25-50. Bingoooo!!! O river me traz um 9, a melhor carta do mundo! Vou all-in e ele dá insta-call. Meio desapontado, ele diz: “Nice hand...”, e mostra a trinca de oitos.

Daí pra frente, consegui crescer bem meu stack, praticamente sem showdown. Terminei o Dia 1 com mais de 100.000 fichas, entre os primeiros. No segundo dia fui para uma mesa complicada, em que, nas primeiras horas, só consegui manter meu stack. Quando começou a bolha, eu estava com 120.000, que era a média. Aproveitei que o chip leader estava à minha direita e que os short stacks estavam à esquerda para alavancar e terminar o dia com preciosas 265.000 fichas.

O Dia 3 começou fantástico para mim. Na primeira mão, subo para 25.000 de UTG+1 com KK, quando os blinds estavam em 5000-10.000. O small blind faz tudo 70.000. Como dificilmente ele largaria este pote, fui all-in, e ele paga e mostra AQ. Um K no flop e outro no river me dá uma quadra e fico entre os primeiros. Daí pra frente, aproveitei a mesa tight e dei raise em 70% das mãos. Subi para 1.000.000 sem showdown – estávamos perto da bolha para a mesa final. Então uma mão curiosa aconteceu: o chip leader sobe para 70.000 do Button, nos blinds 15.000/30.000. O small blind dá call, e eu completo por causa das pot-odds, com J2 no big blind.

O flop vem 9-5-2 rainbow e todos dão check. O turn traz outro 9. O líder em fichas aposta $200.000, quase o pote. Não vejo nenhuma mão para que ele pudesse dar check no flop e apostar o pote no turn. Tinha convicção de que ele estava querendo comprá-lo. Dei call, e o river trouxe um 6. Nós dois demos check, e ele mostrou AQ e se espantou com meu J2. (risos)

Não demorou muito e a mesa final foi formada. O chip leader elimina dois jogadores e estamos em sete. Eis que surge minha derradeira mão:

Blinds 20.000/40.000. O cut-off abre raise para $100.000 e tem $820.000 para trás. Eu, no button com AJ, resolvo apenas pagar e jogar com posição. Pensei em dar 3-bet, mas, pelo que me conheço, eu pagaria a volta dele, já que ele faria esse movimento com 88+ e AJ+. O small blind resolve pagar e tem o mesmo stack que eu, 1.450.000. O flop vem KJ4. O cut-off faz continuation-bet de 180.000. Eu penso bastante e faço tudo 650.000, pois queria deixar claro aos dois que não largaria mais meu par do meio, com nut flush draw e overcard. Eis que o tiozinho do small blind me surpreende e vai all-in. O cut-off logo dá fold, e eu pago, totalmente comprometido, torcendo para que ele mostre ou KQ ou até KJ. Para minha infelicidade, ele me mostra 44, o que me deixa apenas com o flush draw. O turn é um 3, e o river um A. Se ele me apresenta qualquer uma das mãos que citei, eu levava o pote. Mas paciência, tenho convicção de que esta é a melhor jogada sempre – minha única dúvida ficou quanto ao reraise pré-flop. Meus amigos André Akkari e Alexandre Gomes preferem o reraise sempre, por se tratar de mesa final. Já meu amigo Caio Pimenta prefere o call, pelo valor e pela posição.

Enfim, GG. Mas saio feliz por ter feito um excelente torneio e ter beliscado boa parte da premiação. Na próxima edição, falarei sobre Monte Carlo e sobre a “cravada” no Second Chance. Grande abraço e até mais!




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