EDIÇÃO 16 » ESTRATÉGIAS E ANÁLISES

Início de Torneios

Lições de “Apestyles” e “Stevie444”


Maridu

Como alguns de vocês que acompanham meu blog "Need An Ace" (needanace.blogspot.com) sabem, estou passando uma temporada em Austin, Texas, com o Jonathan "Apestyles" Van Fleet. De quebra, temos um convidado passando um tempo conosco, o Stephen "Stevie444" Chidwick. Pra quem não acompanha MTTs, eles são dois jogadores fortíssimos tanto de MTTs quanto de Cash Games e SNGs, e esse mês achei que seria um desperdício usar esse espaço precioso com meus pensamentos quando posso aproveitar essas duas mentes brilhantes do jogo, com quem estou tendo o privilégio de conviver, e tentar expor um pouco os pensamentos deles. Acho que fazendo isso todos nós ganhamos, concordam?
Uma breve introdução dos dois (para quem não os conhece):

Apestyles
É dos maiores ganhadores de MTTs online (e aos poucos se tornando também ao vivo), já fez sete mesas finais de Sunday Majors, levando 2o lugar no Sunday Million e 2o lugar no 750K grtd em outro site. Já ganhou o 100+R dez vezes, com mais incontáveis mesas finais no próprio 100+R, e em muitos, muitos outros torneios que nem daria pra contar aqui. Literalmente, um monstro de MTTs. E ele acaba de lançar um livro (escrito em parceria com Eric "Rizen" Lynch e Jon "PearlJammer" Turner), chamado "Winning Poker Tournaments One Hand at a Time – Volume I", a venda no Amazon.com, e que em breve será lançado no Brasil, traduzido em português e disponível na loja de FPPs do PokerStars.

Em tempo: não sou muito adepta de livros, pois acredito que neles se aprende o básico do básico, e o resto se aprende jogando muitas mãos, conversando com amigos sobre o jogo e lendo fóruns de poker. Mas esse título é algo que certamente vai acrescentar muito ao jogo de todos, não importa o nível em que o jogador esteja.

Stevie444
O Stevie, bom, o inglês de 19 anos simplesmente destrói nos steps no PokerStars: esse ano, ganhou nada mais nada menos que 101 vagas para o Main Event da WSOP, 25 para o EPT de Monte Carlo, 14 para o EPT San Remo, 12 para o EPT Varsóvia, 8 vagas para os LAPTs, e a lista não acaba. Pra vocês terem uma noção da máquina que esse menino é, ele não só é Super Nova Elite no PokerStars, como tem mais de 7.5 milhões de FPPs (OMG!), que está juntando para dar de entrada na sua primeira casa, que pretende comprar ano que vem!

Ufa, basta de introdução, né? Até porque chega a humilhar! (risos) 

Bem, esses dias, jogando e tentado aprender com eles, resolvi fazer perguntas sobre o início de torneios, porque acho que falta um pouco de literatura sobre isso. Eu mesma me vejo muitas vezes bastante entediada nessa fase, em razão da ação lenta e os blinds baixos, me colocando, portanto, em situações complicadas e desnecessárias. Acho que tem muita coisa dita e escrita sobre as fases intermediárias e finais de torneios, mas o início determina boa parte de seu desempenho no resto da disputa. Cada um tem seu estilo, mas sempre dá pra melhorar dentro dessa característica, não acham? O Apestyles e o Stevie444 têm estilos muito diferentes entre si nessa altura do torneio, mas ambos são ganhadores. Dessa forma, talvez possam ajudar outros estilos nessa etapa tão importante, em que o foco é a formação de um bom stack e a manutenção do mesmo.

ME: Oi, Ape e Stevie, obrigada por trocarem uma idéia com a gente. Vamos direto ao assunto: como cada um de vocês joga em início de torneios, por que, e onde vocês acham que estão os maiores erros que as pessoas cometem nessa fase?

Ape: Em início de torneio eu jogo mais loose que o Stevie, com certeza. Mas, ao contrário dele, eu geralmente consigo stacks fortes logo de cara ou caio rápido: procuro criar potes grandes em posição porque eu gosto de jogar pós-flop. O Stevie é mais tight, e nenhum dos dois estilos é "certo" ou "errado", mas esse é o meu. Apesar de jogar loose em posição no início, eu fico muito tight em late position (open folding com AQ inclusive). Acho que existam esses dois tipos de abordagem para início de torneios, e cada um funciona para cada pessoa e estilo de jogo.

Stevie: Se você começa um 100+9 com 3000 fichas, uma decisão de, digamos, 100 fichas é o equivalente a, no máximo, 3 dólares em equidade. Então eu realmente não me engraço muito em inícios e, pra ser bem sincero, nem presto muita atenção, porque a minha equidade em foldar é maior do que a de entrar em situações complicadas. E pelo fato de eu ser conhecido, acho que as pessoas jogam diferente contra mim, tornando mais fácil conseguir o stack todo de alguém no início – momento em que jogo tight – levando em conta que as pessoas não me dão tanto respeito por me acharem "LAG". Só que em início de torneios eu nunca sou assim, então eu também espero essas situações.

APE: Acho que em início de torneio, as pessoas cometem os maiores erros ao dar muitos limps pré-flop e serem passivas demais: ficar tight nessa fase não quer dizer que você deve jogar passivamente. Isso é um grande erro que vejo as pessoas cometendo, sendo passivas, dando muitos calls, especialmente fora de posição. Elas não sabem jogar muito bem nos blinds e dá pra explorar bastante esse erro sem ter que se colocar em situações complicadas por ter posição. Aliás, posição é tudo, e quem ainda não sabe disso deve aprender logo e nunca esquecer: o lema pra ganhar no poker é “posição acima de tudo”, depois o resto. O outro erro que vejo com freqüência é muita gente dar valor demais aos seus top pairs – eles  parecem mais do que contentes em perder stacks de 50 big blinds com top pair e top kicker. Isso é um “leak” terrível em início de torneio.

Stevie: Verdade. Isso é também pra mim o maior erro que as pessoas cometem nessa altura: jogar mãos marginais dando call de forma passiva, fora de posição, porque acham "bonitinho" ver um J9s ou algo assim. Em início de torneio, as pessoas parecem não entender o valor de equidade vs. fichas: dar call passivamente do big blind com 67s até QJs é horrível, e está longe de ser o mesmo que executar esse call do button. Aliás, esse pagamento está ok por ser no início, por serem poucas fichas (apesar de achar o fold mais correto), mas o mais importante: por ter posição. Só que esse mesmo call do small ou do big blind é terrível, certamente um leak, porque a pessoa já está jogando uma mão marginal em enorme desvantagem por estar fora de posição e, na maioria dos casos, vai ter que dar check-fold sem poder desenvolver o jogo pós-flop. Sim, dar esses calls parece "aggro, lag" e tal, mas o fato é que é simplesmente ruim jogar dessa forma em início de torneio, fora de posição e com mãos marginais. Afinal, a mão não tem muito valor, as fichas no pote não têm quase nenhuma equidade quando acrescentadas ao seu stack e, se houver um jogador inteligente na sua mesa, ele vai reparar essa tendência no seu jogo e certamente lhe atacar sem perdão.

APE: A manutenção de stack em início de torneios não é uma questão complicada, pois os blinds estão baixos e ainda não existem antes. Assim, o que tento fazer é aumentar meu stack construindo potes grandes em posição. Por exemplo, quando dou raise em posição com suited connectors, blinds 15-30, nunca estou tentando "roubar os blinds". O que estou querendo é construir um pote e jogar pós-flop em posição, fazendo os oponentes tomarem decisões quando sinto que estão fracos e levar vantagem da sua falta de posição. Mas esse é meu estilo porque gosto de jogar pós-flop, e não fujo dessa situação quando tenho posição. Claro que toda circunstância é diferente, mas, ao mesmo tempo, dificilmente quebro em início de torneio quando tenho mais de 50 big blinds por causa de um draw. Obviamente, sempre existem exceções, e nada no poker é absoluto, mas situações nas quais percebo que tenho fold equity eu vou dar 4-bet – só que isso já é outro assunto, bem mais complicado. Mantenha o olho sempre em quantos big blinds você tem e nos tamanhos dos stacks da mesa (especialmente os que estão à sua esquerda): isso é o que deve determinar a hora de você realmente botar pressão e fazer seus oponentes tomarem decisões difíceis. E mais importante: mantenha seu stack sempre com fold equity – isso faz os outros não serem tão "sortudos" contra você, pode reparar. Em todo caso, acho que por ter uma imagem "LAG", muitos jogadores querem jogar contra mim e não respeitam as minhas apostas, o que é algo de que eu gosto e que sei aproveitar, pois são essas as situações em que consigo extrair mais valor das minhas mãos em posição.

Stevie: Apesar de jogar de forma muito diferente do Ape em início de torneios, eu concordo com tudo que ele está falando. Só que, nessa altura, eu raramente tento construir um pote grande em posição com suited connectors. Sou bem mais tight, pois geralmente estou em várias mesas de steps ao mesmo tempo em que jogo MTTs, que prefiro não ter que pensar sobre uma situação complicada em que eu mesmo estou tentando me meter. Mas o Ape adora uma situação complicada (risos). É, sou bem mais tight do que ele no início. Você me ensina, Ape?

Ape: Você me ensina, Stevie?

ME: Vocês dois me ensinam? (risos) Valeu, Ape e Stevie! Talvez mês que vem possamos falar sobre jogar com um stack entre 12 e 18 big blinds? Pra mim, esse é o stack mais difícil de jogar, e muitos devem achar o mesmo. Que tal?

Ape e Stevie: Claro!

Então, pessoal, por enquanto é isso. Espero que esse papo tenha ajudado vocês (sei que me ajudou muito!).

E pra fechar, queria dizer que vou jogar meu primeiro evento ao vivo como jogadora patrocinada pelo PokerStars na Costa Rica, no LAPT San José. Encontrarei meus colegas (e amigos queridos!) Akkari, Alê Gomes e Gualtinho, e espero que muitos de vocês apareçam por lá! Também vai ser a estréia do Sergio Prado reportando ao vivo pro blog do PokerStars: desejo toda sorte [e energia, porque cansa! (risos)] pra ele, certa de que será um sucesso, pois ele está fazendo um trabalho incrível no blog. Parabéns, Sergio! Então, até lá! GL e nos vemos pelas mesas do PokerStars. Beijos!




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Ano 2 - novembro, 2008

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