EDIÇÃO 16 » ESTRATÉGIAS E ANÁLISES

Jogando Com A-K Diante de um Reraise

Cogite empurrar


Ed Miller

Recentemente, eu estava jogando em uma mesa ao vivo relativamente loose de no-limit hold’em de $2-$5. Um jogador em posição inicial, com cerca de $300, entrou de limp. Eu estava a duas posições do button e aumentei para $20 com AK. O button, com cerca de $325, reaumentou para $75. Ele era um jogador comum e ligeiramente loose. O limper refletiu por um instante e então pagou. Eu tinha um estoque maior do que o de ambos.

1. Como eu devo reagir? Devo largar, pagar, aumentar um pouco ou ir all-in?
2. Qual é meu plano para o resto da mão (será que preciso de um)?

Responda essas duas perguntas antes de continuar a ler.
Eu lhe direi como procedi.

Empurrei um total de $325, um aumento de $250 – quase do tamanho do pote. Aquele que deu reraise desistiu bem depressa. O limper, que simplesmente pagou, demorou um pouco, depois descartou um par de damas virado para cima.

Por que eu empurrei? A resposta está na eqüidade de fold: eu transformei minha mão em um semiblefe. Meu all-in faz parecer que eu tenho um ás para meus oponentes. Na verdade, se eles tivessem lido o Little Green Book de Phil Gordon, quase certamente achariam que eu tinha ases. Então, minha expectativa é que muitos jogadores descartem boas mãos, até mesmo pares de damas.

Naturalmente, alguns irão pagar com QQ e talvez com mãos mais fracas. É aí que entra o aspecto de semiblefe, pois eu ainda tenho uma sólida eqüidade contra essas mãos (na verdade, tenho tanta eqüidade contra um par de damas ou algo pior que estaria disposto a pagar se eles tivessem ido all-in em vez de mim, desde que eu soubesse que eles tinham damas ou pior).

Na minha vez de falar, havia $177 no pote. Empurrando, arrisquei $280 a mais contra o estoque de $300 e $305 a mais contra o de $325.

Eu acho muito improvável que o limper-pagador estivesse com ases ou reis. Ele tinha tido duas oportunidades de aumentar e não o fez, e eu acho que, na imensa maioria das vezes, um jogador com essas mãos começaria aumentando ou faria um limp-reraise. A maneira como ele pensou sobre seu call simples confirmou minhas suspeitas, pois parecia que ele estava genuinamente preocupado com a ação, não fazendo cara de cínico para esconder força. Eu achava que ele provavelmente tinha um par de damas ou menor. Também poderia ter cartas sem par como J 10 e simplesmente ser um pagador loose pré-flop.

Naturalmente, quem aumentou pré-flop poderia ter ases ou reis, mas levando em conta uma gama de ases até noves e A-K para ele reaumentar, ele me derrotaria apenas em uma modesta fração das vezes (15% das vezes, nesse caso). Se ele for um raiser mais loose (e no momento eu achei que ele pudesse ser), é bastante improvável que eu esteja correndo perigo real.

Então, eu acho que, na maioria das vezes (digamos que em pelo menos 75% delas), eu não enfrentarei ases ou reis. Nessas situações, eu tenho um semiblefe bastante forte, arriscando $280 para ganhar $177 com cerca de 50% de eqüidade se alguém pagar. Quando eu enfrentar reis, ainda estarei bem, pois tenho eqüidade de cerca de 30% e pot odds de mais de 1,5-para-1. Não é o suficiente para ficar no zero a zero, mas amortece a queda.

Pagar faz pouco sentido nessa situação devido ao tamanho dos estoques. Se eu fosse fazer isso, restaria uma aposta do tamanho do pote, e eu seria o primeiro a falar no flop. Em um flop com ás ou rei, eu teria boas chances de ganhar, mas ele poderia assustar pares menores. Em um flop sem ás ou rei, eu teria chances bem menores e correria o risco de ser vítima de um blefe de uma mão mais fraca. Em qualquer evento, meus oponentes tendem a ganhar mais vendo o pote do que eu.

Largar é a alternativa mais natural em vez de empurrar. Se quem voltou reraise tivesse uma gama de mãos excepcionalmente tight, dar fold seria a melhor opção. Mas, no caso, eu achava que o reraiser era meio loose, então rejeitei a idéia de largar.

O tamanho dos estoques nessa mão veio a calhar quando eu empurrei. Como restava apenas uma aposta do tamanho do pote depois do reaumento pré-flop, um empurrão semiblefe pré-flop final foi a jogada natural. Contudo, se os estoques fossem um pouco maiores, eu poderia ter desistido, pois o risco de empurrar poderia ser muito alto. E se os estoques fossem ainda maiores, eu poderia ter pagado, na esperança de ver um bom flop e levar um grande pote.

Além disso, se meus oponentes me vêem empurrando all-in com A-K, eles podem ficar mais propensos a pagar, no futuro, meus all-ins pré-flop com pares pequenos e médios, de modo a ganhar mais dinheiro mais adiante, quando eu tiver ases ou reis.

Essa mão não é um exemplo isolado: ela representa um conceito importante. Como A-K possui uma eqüidade decente contra um número de potenciais mãos pagadoras, ela se torna um poderoso semiblefe all-in pré-flop. Em geral, se um ou mais jogadores tiverem apenas pagado um aumento pré-flop (ou reaumento, como nesse exemplo), eles são alvos potencialmente vulneráveis para um semiblefe. Portanto, da próxima vez que você segurar A-K, cogite empurrar contra um aumento e alguns calls, desde que os estoques não sejam muito grandes. Você pode ter uma agradável surpresa com os resultados.

Para mais exemplos sobre esse conceito, vide meu livro (co-escrito com David Sklansky) No Limit Hold’em: Theory and Practice (em breve pela coleção “Obras-Primas do Poker”, da Raise Editora)

Ed é um dos técnicos do StoxPoker.com. Visite sua coluna online de conselhos sobre poker no endereço NotedPokerAuthority.com. Ele já escreveu quatro livros, sendo o mais recente “Professional No-Limit Hold’em: Volume 1”.




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