EDIÇÃO 16 » ESTRATÉGIAS E ANÁLISES

Agressividade em Torneios

Um contra-ataque simples


Rolf Slotboom

Durante muitos anos, autores de poker têm defendido a agressividade como um dos elementos-chave para o sucesso nos torneios. A exatidão desse conselho foi provado pelo fato de que os jogadores agressivos ganham mais do que investiram, especialmente às custas dos oponentes mais conservadores, que se recusam a se arriscar e se agarram àquele velho ditado: “Na dúvida, largue”. Embora a maioria desses autores de poker tenha enfatizado o uso de uma agressividade seletiva, muitos jogadores de sucesso empregam, hoje em dia, uma abordagem bastante loose-aggressive que se aproxima do que costumávamos chamar de “maníaca”. Isso parece ser particularmente mais comum entre jogadores na internet, que tendem a jogar mãos demais, reaumentar muitas vezes e usar empurrões all-in com certa freqüência.

Na World Series desse ano, as jogadas foram mais loose-aggressive do que nunca — e o que mais me impressionou foi o fato de quase nenhuma aposta ou aumento ter sido respeitado. Embora minhas próprias jogadas em torneios costumassem ser um pouco maníacas, nos dois últimos meses eu decidi diminuir um pouco minha agressividade diante desses acontecimentos recentes. Eu me detive o mais que pude para não abrir aumentando com mãos fracas, e me contive especialmente em steals no button contra adversários jovens e agressivos nos blinds, sabendo que eles quase automaticamente reagiriam a um aumento de posição final com um grande reaumento. Em vez disso, retomei meu velho estilo de jogar bastante tight e entrar apenas com boas mãos — tirando, é claro, o steal ou blefe ocasionais que se apresentavam diante de mim. Espera-se que um cara que deu fold durante três ou quatro órbitas seguidas não receba nenhuma ação quando finalmente agir — certo? Bem, embora bons jogadores agressivos consigam fazer essa distinção, a vasta maioria dos jovens não parece respeitar nenhuma aposta, e continuam a atacar todo mundo — mesmo o cara com poeira em suas fichas que finalmente decidiu colocar algumas no pote.

Algum tempo atrás, escrevi uma coluna sobre a simples, porém eficiente, estratégia que usei no evento de San Remo do European Poker Tour, em que joguei tight, dando raises fortes com minhas melhores mãos, sabendo que quase sempre seria pago. Na WSOP, consegui levar essa estratégia um pouco além. Seja lá por que razão, eu não sei, apesar de jogar muito tight, quase todo aumento pré-flop que eu fazia era reaumentado. Então eu pude me dar ao luxo de esperar por mãos Premium, sabendo que conseguiria ação excessiva de jogadores com mãos como 6-6, A-Q ou A-J, que tentariam me isolar com vantagem de posição — um conceito que muitos desses jovens jogadores adoram. Na verdade, eles às vezes chegavam a pagar mesmo quando eu apostava todas as minhas fichas — vezes em que eles colocavam de 25 a 30 big blinds no pote quase sempre com a mão pior e dominada. Ao me adaptar a essa forma à brutal superagressividade de meus oponentes, eu consegui facilmente ganhar dinheiro em muitos eventos, tendo fichas suficientes para ficar bem colocado ao ganhar um ou dois grandes potes naquele estágio (quase sempre indo em frente com a melhor mão).

No excelente capítulo “No-Limit Hold’em: Big Stack Play” do livro Full Tilt Poker Strategy Guide, Gavin Smith descreve em detalhes os méritos de acumular um grande estoque no começo do torneio por meio de uma agressividade cruel, e como você pode usar esse grande estoque como arma mais tarde. Para muitos jovens jogadores, essa é a exata visão do que se considera correto em termos de estratégia de torneios e, portanto, eles estão muito mais dispostos a apostar demais, blefar, reaumentar ou duelar com os grandes estoques do que os bons jogadores de torneios costumavam fazer. Eu notei que, como possível resposta a essa nova espécie de jogadores, os profissionais mais experientes também aumentaram seus níveis de agressividade. Além disso, parece haver menos “dinheiro morto” em torneios hoje em dia de pessoas que jogam um estilo loose-passive ou tight-passive — pois, com o fim da explosão do poker, parece que perdemos o influxo desses novos e pouco experientes jogadores. Isso tudo significa que, em especial nos eventos maiores de no-limit hold’em, quase todo mundo parece jogar um estilo altamente agressivo, e em geral com mãos que não suportam esse comportamento.

Sob tais circunstâncias, a estratégia simples de apenas esperar pacientemente por uma grande mão e prever a ação excessiva que vai receber, de repente não ficou tão ruim. Afinal, ela pode lhe ajudar a ganhar dinheiro muito mais do que pareceria “normal”, e você não se encontrará em todas aquelas situações em que é necessário raciocínio avançado — e que pode facilmente lhe levar a cometer erros. Então, muito embora você possa não ganhar muitos torneios jogando dessa maneira, ainda assim pode jogar com uma vantagem decente utilizando esse contra-ataque bastante simples, que, mais do que qualquer coisa, explora as fraquezas daqueles que são exageradamente agressivos.

Portanto, até que a nova espécie de jogadores aprenda a diminuir o ritmo e respeite o aumento do cara de largou as últimas 27 mãos, pode valer a pena às vezes simplesmente diminuir os steals e os blefes, evitar mãos marginais e apenas montar armadilhas para aqueles que gostam de apostar e aumentar em toda oportunidade. E quando eles incorporarem esses ajustes às jogadas deles, e finalmente aprenderem a respeitar nossos aumentos, nós poderemos lenta, porém certamente voltar a blefar contra eles.

Rolf tem jogado profissionalmente em cash games desde 1998. Ele é autor do sucesso Secrets of Professional Pot-Limit Omaha, e co-autor de Hold’em on the Come. Ele é o criador e apresentador da série de quatro DVDs de hold’em intitulada Rolf Slotboom’s Winning Plays. Ele é o primeiro Campeão Holandês e mantém seu próprio site em www.rolfslotboom.com




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EDIÇÃO 16

Ano 2 - novembro, 2008

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