EDIÇÃO 13 » ESPECIAIS

Um bate papo com Alexandre Gomes


Geraldo Campêlo

Neste mês, em vez da habitual coluna, trago um presente para você, leitor. Durante a realização do 150K garantido do Clube Zahle, em São Paulo, tive a honra de realizar, com exclusividade para a Card Player Brasil, uma entrevista com o Campeão Mundial Poker, Alexandre Gomes.

Espero que gostem e possam tirar proveito de alguns ensinamentos e conselhos do nosso ídolo.

Alexandre, primeiramente, parabéns mais uma vez pelo histórico título, e obrigado pela atenção ao nos conceder essa entrevista. Bem, quando e como foi seu início no Poker?

Iniciei jogando poker há uns três anos atrás, aproximadamente. Tudo começou com uma brincadeira entre amigos, uma vez por semana, e que aos poucos foi despertando meu interesse para entrar de vez no mundo do poker.

E quando fui fazer uma viagem a São Paulo com meu amigo Zezão, para jogar o primeiro BSOP, em que me qualifiquei através de satélite, ele me convenceu, durante a viagem, a investir no poker online. E assim resolvi comprar meus primeiros US$100,00 junto ao PokerStars, sendo que desse momento em diante é que realmente comecei a me dedicar pra valer em termos de estudo do jogo.  


Você era jogador de truco. Quais fundamentos você conseguiu aproveitar para o Poker?
O truco realmente me deu uma base muito boa para o poker. Para quem não sabe, comecei jogando torneios de truco em Curitiba há cerca de 11 anos, e consegui realmente muitos títulos. E sem dúvida, as técnicas aplicadas ao truco se aproveitam muito em relação ao poker, principalmente quanto à questão do blefe, leitura de adversários, perspicácia e agilidade em alguns movimentos específicos, dentre outras coisas. E comprovando essa base, posso citar também como exemplo meu grande amigo Fabiano Negrelli, que além de ser considerado um dos melhores jogadores de truco do Brasil (meu parceiro de dupla), agora também tem se destacado – e muito – no poker, tendo inclusive sido campeão Sul-Brasileiro de Poker em 2007.

“As técnicas aplicadas ao truco se aproveitam muito em relação ao poker, principalmente quanto à questão do blefe, leitura de adversários, perspicácia e agilidade em alguns movimentos específicos”.

Sabemos que você estudou bastante o jogo, quais livros você destaca?
Sou sincero: não li muitos livros sobre poker. Mas isto não significa dizer que não estudei o jogo, muito pelo contrário. Sempre me mantive atualizado nos blogs mais importantes, fóruns de discussão, revistas especializadas (nacionais e internacionais), sites, ou seja, tudo que aborde o jogo de uma forma mais técnica. Mas em termos de livros, destaco a série de livros “Harrington no Hold´em”.

Quais características do seu estilo de jogo você considera as mais importantes?
Quando comecei a estudar o poker a fundo, conclui como opinião pessoal, que a agressividade seria um dos requisitos mais importantes para um jogador realmente ter sucesso, principalmente em se tratando de torneios, que é o meu caso. Desse modo, acredito que meu estilo se enquadre num perfil bem agressivo, e acho também que foi isso que muito me ajudou a conseguir alguns dos resultados conquistados.


Qual a receita, se é que existe uma, para ser um jogador vitorioso no poker?
Além do conhecimento do jogo e das qualidades próprias de cada um (como a agressividade, paciência, perspicácia, etc), eu diria que, para um jogador ser vitorioso no poker, é fundamental possuir um equilíbrio mental muito grande e ter disciplina em vários aspectos. Digo isso pois o poker nos leva a lidar com questões muito importantes e delicadas, principalmente no que se refere a forma de se tratar o dinheiro. Então, acredito que aquele que conseguir ponderar tais qualidades técnicas com a disciplina e equilíbrio em relação ao seu próprio bankroll, conseguirá se destacar no grande universo dos jogadores.

“Além do conhecimento do jogo e das qualidades próprias de cada um (como a agressividade, paciência, perspicácia, etc), eu diria que, para um jogador ser vitorioso no poker, é fundamental possuir um equilíbrio mental muito grande e ter disciplina em vários aspectos”.

Teve um momento que você decidiu: “vou me profissionalizar”. Qual resultado em especial lhe deu essa convicção?
Não teve um resultado específico que me levou a tomar essa decisão. Na verdade, foi um somatório de resultados e acontecimentos que me levaram a concluir que eu deveria me dedicar ao poker como profissão.

Foi muito difícil abandonar a advocacia para se tornar um profissional do Poker? Como a sua família reagiu frente a esta decisão?
Foi muito difícil mesmo. Eu estava bem estabilizado na profissão, eu era sócio de um escritório em Curitiba, sem falar que sempre fui apaixonado pela advocacia. Então, na hora de tomar a decisão, com certeza passou muita coisa na minha mente. Mas, graças a Deus, acredito ter feito a escolha mais acertada. Minha família reagiu da melhor maneira possível. Minha mãe sempre confiou demais nas minhas decisões e sou muito grato a ela por isso.
 
Falando do evento #48 da WSOP, em que momento você sentiu que poderia conquistar o bracelete?
Quando restavam mais ou menos 100 jogadores, eu estava com um stack gigante (quase 3x a média). Naquele momento acreditei que dava pra chegar mesmo, até porque eu estava jogando muito solto e tranqüilo.

Qual o jogador que mais lhe impressionou neste torneio?
Com certeza Marco Johnson. Não só pelo fato de ter sido ele que chegou no HU comigo, mas sim porque joguei os três dias do evento com ele. Sua frieza, agressividade e técnica são admiráveis. Certamente, um dos melhores jogadores que já tive a oportunidade de enfrentar.

Quais mãos do torneio mais lhe marcaram?
Houve cinco mãos em especial. A primeira, foi o all-in na hora da bolha do torneio: restavam 200, ITM 198, 99 x AKs, flop T-T-J (assusta?), turn T e river 3. Ufa!

A segunda foi quando restavam 10 jogadores, e precisava cair mais um para formar a mesa final e encerrar o dia 2. Blinds 15/30k, Marco Johnson no UTG faz 80k, um senhor que eu já tinha enfrentado algumas vezes dá reraise pra 300k, eu no small blind vou all-n de 692k com AKo. Marco dá insta-fold, e aquele senhor pensou por muito tempo e então deu fold. A galera que estava na torcida vibrou demais nessa hora.

A terceira mão foi o reraise all-in pré-flop de 960k do small blind. Blinds 30/60k, quando veio um raise do button, que era mesmo senhor da mão anterior, 67s x AQo, flop A-Q-J (ai!). Mas veio um 6 no turn e outro 6 river...

A quarta foi o famoso AT x AA, no HU, quando Marco deu raise do button e eu, que naquele momento estava em grande desvantagem de fichas, voltei all-in... Dois T no bordo, sem surpresa... (risos)
E a última foi a mão derradeira: AKs x QJs. Eu subi e o Marco voltou tudo e eu dei insta-call... e acabou!

O crupiê vira o river, o torneio acaba e o bracelete é seu. Você consegue descrever a sensação daquele momento?
Com sinceridade, não tem como descrever mesmo. Veio muita coisa na minha mente naquele momento. Família, amigos, minha trajetória, tudo... Mais que uma realização, mais que um sonho, foi algo realmente surreal.

“Veio muita coisa na minha mente naquele momento. Família, amigos, minha trajetória, tudo... Mais que uma realização, mais que um sonho, foi algo realmente surreal”.

Em que nível técnico você considera que se encontram os jogadores brasileiros? E o Poker de Curitiba em relação ao cenário nacional?

O Texas Hold´em chegou um pouco atrasado no Brasil, por isso não temos ainda tantos jogadores de ponta em proporção a outros países, principalmente os EUA. Mas vale destacar que nossos melhores jogadores não devem absolutamente nada aos estrangeiros, e tenho certeza que no futuro teremos muitas conquistas por vir.

Já o poker em Curitiba realmente evoluiu de uma forma avassaladora nos últimos tempos. Tanto pelo meu bracelete de agora como pelo fato da liderança do ranking nacional também ser de um curitibano (Luiz Filipe). E sem esquecer ainda que nos últimos dois maiores torneios realizados em São Paulo, tivemos a presença de três curitibanos em cada mesa final. Ou seja, o pessoal de Curitiba está mostrando resultados muito expressivos e dando trabalho por aí.


Quais jogadores do poker nacional você considera os melhores? Existe algum desconhecido que você acredita que vai se destacar em breve?
Temos grandes jogadores no hoje no Brasil. Posso citar vários deles que já mostraram resultados sensacionais, como Akkari, Federal, CK, Raul, Luiz Filipe, Thiago Decano, Eduardo Marra, Felipe Mojave, Gio Tr3cool, dentre outros. Claro que, além desses, ainda temos inúmeros jogadores que estão se destacando a cada dia e que logo correrão o circuito internacional com as feras citadas acima.

E o futuro, no curto prazo, qual é a sua programação? E no médio prazo, algum projeto especial?
Para este ano ainda tenho alguns compromissos já assumidos por conta do contrato com o Poker Stars, principalmente em relação à participação em eventos internacionais, LAPT, EPTs, PCA, etc. Quanto ao futuro, acho que é prematuro fazer qualquer previsão. Mas que o poker ta incluído nele, ah, isso tá! (risos)

E cash game, você tem jogado?
Não costumo jogar cash game, é muito raro mesmo. Sempre preferi me dedicar aos multi-table tournaments.

No ramo do poker, você tem algum projeto de negócio?
Tenho vários sim, até por conta do meu recente contrato com o Poker Stars. Tem muita coisa em andamento. Dentre alguns, destaco a criação de uma escola de poker online com sede aqui em Curitiba. Logo, logo, teremos muitas novidades.

Qual mensagem você gostaria de passar aos leitores?
O agradecimento pelo apoio dado, pelas homenagens prestadas e dizer que espero um dia poder retribuir isso da mesma forma, com novas conquistas de jogadores brasileiros que ainda estão por despontar.

Gostaria de fazer algum agradecimento em especial?
Sem dúvida à minha família, em especial à minha Mãe e ao Luiz, por todo apoio e carinho que me foi dedicado. Também aos meus amigos do coração que sempre acompanharam de perto toda essa trajetória, me aconselhando e ajudando nos momentos difíceis e comemorando junto as vitórias conquistadas.




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EDIÇÃO 13

Ano 2 - agosto, 2008

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