EDIÇÃO 119 » COLUNA NACIONAL

É preciso muita sorte

O longo prazo é um conjunto de eventos de curto prazo


Guilherme Chenaud

Uma coisa muito difícil das pessoas entenderem é como o poker pode ter uma curva praticamente constante no longo prazo, mesmo que dentro das mesas observamos aquela variância absurda que existe em um torneio. Aquele Deus nos acuda, bad beat acontecendo para todos os lados...

A verdade é que sendo o longo prazo um conjunto de eventos de curto prazo, fica difícil que nosso cérebro possa compreender como as duas coisas se conectam. Cenários que nos frustram, atingem diretamente o nosso emocional e isso nubla a capacidade do cérebro de interpretar os fatos de forma racional.

Vejam bem, é curiosa a forma como a matemática se manifesta. Se pensarmos que nossas chances de ganhar três vezes seguidas uma situação de par maior contra par menor (80%/20%) são as mesmas de ganhar um “coin flip” (50%/50%), conseguimos visualizar com maior facilidade quanta sorte precisamos para ganhar um torneio. Vejo pessoas falando em ter que ganhar várias situações desvantajosas para ganhar um torneio, mas o buraco é muito mais embaixo. Se ganharmos apenas as situações mais vantajosas, combinadas em sequência, isso já nos torna imensamente sortudos no curto prazo.



Nesses moldes, precisamos perder bastante quando somos favoritos para que em um determinado torneio consigamos segurar todos esses cenários, ganhar mais alguns por baixo, conectar os bordos quando jogamos pós-flop e então, finalmente, alcançarmos nosso maior objetivo: a vitória.

É dessa forma que a matemática opera de forma perfeita no longo prazo. Não é à toa que gráficos de curto prazo são verdadeiras gangorras, enquanto gráficos de longo prazo apresentam um retrato fiel do quanto aquele jogador prevalece sobre seus adversários.

Esse entendimento também ajuda bastante a lidar com as bad beats, pois fará com que você enxergue cada uma delas como um investimento que acarretará na tão sonhada cravada. Como se fosse um banco, a cada bad beat sofrida você acumula créditos. Quando os seus créditos atingem um determinado saldo, você finalmente crava o torneio. Se você não tem acumulado muitas bad beats é sinal que a cravada não está sendo construída. Pense nisso e observe como sua relação com o jogo se harmonizará e naturalmente você apresentará melhorias, tanto na forma de jogar quanto em se relacionar com a variância do jogo — que é bem alta no curto prazo.

Se quiser fazer um exercício interessante, você pode conferir o histórico de mãos que você jogou em um torneio que foi campeão. Conte a quantidade de vezes que você ganhou um all-in pré-flop e quantos você perdeu. Você percebrá claramente que a balança estava desnivelada. Para nivelar isso, você terá que perder muitos all-ins em outros torneios. É dessa forma que a matemática se torna perfeita no longo prazo.




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