EDIÇÃO 11 » COLUNA NACIONAL

A nova CBTH

Carta Aberta


Igor Federal

Aproveito o espaço de minha coluna na revista CardPlayer Brasil para comunicar a toda comunidade do poker brasileiro quais foram as razões que me levaram a aceitar o desafio de ser o Presidente da Confederação Brasileira de Texas Holde’m (CBTH), e também contar como foi a história que me levou até ela.

Tendo em vista a relevância do assunto em questão, deixo o 3º artigo, o último da série de omaha hi/lo, para a próxima edição.

Sempre tive algumas idéias fixas sobre como deveria ser uma Confederação séria, representativa de qualquer setor de atividade. Não acredito em Confederações que são usadas por pessoas para o atendimento de vantagens pessoais, para discriminar concorrentes e/ou adversários, para fortalecer seus interesses unilateralmente ou para locupletar um time ou grupo de pessoas e excluir outros.
Acredito menos ainda em Confederações que são criadas por burocratas, que saem na frente na confecção de estatutos e tomam posse documental de um órgão representativo de uma classe, sem fazer parte da base dessa classe, sem consultar os principais nomes, ícones, trabalhadores, investidores e empresas do segmento e sem ter representação legítima daqueles que fazem parte da história e do dia-a-dia da atividade que essa hipotética Confederação pretende representar.
Mamedes (do judô), Grecos (do basquete), Nastases (do tênis) e Caixa D’Águas (do futebol) estão aí aos montes, e servem como exemplo de como uma Confederação pode se afastar dos principais interesses e dos reais objetivos de suas atividades, com a clara intenção de preservar e perpetuar interesses pessoais acima dos interesses coletivos da categoria.

Em meados de março, eu e o Akkari fomos procurados por Osvaldo Naves (de Belo Horizonte, MG), que queria conversar conosco sobre os rumos da CBTH e como poderíamos colaborar para que o destino da Confederação fosse tão promissor quanto o que o poker nacional vem trilhando em nosso país. Ele estava preocupado com a imagem da Confederação e queria dividir decisões e destinos conosco. Depois de horas de conversa – a qual, a princípio, confesso ter imaginado que em nada resultaria – colocamos as condições para que fizéssemos parte desse projeto. Foram elas:

1- A CBTH não deveria privilegiar um time, um site, uma revista, uma poker room ou um grupo de pessoas; mas sim deveria estar aberta a todos aqueles que fossem representantes legítimos, empresas idôneas e figuras importantes do poker nacional.

2- A CBTH não deveria ter fins lucrativos, mas ser uma fonte de ação voluntária para lutarmos pelos objetivos claros de que o poker nacional precisa. Cada membro pode (e deve) ganhar dinheiro com o poker, mas em atividades pessoais paralelas, e não usando a Confederação como fonte de renda pessoal.

3- A CBTH não deveria servir como órgão de fortalecimento dos negócios daqueles que fazem parte dela e nem como arma de enfraquecimento dos negócios de seus concorrentes, mas sim ser um fórum de união das diversas forças e vozes de importância do poker nacional, sejam eles concorrentes ou não.

4- A CBTH deveria se aproximar dos objetivos e dos interesses de quem investe, pratica e trabalha no segmento.

5- A CBTH pode (e deve), num futuro, fazer acordos exclusivos com determinado grupo, ser eventualmente patrocinada pela empresa X, Y ou Z, ter acordos com vantagens financeiras em troca de benefícios que ela venha a conceder para um grupo ou para uma empresa específica. Mas isso deve atender aos interesses da própria Confederação e não de pessoas que a usariam pra benefício próprio.

Assim como o Comitê Olímpico tem acordo com a Olimpikus, Caixa, Sol e Petrobrás. Assim como a CBF tem patrocínio com o Guaraná Antártica e a Nike, etc. Já a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) tem parceria com o Banco do Brasil e com a Penalty. Da mesma forma a CBTH também vai procurar os seus parceiros, mas os benefícios dessa futura parceria devem ser de interesse e de uso da própria Confederação.

Colocada então a nossa visão, para nossa felicidade, a posição do Osvaldo era absolutamente favorável a todos esses aspectos, confessando que tudo o que ele queria era o nosso apoio e a nossa ajuda para realizar uma Confederação exatamente como todos imaginávamos. E foi assim que tivemos o primeiro contato profundo com sua forma de pensar. Ele tinha tomado frente nesse processo porque algo tinha que ser feito, mas estava se aproximando da AK&F exatamente para que pudéssemos ajudá-lo nos novos rumos da CBTH. Considero o Osvaldo um pioneiro e respeito profundamente tudo o que ele fez na criação da Confederação.

Pedimos então uma reunião com todo o grupo dos representantes das Federações Estaduais, que vêm realizando um trabalho árduo de disseminar o poker por todos os cantos do país. Gente batalhadora e pessoas com as quais estou tendo o orgulho de iniciar esse trabalho. Agradeço aqui, antes de mais nada, a dedicação, a seriedade e o empenho com que todos os Presidentes de Federações estão nos ajudando nessa tarefa.

Nessa reunião expusemos tudo o acima dito e recebemos apoio integral do grupo. Todos concordavam com esse caminho para a CBTH e apoiavam irrestritamente essas diretrizes para a Confederação. Nessa fase das conversações existiu uma etapa muito importante, que foi a nossa reunião com o Rogério “Pistola”, onde afinamos nossas idéias e chegamos a uma intersecção de intenções. Isso resultou no nosso apoio ao Pistola frente à Federação Paulista de Texas Holde’m. Dessa forma, oficializamos e formalizamos a nossa entrada na CBTH e criamos uma agenda de trabalho.

Primeiro – Acertar a parte documental, criando uma sede e elegendo cargos da CBTH (parte burocrática obrigatória)

Segundo – Reunir, através da CBTH, as principais forças, empresas e pessoas em torno das causas relevantes para o poker nacional.

Terceiro - Criar uma ação para atingirmos o maior objetivo de todos do poker nacional. A legitimação e o reconhecimento de nossa atividade como algo legal, lícito e inquestionável. Esse será, sem dúvidas, o principal objetivo da CBTH durante 2008 e 2009.

Para isso teremos que buscar verbas, trabalhar sério e usar os canais devidos; e é essa nossa maior função e desafio de momento.

Quarto – Promover, divulgar e difundir o Texas Hold’em, através de campeonatos realizados pelas Federações Estaduais. A Confederação não fará campeonatos, a princípio, pois imaginamos que essa não é a nossa principal função por ora. Vamos nos concentrar na luta pela legitimidade do poker e, só depois dessa etapa cumprida (ou minimamente encaminhada na sua resolução), pensaremos outras questões.

Fui eleito, então, o presidente da CBTH, onde tenho o Akkari ao meu lado, ombro a ombro, em cada decisão e definição de rumos. O Osvaldinho foi eleito vice-presidente, com quem tenho o prazer e a honra de dividir essa missão. As primeiras atitudes que tomei, enquanto presidente, foram:

Mesmo sendo um dos proprietários do site Super Poker e o Akkari sendo jogador do Team PokerStars, fui ao Rio de Janeiro e convidei o site Clube do Poker (ligado ao site Party Poker) para participar da luta da CBTH. Recebi o apoio do Marcos Kruel, do Raul e do CK, os quais concordaram em entrar na batalha.
Apesar de sermos proprietários da Stack Eventos, ao lado do Elton Cz e do Robigol, convidei o Leo Bello e o Leandro Brasa, da empresa Nutzz, para participar da CBTH. Recebi o apoio e a promessa de participação deles na nossa luta.

Também sendo proprietário da Revista Flop, ao lado do Juliano Maesano, conversei com o Renato Lins e o Bruno Nóbrega – respectivamente diretor executivo e editor-chefe da CardPlayer Brasil, para entramos juntos nessa luta; e juntos já estamos.

Ou seja, chamei os meus três maiores concorrentes empresariais para dentro da CBTH (apesar de as pessoas citadas serem grandes amigos nossos, é inegável que empresarialmente sejamos concorrentes). A CBTH não é lugar para fazer a Flop, a Stack ou o Super Poker mais forte que seus concorrentes. Não é fórum para encampar causas pessoais ou para chancelar empresas ou negócios individuais. Não deve ser usada para excluir pessoas ou empresas importantes em benefício da empresa ou da pessoa A, B ou C.

Ainda, convidamos o Hércules e o Horácio da Tower para fazer parte da luta da CBTH, o que foi prontamente atendido. O meu grande amigo Guga, da Bahia, já está nessa luta e conversei também com o Felipe Mojave (ambos do Best Poker), que reforçou a certeza de entrar nessa empreitada. A COPAG, nas figuras do Robson e da Mariana, já se declararam adeptos e apoiadores da causa. O Conrado (RS), o Júlio (GO), o Beto Bahia e o Hernany (RJ), e o Pistola (SP) também estão nessa batalha. Num futuro próximo convidarei o Full Tilt para nos ajudar também, assim como se novas revistas, sites e empresas surgirem, se demonstrarem seriedade e representatividade, serão indubitavelmente convidados a colaborar com a CBTH.

Jogadores, então, nem precisam ser citados, pois tenho enorme receio de esquecer alguém. Mas estes não são uma questão de ser convidados ou não. Eles são simplesmente a razão de existir da CBTH. Sem eles nada disso faz sentido. Antes de qualquer coisa, cada um de nós é um jogador apaixonado pelo poker.

É assim que imagino uma Confederação: PokerStars, Full Tilt, PartyPoker, Tower Torneos e BestPoker juntos; Flop e CardPlayer Brasil juntas; Stack e Nutzz juntas; SuperPoker e Clube do Poker juntos; jogadores, empresários e investidores juntos; Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste juntos.

Da porta para fora, cada um corre atrás do seu; mas dentro da Confederação a luta é única. Essa é a Confederação pela qual vou lutar. Essa é a CBTH que tenho orgulho de hoje trazer a público.
Um abraço a todos e boa sorte para a Confederação em sua longa jornada.

Igor “Federal” Trafane
Presidente da Confederação Brasileira de Texas Holde’m.




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