EDIÇÃO 109 » MISCELÂNEA

Histórias do Poker: Brian Rast


Redação

Na mais nova seção da Card Player Brasil, os craques dos feltros revelam histórias curiosas que apenas o mundo do poker pode proporcionar. Na estreia, o atual campeão do Players Championship da WSOP, o norte-americano Brian Rast, fala sobre uma aposta maluca e as peculiaridades dos jogos high stakes que correm em Las Vegas.

 

Se o ano não começou bem para Brian Rast, os últimos meses têm sido fantásticos. Antes de vencer o Players Championship e embolsar mais de US$ 1 milhão, Rast se envolveu em uma aposta contra os excêntricos e milionários Dan Bilzerian e Bill Perkins, em que ele tinha que pedalar por 515 km de Las Vegas a Los Angeles, com apenas uma hora para descansar. 

 

Deram a Rast odds de 6-para-1 e apenas três dias de preparação. O problema é que, até então, ele nunca havia andando em uma speed, bicicletas leves e rápidas projetadas para percursos longos em asfalto.

 

Mas ele venceu a aposta e embolsou US$ 600.000, dinheiro que serviu para cobrir o rombo que os cash games do início do ano lhe trouxeram.

 

Brian Pempus: Como você decidiu fazer essa aposta?

 

Brian Rast: Dan veio à minha casa para fazermos um churrasco. Ele estava forçando há tempos essa aposta. Há um pano de fundo em toda história, como vocês sabem, ele fez a mesma aposta anteriormente com Bill Perkins, mas sua rota tinha o vento a seus favor, 50 km a menos e ele podia usar uma bicicleta reclinada. Eu até poderia ter feito algumas exigências, mas tendo odds de 6-para-1, é difícil reclamar de algo.

 

BP: Como você se sentiu ao vencer? E você aguentaria algumas milhas a mais?

 

BR: A sensação foi indescritível. E acredito que eu não possuía nada mais no tanque. Eu corri contra o vento, isso pesou muito. Se os ventos estivessem mais fortes, eu não teria terminado o desafio a tempo. Os últimos 20 minutos foram extremamente lentos.

 

BP: Você não caiu no sono nenhuma vez. As longas sessões de cash games foram benéficas nesse ponto?

 

BR: Sim. Várias vezes já fiz sessões de mais de 40 horas. No ano passado, joguei mais de 100 horas durante a WSOP.  Uma das coisas mais importantes é não cair da bicicleta quando está cansado. Isso é a pior coisa que pode acontecer.

 

BP: Por tudo isso que você falou, 6-para-1 parece bastante justo.

 

BR: Também acho. Eu estava tomando hidrocodona e tomei uma injeção de cortisona na estrada para dor e inflamação. Eu estava disposto a ter um colapso, mas iria até o final. Quando faltavam 50 km, por alguns instantes, cheguei a ter um ataque de pânico. Eu estava tomando beta-alanina, que fez meus dedos formigarem. Pensei que teria um ataque cardíaco. Foi assustador.

 

BP: Há alguns anos, você se comprometeu a fazer exercícios regularmente. Isso lhe deu confiança? 

 

BR: Se não fosse por isso, eu nem teria aceitado o desafio. Eu estou em forma, mas veja bem, isso é um exercício puramente aeróbico. Sua frequência cardíaca fica em algo como 140 BPM o tempo todo. Para fazer algo assim é preciso ser um atleta de nível mundial, então o preço foi bem justo.

 

BP: A WSOP começou como um verdadeiro freeroll para você então. 

 

BR: Eu não penso nisso como dinheiro para o poker, mas 600 mil é muito dinheiro, e eu não vinha tendo um bom ano nos cash games.

 

BP: Onde você estava jogando? 

 

BR: Eu tenho jogado mais ao vivo. Voltei a jogar online recentemente, mas apenas quando viajo. Graças a essa aposta, eu fiquei no zero a zero naquela época (antes da WSOP). Eu tenho jogado esses mixed games nosebleed, que é um jogo muito caro e com muita variância. O buy-in é de US$ 100.000 e todos os jogos tem antes, mesmo PLO. O jogo de Omaha é algo como $600-$600 com antes de $300, então é fácil de perder muito dinheiro de uma vez. E não há loucos que ficam jogando dinheiro no lixo nesses jogos. Por sorte, meu ano de 2015 foi maravilhoso. Ganhei muito nos cash games e ainda venci o Super High Roller Bowl, cuja entrada de $500 mil eu ganhei num satélite. 

 

Mas a verdade é que tive minha confiança abalada em alguns momentos neste ano. Eu me considero muito melhor que a maioria em controle de tilt, mas é impossível enfrentar um longo período de perdas e não ser levemente orientado pelo resultado. 

 

BP: Seus resultados na WSOP foram incríveis. A confiança é importante antes de uma série assim? 

 

BR: No poker, você é como um homem de negócios independente, então é muito importante estar se sentindo bem com o seu jogo.

 

BP: Esses jogos nosebleed de mixed games têm sido formados com frequência em Vegas?

 

BR: Uma ou duas vezes por mês, e quando acontece dura apenas dois dias. Marcus, um CEO de uma grande empresa; Mart Kirk, o “Aussie Matt”; Andrew Robl, eu e outro grupo de pessoas nos tornamos regulares, mas geralmente, o jogo só forma quando o Marcus vem para a cidade. Mas além das oito modalidades que jogamos, acrescentamos na rotação flips de US$ 10.000 de PLO.

 

BP: É divertido jogar 10 mil no meio da mesa e simplesmente ver o que acontece?

 

BR: A ideia é fazer o dinheiro girar. Se alguém estiver disposto a pagar um taxa extra de US$ 1.000, nós imediatamente fazemos outro flip. Terminado, a taxa aumenta para US$ 2.000 ou mudamos para o próximo jogo da lista. Temos várias regras peculiares em nossa mesa. O flip é uma maneira de alguém que está perdendo ganhar 70 mil ou mais em uma rodada de sorte. O dinheiro mudando de mãos é bom para o jogo. É bem comum que as pessoas, em cash games, façam flips de vez em quando, e PLO é mais divertido para isso do que hold’em.

 

BP: Além desses flips malucos e do próprio PLO, o que mais vocês jogam?

 

BR: Também jogamos no-limit hold’em, crazy Pineapple, PLO eight-or-better, pot-limit 5-card high double draw, pot-limit badugi, no-limit 2-7 single draw e pot-limit 2-7 triple draw.

 

BP: Nos dias de hoje é raro encontrar alguém que seja fraco em algum jogo?

 

BR: Ah, todos são fortes em alguns e fracos em outros. A verdade é que não há muitos jogadores que sejam bons em jogos como o 5-card high double draw e o badugi, simplesmente porque quase ninguém joga isso.




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Ano 10 - agosto, 2016

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