EDIÇÃO 103 » COLUNA INTERNACIONAL

Jogando de forma balanceada em Cash Games ao vivo

Coloque o adversário em situação complicada


Ed Miller
Jogar de forma balanceada é um conceito mal interpretado. Se você toma o mesmo tipo de ação com diferentes tipos de mãos — com mãos muito fortes, com mãos fortes, com valor, com draws, com blefes etc. — e na frequência certa com cada uma delas, você está balanceado. Ao jogar dessa forma, o adversário fica em uma situação complicada, já que as suas reações serão ótimas contra alguns tipos de mãos e desastrosas contra outras. Ter um range de mãos balanceado é um conceito fundamental para quem quer jogar no mais alto nível. 
 
No entanto, muitos têm dificuldade com essa questão do balanceamento em jogos mais baratos. Afinal, qual o sentido em ter um range balanceado em um jogo $1-$2 em que três jogadores vão de all-in em cada mão, sem sequer olhar as cartas? Bem, com raras exceções, não é isso que realmente acontece nos jogos $1-$2. Mas a pergunta permanece: para que balancear o nosso range se a maioria dos jogadores, nesses limites, não estão preocupados com o que eu estou representando?
 
Algumas pessoas dizem para ignorar essa ideia. Não tem sentido em balancear seu jogo em limites baixos. Na verdade, elas dizem que, nesse caso, balancear trará resultados contrários ao esperado. A melhor maneira de se jogar em uma mesa $1-$2 é ignorar o balanceamento de range e tentar tirar o máximo de vantagem das fraquezas de seus oponentes. 



Por um lado, estou de acordo com isso. Contra jogadores recreativos é muito melhor tentar explorar ao máximo as informações que eles lhe dão a preocupar-se em esconder as suas. Mas muitos jogadores que seguem esse conselho acreditam que podem apenas jogar o “ABC”, sem se preocupar em dificultar a leitura do oponente, que no final eles serão bem recompensados. Talvez fosse um bom conselho há dez anos, mas não hoje. Se você se tornar fácil de ler, mesmo os adversários fracos perceberão as suas jogadas e começarão a roubar potes de você e largar as piores mãos. Uma coisa é ignorar o balanceamento — não se preocupar se a sua frequência de apostas por valor e por blefe está correta. Outra coisa completamente diferente é jogar metade das suas mãos como se as cartas estivessem viradas para cima.
 
Perceba o que eu quero dizer. Jogando nos mesmo limites e contra os mesmos jogadores por muito tempo, você começará a perceber padrões praticamente imutáveis. Exemplos: ele acerta top pair em um bordo seco, aposta no flop, pede mesa turn e faz uma apostar por valor no river. Com flush draw, ele dá check-call no flop e no turn, mas quando o flush aparece no river, ele sai apostando com medo de perder valor.
 
Essas são situações que todos irão presenciar. E quando você se deparar com elas, será bem óbvio o que eles têm em mãos.  Você pode acreditar que isso lhe dá uma vantagem enorme, uma vez que, sabendo o que eles seguram, é possível fazer a jogada perfeita. Mas cuidado, toda a sua vantagem pode ir por água abaixo se você também agir de modo previsível. Seus oponentes não são amebas sem cérebros. Eles estão ali, jogando o mesmo jogo e vendo as mesmas jogadas que você. Eles podem jogar mais mãos do que deveriam e não entenderem situações complexas, mas em mãos desse tipo, que se repetem sempre, eles acabam percebendo o que está acontecendo. O que significa que eles também farão as jogadas perfeitas contra você. E é aqui que balancear o range entra.
 
Em situações comuns, em que todos “sabem” o que você tem quando joga de uma certa maneira, você precisa mixar seu jogo e jogar dessa certa maneira também com outras mãos. 
 
Vamos a um exemplo:
 
Você está em um jogo $1-$2 com $200 em seu stack. Um jogador entra de limp, e o button (BTN) faz tudo $10. Você paga no big blind com KJ, assim como o limper. Há $31 no pote.
 
O flop vem A T 3. Você e o limper pedem mesa. O BTN aposta $14. Apenas você dá call.
O turn é um 3, e você dois pedem mesa.
O river é um 9.
 
Apostando nessa situação, parecerá que você tem pelo menos um Ás. Se apostar pouco, a impressão é de que você tem um Ás com kicker baixo e quer extrair valor de uma mão como Q-Q. Se apostar forte, isso quer dizer que você acredita que seu adversário deu mesa no turn para controlar o pote, com um Ás, mas que sua mão é a melhor. Obviamente, você só tem K-high. Então, aqui, apostar muito ou pouco, como se você segurasse um Ás, balanceia seu range. 
 
Considerações finais 
 
Em limites mais baixos, tentar balancear seu jogo em cada river é perda tempo. Para fazer isso, primeiro é preciso encaixar onde sua mão entra em cada um dos cenários mais óbvios. Segundo, sua estratégia deve ser traçada para que, nessas situações, seu range esteja mais balanceado do que o dos adversários. É preciso ter algumas surpresas na manga. Se seu oponente espera um Ás, então tenha alguns blefes, trincas e dois pares no seu arsenal. Faça isso e consiga a verdadeira vantagem em seus jogos.


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EDIÇÃO 103

Ano 9 - fevereiro, 2016

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