EDIÇÃO 103 » ESPECIAIS

Bryn Kenney

Norte-americano falou sobre a exaustiva rotina de um regular dos MTTs ao vivo


Julio Rodriguez
O profissional Bryn Kenney é um andarilho do poker. Somente em 2015, o norte-americano passou por Las Vegas, Los Angeles, Dublin, Bahamas, Malta, Barcelona, Monte Carlo, Berlim, Londres e Melbourne. Simplificando: após dez anos, o veterano ama o poker como se ainda fosse um iniciante. 
O jornalista Julio Rodriguez, da Card Player, conversou com Kinney logo depois que ele fez duas FTs em high rollers do Aria Casino. Veja como foi o bate-papo:
 
Julio Rodriguez: Quero falar sobre o seu vice-campeonato no Evento 2: US$ 5.000 NL Hold’em da WSOP 2015. Como foi a sensação de ficar tão próximo de um bicampeonato na série?
 
Bryn Kenney: Eu estaria mentindo se não dissesse que foi muito dolorido. Eu enfrentei o adversário que eu queria no heads-up. Após eliminar alguns bons jogadores, cheguei ao duelo decisivo com uma vantagem de 7:1, porém não foi dessa vez. Honestamente, foi de partir o coração.
 
JR: O prêmio de US$ 287.870 serviu de consolo? 
 
BK: Eu fechei a última WSOP no vermelho. Mesmo com essa premiação, fiquei com um prejuízo de quase US$ 200 mil, justamente a diferença entre os prêmios para o primeiro e o segundo colocado no Evento 2. Isso acontece, especialmente quando você faz uma reta como a minha. Cheguei a disputar um torneio de US$ 111 mil.
 
JR: Quanto tempo você leva para se recuperar de uma derrota como essa?
 
BK: Eu fiquei cabisbaixo por algumas horas, mas não demorei muito para jogar o meu próximo torneio. Se você tem os high stakes como profissão, você precisa ser esperto o bastante para se lembrar de que isso é apenas um jogo. Quando eu estou jogando, o meu objetivo é ficar com todas as fichas, uma mão de cada vez. A partir do momento que você pensa no quanto perdeu ou no prêmio que pode conquistar, você enfraquece o seu jogo. 
 
JR: Além de jogar os eventos mais caros do mundo, você não esquece os torneios de US$ 500. Poucos profissionais fazem isso com a mesma intensidade que você. Por quê?
 
BK: Só porque jogo eventos de seis dígitos não significa que eu sou bom o bastante para evitar os campeonatos low stakes. Isso me ajuda quando eu estou perdendo. Alguns profissionais preferem se afastar dos feltros em fases ruins, mas eu quero voltar ao pano o mais rápido possível. Esses torneios baratos pagam muito bem. Muitas vezes eles salvam as viagens. 
 
JR: Os high rollers de US$ 25.000 estão cada vez mais populares, algo que muitos diziam que não iria acontecer. Fale sobre isso
 
BK: Penso que vai continuar assim por um bom tempo. Há alguns amadores no field, o que é muito bom para o poker. Ao mesmo tempo existem muitos profissionais que pensam que vão se sair bem porque enfrentam oponentes mais inexperientes. A verdade é que se você não é um dos melhores do mundo, você eventualmente vai encontrar alguém que é, e você será superado. Qualquer vantagem que você imagina que tenha contra os amadores não servirá para nada. 
 
FR: Você sempre joga muito bem no Super High Roller do PCA. Depois de conquistar a medalha de bronze em 2011 e 2015, neste ano o troféu foi parar em suas mãos. 
 
BK: Esse título foi a minha redenção. Ganhar depois de bater duas vezes na trave foi muito bom. Eu senti que eu precisava vencer, até mais do que eu gostaria. Todos os meus blefes passaram. Acho que joguei o melhor que eu poderia jogar.
 
JR: Você está jogando o melhor poker de sua carreira?
 
BK: Eu estou bem confiante com o meu jogo, mas já passei por alguns momentos ruins. Quando eu estou jogando como agora, eu sinto que eu estou entre os melhores do mundo. O segredo é ser capaz de jogar em alto nível todos os torneios, todos os dias, mesmo quando o baralho não colabora.
 
JR: Você basicamente está vivendo fora de casa, com viagens para os high rollers a cada duas semanas. Você fica quieto por alguns dias? 
 
BK: Eu estou viajando desde a Black Friday. A exceção do Natal, quando visitei a minha família em Nova York, eu realmente ainda não tirei férias. Mesmo quando eu consigo descansar por alguns dias, eu estou viajando para algum lugar. Eu quero ser o melhor jogador de MTTs ao vivo do mundo. É por isso que eu jogo essa quantidade de eventos.
 



NESTA EDIÇÃO



A CardPlayer Brasil™ é um produto da Raise Editora. © 2007-2018. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo deste site sem prévia autorização.

Lançada em Julho de 2007, a Card Player Brasil reúne o melhor conteúdo das edições Americana e Européia. Matérias exclusivas sobre o poker no Brasil e na América Latina, time de colunistas nacionais composto pelos jogadores mais renomados do Brasil. A revista é voltada para pessoas conectadas às mais modernas tendências mundiais de comportamento e consumo.

Sede: Rua Stela de Souza, 54 - Sagrada Família - Belo Horizonte/MG - CEP: 31030-490
contato@cardplayer.com.br
31 3225-2123
LEIA TAMBÉM!×