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André Akkari - A Trajetória de um Campeão (Parte II)


31/05/2012
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Depois do sucesso da primeira parte da entrevista de André Akkari, a Card Player Brasil traz o esperado final do depoimento do nosso campeão mundial, em que ele fala sobre o PokerStars, filhas e um futuro grandioso para o esporte mental no País.
Confira:

Sendo um ídolo, é normal que várias pessoas queiram seguir os seus passos. O que você diria para elas? Existem atalhos?

Eu diria que não tem almoço grátis. Já falei várias vezes e espero que cada vez mais as pessoas acreditem nisso e entendam o que significa. Não tem sucesso sem sofrimento. É preciso estudar muito. A batalha do poker é o estudo. Não tem outro caminho. E ainda existem outros aspectos que você precisa se preocupar: vida tranquila para que sua cabeça esteja sempre arejada para jogar o “A-Game”, administração de bankroll, para não passar aperto, parte física, que vai fazer diferença mais cedo ou mais tarde.

Fora isso, você vai ter que se dedicar muito: entender a técnica, ver como o jogo funciona, saber a dinâmica da mesa, os padrões dos seus adversários, entender cada jogada, desde o pré-flop, passando pelo flop, turn e river. Saber que cada jogada irá variar de acordo com a modalidade que você está jogando. Uma ação lucrativa em torneios multi-table (MTT), pode não ser boa em um sit ‘n go (SNG) ou em uma mesa cash game.

Família Akkari


O poker é extremamente técnico. Para você ter ideia, eu agora estou contratando três profissionais para dar coaching para o meu time de poker. Veja bem, além de eu já dar treinamento, eu estou contratando três caras que, toda semana, vão analisar todas as mãos que eles jogarem. Assim, podemos corrigir deficiências no jogo de cada um. Então, se você não faz parte de um conjunto desses – Akkari Team, Steal Team, Time 4bet... – a sua missão ainda é mais árdua. Você precisará estudar e buscar material sozinho. Sem um enorme esforço, sem correr atrás, não há como obter sucesso.

Mas existe o outro lado do poker: o hobby. A brincadeira, diversão. Aí não precisamos estudar nada mesmo. O intuito é se divertir. Eu jogo futebol toda terça-feira, mas nunca vou esperar ganhar dinheiro com isso. Essa é a grande sacada do poker, como nos outros esportes, temos dois lados, o profissional e o recreativo.

Hoje, seu nome também é sinônimo de empreendedorismo. No futuro, há perigo do lado empresário “devorar” o lado jogador?

Isso não tem como acontecer. É uma preocupação pessoal minha. Eu me planejo o máximo possível dentro dos meus limites intelectuais para que isso não aconteça. Eu me cerco de pessoas de confiança que vão me ajudar a tocar meus negócios e, cada vez mais, eu venho deixando meu lado jogador mais bem preparado – me dedicando a assistir vídeos, pegar coachings, a entender o jogo. Então, eu tenho certeza que isso não vai acontecer.

Planejamento é o segredo. Eu não misturo as coisas. Primeiro, eu me foquei no jogo e construí minha carreira no poker. Depois disso, fica muito mais fácil de planejar um investimento empresarial.

Falando em investimentos, e o Master Minds? Tem gente dizendo que será o UFC do poker...

Nós fizemos com essa intenção, nos apoiando em três bases. O primeiro pilar era fazer com que as atividades dentro do Master Minds provassem que o poker era um jogo de habilidade. Esta era a nossa primeira missão: provar que com estudo, técnica e investimento, os melhores ganham; e demonstrar para as pessoas que participassem e visitassem o evento que o poker é um esporte.

Os segundo pilar era celebrar o espaço conquistado pelo poker no mercado brasileiro e mundial. Nós pretendemos passear com o Master Minds pelo mundo, então teríamos que ter um evento à altura.

Deputado Federal Walter Feldman e André Akkari na abertura do Master Minds.


O terceiro pilar era mexer com as pessoas, com as suas mentes.  Queríamos fazer com que quem participasse tivesse uma experiência diferente. Planejamos ações, dentro do evento, que mudariam o conceito básico sobre um torneio de poker – e conseguimos.

Atingimos nossas metas no Master Minds I, mas ainda foi um evento experimental. Fizemos para saber qual seria a reação do público. E foi tudo fantástico. Já há uma grande expectativa para o Master Minds II. Estamos definindo o local e os patrocinadores, para que, esse segundo evento, seja um sucesso ainda maior. Dessa maneira, eu tenho certeza que o poker vai explodir de vez, não só no Brasil como no mundo.

As pessoas querem se atrelar a um jogo de inteligência, uma coisa mental e não um jogo de cartas. E é disso que o poker trata, da mente, e nós conseguimos dar corpo a essa ideia através do Master Minds.


Você acha que o poker pode tomar proporções semelhantes ao futebol? Quer dizer, o futebol é insuperável no País, mas falando em patrocínios, apoio... No futuro, nós veremos mais jogadores não precisando manter aquele ritmo insano de jogo (porque ele terá um salário garantido no final do mês)? Veremos bancos, multinacionais e empresas de fora do poker promovendo eventos e coisas do tipo?

Com certeza, é com isso que estamos trabalhando. Queremos que, cada vez mais, empresas de renome e multinacionais apoiem diversos tipos de práticas esportivas. Que elas vejam, no poker, benefícios que outras atividades não têm.

No poker, as pessoas que viajam bastante, rodam o mundo. Parte delas, um grupo pequeno, porém atuante, tem poder aquisitivo alto, portanto são pessoas que consomem e que adoram o jogo. O poker tem tudo para cair na graça dessas empresas e para desenvolver os seus produtos. Sendo assim, os profissionais vão ser beneficiados, porque as marcas vão querer se relacionar com profissionais bem sucedidos, com pessoas com a cabeça boa, que tratam o esporte com respeito e que façam com que uma empresa, vinculando seu nome a ele, faça seu produto chegar aos fãs e admiradores.

Então, eu tenho certeza que isso vai acontecer. Em um futuro bem próximo, mais próximo que a maioria espera. Existem muitas empresas sondando o poker, querendo dar seus primeiros passos dentro do esporte, acabando com aquele preconceito que o jogo é azar. Estão vendo o lado bacana da coisa. Cada vez mais nos vamos ver marcas entrando e profissionais bem sucedidos. Isso facilita demais a vida de quem joga poker, ter um patrocínio. É assim no futebol, no tênis... Imagina o Federer e o Nadal sem a Nike? Tudo isso facilita demais a vida desses caras, e com o poker será a mesma coisa. Se um bom jogador apenas jogar, ele vai viver bem e construir seu patrimônio, mas, no geral, acaba facilitando a vida de todo mundo.

No Brasil, não dá para fala de PokerStars sem falar de André Akkari. Saiba um pouco mais sobre esse relacionamento.


Para finalizar, você poderia deixar um recado para todo que acompanhou a entrevista?

Primeiro, eu queria dar os parabéns para todos os envolvidos. Porque se você está lendo esta entrevista é porque já faz parte da comunidade ativa. E se já faz parte é porque lutou bastante para o nosso esporte alcançar esses status que alcançou hoje. Parabéns a todos. Desde as empresas envolvidas com poker até quem joga, gosta, que faz aquele discurso defendendo o esporte para amigos, parentes. Todos nós temos nossa parcela de contribuição.

Meu segundo recado é para vocês pensarem o que querem no poker. Isso é o diferencial das pessoas de sucesso: você saber o que quer. Se for um hobby, jogue brincando. Se você quer ser realmente um profissional, estude muito, se dedique, porque, no final, o poker é justo e recompensará o seu esforço.

Leia também a Parte I



Marcelo Souza

O editor da revista Card Player Brasil se considera um sujeito humilde e trabalhador, mas há controvérsias. Acredita ser um gênio dos fantasy games.


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