EDIÇÃO 98 » MISCELÂNEA

Jogos Mentais: Entre Bad Beats e Variâncias

Com Jacob Bazeley, Bertrand Grospellier e Marvin Rettenmaier


Craig Trapscott
Diferentes pontos de vistas, uma mesma situação. A complexidade do poker impressa em algumas páginas. Nesta edição, dois pesadelos que assolam quaisquer profissionais: as bad beats e as downswings (fases ou períodos de perdas).
 
Você está no poker há muitos anos, e alcançou grande sucesso. Você já passou por grandes períodos de perda? Como lidar com isso?
 
Jacob Bazeley: O poker pode ser um jogo excruciante para muitas pessoas, mentalmente falando. Não sofro com as perdas como os outros, simplesmente porque não levo poker tão seriamente como levava o basquete. Quando meu time perdeu o campeonato da Divisão de Ohio em 2001, aquilo doeu mais do que qualquer perda que já sofri no poker.
 
Mentalmente falando, sou uma pessoa muito forte quando estou em uma fase ruim. Não cresci em uma família rica, então posso lidar com a falta de dinheiro. Tenho fé no meu jogo e no conceito geral do poker.  Sentar no sofá e ficar reclamando de como as coisas estão dando erradas para você, não lhe ajudará em nada. Coloque volume e você terá resultados.Ganhar dinheiro jogando poker é maravilhoso. Prefiro ser um jogador “quebrado” a trabalhar nove horas por dia em um emprego qualquer. 
 
Quando passamos por período de perdas, é essencial manter o equilíbrio. Não fique recluso. Poker não é tudo na vida.
 
Bertrand Grospellier: Lidar com a variância pode ser difícil. A primeira downswing sempre é mais difícil. O motivo é simples: você não está completamente ciente do que realmente é a variância do jogo e da maneira como ela é cíclica. É fácil achar que você está perdendo porque está jogando mal.
 
A pior parte de passar por essas situações é que sempre ficamos um pouco para baixo. Jogadores que afirmam que os resultados não afetam a maneira como eles jogam são mentirosos ou loucos. Como profissionais, temos que procurar melhorar nosso jogo o tempo todo, mas se a confiança está lá embaixo, como é possível jogar o seu “A-game”?
 
Há momentos que você irá acertar todos os bordos, que seus blefes passarão e matemática ficará ao seu lado. Por outro lado, algumas vezes, mesmo fazendo a melhor jogada possível, você sofrerá duras perdas. Quando isso acontecer, o importante é manter uma vida equilibrada. Isso alivia a variância. Para mim, o que ajudou foi começar a meditar. Há 18 meses venho fazendo isso e posso dizer que tenho jogado o meu melhor poker.
 
Marvin Rettenmaier: Quando se trata de poker ao vivo, a variância pode ser bem cruel. Se eu ficasse um ou dois anos sem ganhar nada grande, isso poderia me afetar. Algo que me ajudou muito foi ler o livro The Mental Game of Poker, de Jared Tendler. Ele me ajudou a trabalhar vários aspectos do meu jogo, principalmente no que diz a respeito entender melhor a variância.
 
Hoje, eu realmente não me importo em perder, já não tenho mais pressão financeira. Desde que eu esteja jogando bem, tomando as decisões certas, fico tranquilo com quaisquer que sejam os resultados. 
 
 
Quando você toma uma bad beat em momento crucial do torneio, como você se recompõe e voltar jogar o A-game?
 
Jacob Bazeley: Levar uma bad beat em um momento chave é a pior sensação do mundo, principalmente em uma mesa final. Se eu ainda fico com fichas, lido de uma maneira diferente de quando sou eliminado. Com fichas, eu só penso em recuperar o foco imediatamente. São poucas as vezes que chegamos a mesas finais, então não podemos desperdiçar nem a menor das chances. Grandes viradas acontecem sempre no poker, então pense nas fichas que ainda lhe restam e em jogar o seu melhor com elas. Quando sou eliminado, pego meu prêmio, procuro o bar mais perto e peço uma cerveja. Você não pode fazer nada contra as bad beats, apenas tentar esquecer. 
 
Bertrand Grospellier: Lidar com bad beats pode ser complicado, especialmente em momentos cruciais. Elas fazem parecer que a vida é injusta e que estamos sendo punidos por jogar bem. Honestamente, eu fico muito mal quando sou eliminado de torneios, mesmo quando não sofro uma bad beat. Mas desde que eu ainda tenha fichas no meu stack, eu consigo me manter focado. Tenho experiência o bastante para saber que é isso que difere os jogadores medianos dos bons. 
 
É verdade que quando caio de um torneio, meu humor não fica dos melhores. Fico por umas boas horas me sentindo mal. Mas basta eu sair com os amigos ou com a minha namorada que já começo a me sentir melhor. Quero dizer, cada um é cada um. Você tem que descobrir o que funciona para você. O poker é como a vida, tem altos e baixos. O que a derrota faz é deixar a próxima vitória mais doce.
 
 
Marvin Rettenmaier: Eu acho que é normal para a maioria dos jogadores evitarem decisões difíceis depois de uma bad beat. Às vezes, leva alguns minutos para que nossa mente se recupere. Nesse tempo, converso comigo mesmo e tento entender essa nova situação: “Vamos lidar com isso e dar o nosso melhor”. Na maioria das vezes, uma bad beat não afeta meu jogo. O que realmente me deixa mal é errar.
 
Bad beats podem me fazer sentir mal por algumas horas e não querer outras pessoas por perto naquele momento, mas tudo que eu preciso é ficar comigo mesmo um pouco. No final, elas não me afetarão em nada.
 
 
SOBRE OS JOGADORES
 
Jacob Bazeley
Jogou na 2ª divisão de basquete universitário pela Universidade Christian Brothers de Memphis. No ano passado, ganhou o evento principal do Circuito Harrah’s da WSOP. Recentemente, terminou em terceiro lugar no evento do WPT ShootingStar. Tem mais de US$ 2,5 milhões em premiações de torneios.
 
Bertrand Grospellier
É um dos jogadores mais bem-sucedidos dos últimos oito anos. Em 2008, ele venceu  o EPT PokerStars Caribbean Adventure por US$ 2 milhões. “ElkY” tem mais de US$ 10 milhões acumulados em premiações e é um dos membros mais antigos do time de profissionais do PokerStars.
 
Marvin Rettenmaier 
Em 2012, venceu o WPT Five Star World Poker Classic. Tem mais de US$ 4,8 milhões de ganhos em torneios e é reconhecido como um dos jogadores mais temidos do circuito mundial.
 



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EDIÇÃO 98

Ano 9 - setembro, 2015

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