EDIÇÃO 86 » COLUNA NACIONAL

A arte da guerra aplicada ao poker

Mãos decisivas contra adversários desconhecidos


Fábio Eiji
“Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece, mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha, sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas” 
(Sun Tzu, “A Arte da Guerra”)
 
O poker é um jogo que consiste em um constante processo de informações. Acontece que, principalmente em torneios, raramente temos informações completas ou até mesmo suficientes sobre nossos adversários. Quantas vezes somos obrigados a jogar mãos decisivas contra jogadores os quais nunca ou pouco enfrentamos antes?
 
Estrategicamente falando, grandes blefes ou calls heroicos contra jogadores que pouco conhecemos deveriam ser evitados; porém, nem sempre é uma questão de escolha. Há vários exemplos corriqueiros. Veja um deles:
 
Você está em posição intermediária, tem 50 big blinds no seu stack e recebe Q-Q. Depois de abrir raise, o jogador desconhecido no cutoff faz uma 3-bet. Qual a melhor linha a se adotar aqui? 4-bet/call? Flat-call e jogar pós-flop? E em que tipos de flop ou turn devemos desistir? 
 
Vamos supor que um amigo seu foi eliminado de um torneio decidindo pelo 4bet/call pré-flop. O que você dirá a ele? Um equívoco muito comum de jogadores menos preparados está em classificar como “padrão” determinadas jogadas, baseando-se apenas na mão que seguramos. Essa jogada, por exemplo, não seria “padrão” em vários cenários, enquanto em outros, podemos ficar tranquilos, pois enfrentamos um cooler.



Mas o que muda? O perfil do jogador que enfrentamos.

Mesmo com poucas informações sobre um jogador, em poucas órbitas já podemos ter uma boa ideia sobre suas tendências pré-flop, que, em grande parto dos casos, são também as tendências pós-flop. 
As definições mais básicas sobre o perfil dos jogadores são as seguintes:
 
1. Em relação à seleção de mãos: 
a) TIGHT – aquele que é mais criterioso ao escolher as mãos e situações em que colocará seu dinheiro.
b) LOOSE – aquele que joga mais mãos e situações.

2. Em relação ao comportamento:
a) AGRESSIVO – aquele que joga as mãos de maneira agressiva, geralmente apostando ou fazendo raises, mais do que dando calls.
b) PASSIVO – aquele que se sente mais confortável dando limps ou pagando raises.

Resumindo, um jogador pode ser tight e agressivo (TAG); tight e passivo (TPA); loose e agressivo (LAG); e Loose e Passivo (LPA). 
 
Ajustando-se contra cada perfil

Todas as situações dependem de diversos fatores e cabe ao jogador avaliar cada elemento antes de fazer o ajuste. A seguir, darei algumas dicas de como se ajustar a cada perfil, sem esquecer que tamanho de stacks e posição, além de nível de jogo de cada um, não podem ser ignorados ou subestimados. Há ainda o elemento da nossa própria imagem à mesa, mas isso já é assunto para um outro artigo.

O jogador mais difícil de se enfrentar, principalmente estando fora de posição, é o LAG. Ele tem tendências a jogar mais mãos e agressivamente, portanto, estará constantemente nos colocando em decisões difíceis, mesmo sendo seu nível técnico inferior. Contra esse tipo de jogador, devemos ter um range de raise mais tight e, quando possível, podemos apenas dar call em mais mãos que o normal.

Os passivos, de maneira geral, são fáceis de enfrentar e geralmente tratam-se de jogadores pouco qualificados.  Contra esse perfil, há de se evitar grandes blefes. Ao mesmo tempo, podemos aumentar consideravelmente nossas apostas por valor, colocando mais thin values no nosso arsenal, como aquele top pair com kicker médio que não apostaríamos contra um jogador competente, mas podemos fazer uma aposta pequena contra um jogador passivo. E o principal: não há necessidade de sermos heróis contra esse tipo de jogador. Quando um jogador passivo faz uma jogada muito agressiva, há algo errado na mão. Esteja preparado para grandes folds.



Ajustar-se ao jogador TAG dependerá muito mais de seu nível técnico. Há jogadores TAGs muito bons e outros ainda em fase de desenvolvimento. De maneira geral, estando com stacks deep, podemos dar muitos calls em posição com mãos marginais pois, contra esse perfil, erraremos pouco pós-flop e teremos boas implied odds — considerando que o range de um jogador TAG costuma ser forte. 
 
Então, o que fazer com aquele Q-Q?
Agora que temos uma boa ideia das tendências de cada perfil, qual seria a melhor linha a se adotar? 
Voltando ao exemplo: o herói tem 50 bbs efetivos e abre 2,5x, com Q-Q, em MP. O vilão, no CO, faz uma 3-bet pra 7x. 
 
Contra um jogador LAG e competente, podemos assumir que a 4-bet/call é a melhor linha. Quanto mais competente o vilão, menos ele vai errar pós-flop, e muitos são os bordos que nos obrigarão a desacelerar, principalmente fora de posição. 
 
Caso o vilão seja TAG, consideramos que seu range de 3-bet é mais forte. Portanto, dar apenas call parece a melhor opção, mesmo que isso nos obrigue a sermos cautelosos pós-flop. Aqui, escolhemos dar call “por eliminação”, já que a 4-bet/call contra um jogador tight e com esses stacks, geralmente, não o induzirá a ir de all-in com mãos muito piores do que Q-Q.
 
Quanto ao passivo, quando esse tipo de jogador faz uma jogada agressiva, é preciso ficar atento. No exemplo, o vilão fez 7x. Geralmente, um jogador LPA faz raises menores, o que nos dá mais espaço para 4-bet que extrairiam valor das mãos que pagam essa 4-bet. Agora, independente do tamanho do raise, quando o jogador for TPA, é preciso ser muito mais cauteloso. O melhor é fazer é dar call e tentar controlar ao máximo o pote para evitar grandes erros.


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EDIÇÃO 86

Ano 8 - setembro, 2014

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