EDIÇÃO 76 » COLUNA NACIONAL

Dicas Valiosas para Pot-Limit Omaha - Parte II


Felipe Mojave

Nessa edição, vou dar algumas dicas para executar, com sucesso, o check-raise, no flop, em pot-limit Omaha.

Em geral, sabemos que essa jogada pode ser realizada por diversas opções, mas basicamente por valor ou blefe, claro. Parece meio óbvio, mas não é. Muitos jogadores aplicam o check-raise PLO, mas, mesmo depois de analisar a mão, não dá para saber se objetivo era ganhar fichas ou fazer com que oponente desistisse. Esse é apenas um dos motivos que torna o PLO um jogo mais técnico que o no-limit hold’em. Seu entendimento é bem mais complexo.

Lembre-se que o check-raise, se bem executado, é uma jogada bastante lucrativa.

Para entender o que eu quero dizer, vamos analisar alguns cenários:

CENÁRIO 1


Você possui AJ109 e deu o call no small blind em um raise de três big blinds feito por um jogador que mixa bastante o jogo. Aqui você está fora de posição, mas dar o call no SB é ok, principalmente com uma mão boa o bastante para ver o flop, mas não tão boa para uma 3-bet — já que isso alavancaria o tamanho do pote, o que não pode ser bom frente a certos tipos de oponentes e determinados tamanhos de stacks.

Vamos supor que ambos os jogadores têm 100 big blinds e o flop vem 10 9 5. Você pediu mesa com top-two pair (os dois maiores pares) e seu oponente apostou cinco bbs.

É comum ver os jogadores aplicarem o check-raise nessa situação e, em geral, é um grande erro. Percebam que o bordo contém draws para flush e sequências, e que nós não possuímos nenhum desses. Você tem uma mão de valor e a jogada faria seu oponente dar fold em uma mão mais fraca.

Outro ponto: se o seu oponente decidir continuar na mão, existem muitas cartas no turn que vão atrapalhar a sua vida — quaisquer cartas de copas, K, Q, J, 8, 7, 6. Ou seja, quase metade do baralho. Isso pode fazer com que você desista com a melhor mão ou pague uma aposta no turn para tentar acertar o seu full, o que não é uma jogada lucrativa.

CENÁRIO 2

Vamos inverter a situação e imaginar que agora você tem um draw com A J 7 2, no mesmo bordo do Cenário 1. Nesse caso, se o seu oponente estiver blefando, ótimo, já que você ainda não tem uma mão formada. Aqui, forçar o fold é uma jogada excelente, já que, matematicamente, você não seria favorito contra várias mãos de valor. E mesmo que o oponente dê call, sua jogada tem bastante equidade, pois você acertará o seu flush ou a sua sequência em aproximadamente 40% das vezes.

No caso do adversário responder o check-raise com outro raise, aí você tem diversos pontos para observar e a decisão pode variar entre call, fold ou raise.



CENÁRIO 3

Agora vamos analisar a mão somente por valor. Você tem 6788 e dá call no big blind. O flop vem A 8 4. Nesse caso, temos middle-set (segunda maior trinca) e um gutshot (broca) para o nut-straight (sequência máxima). Aqui, o check-raise é totalmente por valor, mas também serve para inibir que seu oponente jogue draws ruins que, ainda assim, têm boa equidade para ganhar a mão. Por exemplo, KQJ8, em que o seu oponente tem um par, flush draw em Dama e algumas possibilidades de redraw para straight e até mesmo para o full.

De qualquer forma, se você encontrar bastante resistência nesse tipo de mão, considere que seu oponente pode ter uma trinca maior e jogue com mais cautela.

CENÁRIO 4

Aqui vamos considerar apenas o check-raise como blefe. Algumas texturas de bordos serão propícias para a continuation-bet (c-bet), ou seja, o seu oponente vai apostar no flop pelo fato de ter posição. Exemplos: três cartas do mesmo naipe, cartas dobradas, três cartas que completam um straight etc. Nesses casos, o check-raise como blefe, quando você não conectar com o flop, vai funcionar muito bem contra os oponentes mais agressivos.

Outra dica importante: aplicar essa jogada quando segurar blockers, cartas-chave que inibem o seu oponente a continuar na mão, pois ele dificilmente ele terá o nuts. Por exemplo, você tem J-J-T-8 e o flop veio 8-9-T. Aqui, para seu oponente ter uma mão forte, no geral, ele precisa ter um J, mas como você possui dois, as chances de ele ter alguns dos outros dois Valetes são reduzidas.

Outro exemplo de blocker seria você segurar o A em um bordo com três cartas de copas. Você não tem o flush, pois não tem outra carta de copas na mão, mas sabe que o seu oponente também nunca terá o nut-flush, pois o A está com você. Em casos assim é bem comum que o check-raise funcione.

Espero que vocês tenham curtido este artigo e boa sorte nas mesas.




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