EDIÇÃO 54 » COLUNA INTERNACIONAL

Dando Check Com Uma Ficha

Carne vermelha para um leão faminto


Dusty Schmidt
Você já ouviu falar em dar check usando uma ficha? Isso não acontece com muita frequência, mas é uma das minhas jogadas favoritas. E pode ser uma forma interessante de chegar ao showdown ou de conseguir muita informação gastando pouco.

A ideia é bem direta. Em no-limit hold’em, quando o pote for mediano ou relativamente grande, você estiver fora de posição e pedir mesa for a jogada padrão a se fazer, às vezes vale a pena fazer uma aposta fraca (geralmente, o valor mínimo) em vez de dar um check óbvio. Contanto que o pote seja razoavelmente grande em relação ao tamanho da aposta, quase não há risco adicional. Sem falar que você terá algumas vantagens:

Seu oponente pode dar fold diante da aposta mínima. Se, digamos, você tiver uma queda que não bateu, mas seu oponente tiver uma queda que não bateu ligeiramente melhor, fazê-lo desistir com uma aposta mínima é uma grande vitória.

Ele pode dar apenas call com uma mão que teria apostado pelo valor se você tivesse dado check. Neste caso, sua aposta mínima funciona como uma blocking bet.

Talvez ele entenda que a sua aposta mínima seja uma demonstração de fraqueza e dê raise blefando. Contra alguns jogadores, uma aposta leve induz um blefe com mais frequência do que um check. Se você quiser que seu oponente blefe, esse pode ser um caminho.



Dê uma olhada neste exemplo de “check com uma ficha”:

Vamos supor uma mesa $5-$10 de no-limit. Você recebe AJ no big blind, seu oponente dá raise do button para $440. Todos dão fold, e você paga do big blind.

O pote é de US$85 e vocês veem o flop em heads-up, cada um com um stack de 100 big blinds. O flop vem 6JQ. Você sai apostando US$60, seu oponente paga. Com US$205 no pote, o turn traz um 2 e você aposta de novo no turn, US$150, e ele dá call.

O river traz um 3, e você agora está em uma situação muito traiçoeira. Seu oponente pode ter várias mãos, e as suas opções naturais não parecem muito boas. Se você fizer disparar dois terços do pote no river, essa aposta pelo valor pode se voltar contra você, já que existe uma real possibilidade de o oponente ter uma mão melhor.

Se você der check no river, e seu oponente apostar, você não faz ideia se ele tem uma queda que não bateu, como K-T, T-9, ou uma queda para flush. Ele também pode estar apostando pelo valor com uma mão do tipo top pair, que derrota, por pouco, seu segundo par com top kicker. Você pode até tomar a decisão certa ao dar ou call ou fold, mas certamente não será uma escolha feita com muita confiança.

Mas, e se você simplesmente apostar US$10 no river?  Se uma mão como K-Q lhe pagar, só perde um big blind. Se ele der call com uma mão pronta pior, provavelmente teria dado check no river se você tivesse feito isso também, ou fold diante de uma aposta de dois terços do pote. Nesses casos, você acaba ganhando US$10.

Levando em conta a ação na mão até agora, é muito pouco provável que seu oponente esteja fazendo slowplay com um monstro. Com um bordo tão cheio de quedas, os jogadores raramente fazem isso. A parte forte da gama dele ser algo como K-Q ou Q-T.  É pouco provável que mãos assim deem raise pelo valor. Portanto, se você tomar raise depois de apostar uma ficha no river, é quase certo que ele tem uma dessas quedas que não bateu. Neste caso, você deve estar ganhando. Dê call, ainda que seja em um all-in.



Há quem argumente o seguinte: contra uma aposta de uma ficha no river, alguns jogadores muito bons das mesas mais caras darão raise pelo valor com uma mão como K-Q. Mas é bem provável que, se você tivesse dado check no river, ele apostasse pelo valor com algo como K-Q do mesmo jeito. Considerando o grande número de quedas que não bateram com as quais ele pode estar blefando no river, seria dificílimo conseguir um fold. Além disso, poucos jogadores são capazes de dar esse raise. Ao se deparar com um deles, você pode tomar iniciativa com mãos como trincas e dois pares, e esperar como resposta um raise light pelo valor.

Como eu disse, usar uma ficha para extrair valor ou conseguir informação é uma das minhas jogadas favoritas. Por acontecer no river, ela se torna muito mais valiosa do que outras nas quais o pote é menor. Quando a ação terminar, o pote estará entre médio e grande. A menos que você esteja enfrentando os melhores do mundo, essa é uma jogada vantajosa.

Quase nunca você pagará uma aposta alta no river quando estiver perdendo. E ainda terá a chance de ganhar um pote bem grande, pois a maioria dos oponentes simplesmente não consegue se render diante de uma ficha apenas. É como carne vermelha para um leão faminto. Ele avançará com raises, talvez até um all-in, usando a maior parte da sua gama, com exceção das mãos que você derrota. E o pote só cresce se você quiser. Esta é a beleza da jogada.


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EDIÇÃO 54

Ano 5 - janeiro, 2012

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