EDIÇÃO 51 » ESTRATÉGIAS E ANÁLISES

Quatro Dicas Para o Turn


Ed Miller

Em uma mão de no-limit hold’em, as primeiras grandes apostas frequentemente acontecem no turn. Apostas no flop geralmente são pequenas demais para se dar call com uma mão especulativa em uma estratégia do tipo “vai que bate”. No turn, a menos que as pessoas estejam fazendo apostas bem pequenas, essa estratégia se torna muito cara. E devido a um princípio chamado de “alavancagem” (leverage), as apostas do turn se tornam ainda maiores.

Pagar uma aposta no turn não leva você ao showdown, mas apenas ao river, onde talvez você precise pagar uma aposta ainda maior. Por exemplo, se alguém tem um stack de $500 e dispara US$150 no turn, ele está dizendo: “são US$150 agora, e no river podem ser mais US$350”. Isso faz com que as apostas no turn pareçam maiores do realmente são.

Na prática, porém, muitos jogadores erram na hora de jogar a quarta e a quinta cartas, e não entendem direito como funciona a alavancagem. Confira quatro dicas para o turn que lhe ajudam a tirar proveito dos erros dos adversários:

Dica N° 1: Se tiver posição no turn, dê call com mãos marginais usando uma estratégia do tipo ‘vai que bate’.
No início do artigo eu disse que uma estratégia “vai que bate” no turn é cara demais. Agora estou dizendo que você deve jogar utilizá-la. E aí?

Essa estratégia “vai que bate” no turn fica cara por causa da alavancagem. Você não pode sair pagando apostas no turn de qualquer jeito, sabendo que seus oponentes frequentemente lhe atacarão com apostas fortes no river. O truque é que a maioria dos jogadores não joga nada bem no river. Eles são muito passivos, raramente blefam e só apostam quando têm mãos fortes. Essa tendência torna a alavancagem deles no turn inútil, pois você não tem mais muito a temer com uma aposta no river. Muitas vezes seus oponentes darão check. Quando eles apostarem, ou pelo menos quando apostarem alto, você estará diante de um monstro e poderá dar fold.

É possível tirar proveito dessa passividade dando call no turn com mãos como pares, com os quais vale a pena chegar ao showdown, e até mesmo com straight ou flush draws. Você deve pagar com pares quando achar que há uma boa chance de seu oponente estar apostando com um draw ou um par mais fraco. Se ele der check no river, você dá check também. Sob essas mesmas condições, você poderia pagar com draws, mas a ideia é blefar forte no river caso não complete sua mão e o oponente dê check.

Se ele fosse mais agressivo no river, esses calls marginais não valeriam a pena. Muitas vezes você simplesmente seria forçado a dar fold diante de um all-in no river. Mas oponentes passivos permitem que você jogue de forma mais flexível e leve potes que, teoricamente, não seriam seus.

Dica N° 2: Se não estiver disposto a apostar no river, dê check no turn com draws
Esta é uma consequência da dica anterior. Não seja aquele cara que fala grosso no turn e se acovarda no river.

Talvez você tenha ouvido um jogador reclamar que fulano não dá fold. “Você deveria ter dado fold quando apostei no turn!”, é o que ele vai dizer quando seu draw não bater e alguém puxar um pote grande com par mais baixo.

Um jogador que dá um call como esse provavelmente é fraco, daqueles que gostam de pagar apostas no turn para ver se a mão melhora no river. Mas quando blefadores no turn são tímidos demais para bater o martelo no river, o oponente mais fraco, ao dar call, estará seguindo a dica 1 sem perceber.
Jogadores agressivos apostam com draws no turn. Se forem pagos, podem apostar também no river, ainda que não completem a mão. Eles não fazem isso sempre, mas apostam em todas as streets com frequência suficiente para se aproveitar da alavancagem e punir jogadores que dão calls na base do “vai que bate”.

Se você não está preparado para disparar algumas vezes no river, não blefe no turn.

Dica N° 3: Contra jogadores muito tight, dê check no turn com mãos boas.
Jogadores ultra-tight, os chamados “nits”, não dão call valendo o stack inteiro sem mãos muito fortes. Eles também entendem o princípio de alavancagem. Veem uma aposta no turn, olham para o dinheiro restante e calculam quanto podem perder se tudo der errado.

Diante de apostas razoáveis, os nits costumam dar fold no turn com top pair. Se você tivesse uma mão forte como uma trinca contra um jogador loose ou normal, você geralmente iria apostaria em todas as streets para conseguir o máximo de valor. Mas contra um jogador ultra-tight, considere dar check no turn. Finja um pouco de fraqueza. Ele ainda ficará assustado com sua aposta no river, mas pode duvidar o suficiente para pagar para ver.

Não exagere nessa jogada. Mãos fortes pedem potes grandes, e a melhor forma de construir um pote assim é apostando no turn. Contra um oponente muito tight, porém, em alguns bordos isso praticamente garante que ele dê fold com qualquer mão medianamente fraca. Nestes casos, considere dar check.



Dica No. 4: Aposte no turn.
A maioria dos jogadores de small stakes é passiva demais no river. O mesmo acontece no turn. A maioria dos jogadores precisa aprender a apostar na quarta carta.

Se alguém pagou sua continuation-bet e no river vier uma carta irrelevante, aposte.
Se você semiblefou com um flush draw no flop e no turn vier uma carta irrelevante, aposte.
Se você acertou top pair no flop e um oponente pagou, aposte novamente no turn.
Se seu oponente apostou no flop, você pagou e ele deu check no turn, aposte.

É claro que não basta ficar apostando o tempo todo. Entrentanto, se você for como a maioria dos jogadores de no-limit hold’em, você não aposta o bastante. Tente apostar nessas e em outras situações, e veja o que acontece. É possível que você tenha uma boa surpresa.





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