EDIÇÃO 35 » FIQUE POR DENTRO

Filosofia do Poker: Pensando à Frente


David Apostolico

Eu me perguntei se deveria ou não escrever esta coluna, pois acho que o tema em questão é relativamente elementar. Contudo, já vi tantas pessoas cometendo esse erro — inclusive vários jogadores experientes — que me convenci de que este artigo precisava ser escrito. Tenha em mente que isso se aplica apenas a torneios.

A gota d’água para mim foi a seguinte mão: o Jogador A, bastante sólido, dá open-raise de três vezes o big blind em posição intermediária. O Jogador B dá call do big blind. O flop vem K-Q-2 rainbow. O Jogador B dá check. O Jogador A aposta o valor do pote. O Jogador B paga. O turn é o 5. O Jogador B pede mesa. O Jogador A faz uma aposta de dois terços o tamanho do pote. O Jogador B paga. O river é um 8 offsuit. O Jogador B dá check. O Jogador A vai all-in com todas as suas fichas restantes, o que corresponde a cerca de um quarto do pote. O Jogador B agora está extremamente short-stacked, e ficaria bastante debilitado caso desse call e perdesse.

O Jogador B pensou durante um longo período, e finalmente deu fold. Como o preço era caro para qualquer draw, eu precisava saber o que ele possivelmente tinha para fazê-lo dar call até o river, então dar fold. Eu não achei que o tempo que ele passou deliberando no river fosse cena. Ele parecia genuinamente indeciso. Então, eu o perguntei o que ele tinha, e, para a minha surpresa, ele disse que tinha um par de noves. Eu não tinha a menor ideia do que ele estava pensando, pois ele jogou sua mão muito mal em simplesmente todas os streets.

Contudo, quero focar em apenas um aspecto da sua mão mal jogada. O Jogador B parecia alheio ao fato de que enfrentaria decisões mais complicadas a cada rodada de apostas subsequente se continuasse a dar call. Embora essa mão tenha sido óbvia, eu vejo o mesmo erro sendo cometido repetidas vezes.

Vejo jogadores dando call em apostas pré-flop de tamanho razoável com mãos como 7-6 suited na reta final de torneios. Essa pode ser uma boa jogada nos estágios iniciais, mas pode ser problemática nas fases finais. Se você acertar um draw, vai enfrentar algumas decisões bastante difíceis e caras. É preciso estar preparado para isso. Jogadores se metem em apuros com muita frequência por não se pensar à frente. Você precisa conhecer seus oponentes e saber quanto está disposto a comprometer com uma mão em qualquer estágio em particular.

Mãos podem aumentar de valor se você acreditar que possui outra vantagem, como um oponente que você acha que pode vencer caso ele não acerte nada. Mas é necessário ter uma compreensão completa desses fatores e pesá-los antes de executar sua primeira ação de entrar em um pote. Pagar para ver o que acontece ou com esperanças otimistas de acertar um flop dos sonhos não é a melhor maneira de se jogar poker.

David Apostolico é autor de Torneios de Poker e A Arte da Guerra e Estratégia Maquiavélica do Poker, em breve disponíveis em português pela Raise Editora.




NESTA EDIÇÃO



A CardPlayer Brasil™ é um produto da Raise Editora. © 2007-2019. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo deste site sem prévia autorização.

Lançada em Julho de 2007, a Card Player Brasil reúne o melhor conteúdo das edições Americana e Européia. Matérias exclusivas sobre o poker no Brasil e na América Latina, time de colunistas nacionais composto pelos jogadores mais renomados do Brasil. A revista é voltada para pessoas conectadas às mais modernas tendências mundiais de comportamento e consumo.

Sede: Rua Stela de Souza, 54 - Sagrada Família - Belo Horizonte/MG - CEP: 31030-490
contato@cardplayer.com.br
31 3225-2123
LEIA TAMBÉM!×