EDIÇÃO 33 » MISCELÂNEA

Business Poker: Nosso Jogo é Um Negócio Sério

Estamos aqui para ganhar dinheiro


Dusty Schmidt

Eu vou começar minha carreira de colunista da Card Player com um pedido de desculpa: o que eu escrevo não é nem um pouco cool. Minhas colunas não vão conter dicas de jogo agressivo, de como colocar seus oponentes em tilt ou de como dar grandes calls em potes enormes. Você não vai encontrar nem um pouco de valentia ou superioridade.

Em vez disso, minhas colunas terão uma temática comum: estamos aqui para ganhar dinheiro. Isso é um negócio. Deixe seu ego em casa.

Há uma lacuna nas informações sobre poker que eu pretendo preencher. Para mim, tratar seu poker como um negócio e jogar um poker bem sucedido andam de mãos dadas. A maioria das pessoas joga poker muito melhor do que gerenciam um negócio. Elas têm a habilidade, mas não sabem como monetarizar isso.

O jogador de poker moderno age como os atletas profissionais antes de terem agentes. Eles jogavam em estádios lotados, mas ganhavam $10.000 por ano. Os jogadores de bola de hoje sabem que são a atração — alguns ganham mais do que os donos dos times. Isso ocorre porque eles aprenderam a monetarizar suas habilidades. Como o poker online ainda é muito incipiente, o jogador que gere suas operações de poker com eficácia pode se tornar um verdadeiro magnata.



Eu espero que esta coluna desenvolva os raciocínios a partir de onde os sites de treinamento de poker param. Eles lhe ensinam como se tornar um jogador melhor: eu vou lhe ensinar como converter esse conhecimento em dinheiro.

Você pode estar familiarizado com minha carreira. Eu já joguei quase 7 milhões de mãos online ao longo de mais de 10.000 horas. Eu ganhei mais de $3 milhões durante esse período, e nunca tive um mês de perdas. Em 2007, eu obtive status SuperNova Elite no PokerStars em apenas oito meses jogando exclusivamente cash games high-stakes. Em um período de quatro meses entre novembro de 2007 e fevereiro de 2008, eu ganhei mais de $600.000 em cash games high-stakes.

O que você pode não saber é que, cinco anos atrás, eu não sabia jogar poker — de jeito nenhum. (Eu ainda não tenho um baralho em casa).

Mas eu entendia de negócios. Alguns podem achar que eu tenho alguma habilidade digna de Rain Man com os números, ou que eu tenho a posse de um supercomputador que calcula algoritmos em uma velocidade absurda. Mas nada poderia estar mais distante da realidade; na verdade, eu até me considero ruim em matemática em relação a outros profissionais, e fraco no quesito tecnologia.

No começo, a única coisa que eu tinha como profissional de poker era minha habilidade enquanto homem de negócios.

Eu passei toda minha vida acompanhando os negócios da minha família, que distribui itens não-alimentícios (em sua maioria brinquedos) para lojas de alimentos e bebidas do sul da Califórnia. Eu entrei na empresa em tempo integral logo depois de terminar o ensino médio, e lá permaneci durante quatro anos. Nossas vendas quadruplicaram durante minha passagem pela empresa, e eu ajudei a supervisionar a expansão da companhia, que deixou de fornecer para pequenas lojas e passou a operar com grandes proporções. Também aprendi muito sobre fluxo de caixa, margens, estoques e crescimento inteligente.



Havia apenas um problema: eu detestava aquilo — odiava mesmo. Minha relação com a minha família não estava boa, as condições de trabalho eram péssimas, a maioria dos meus clientes estava em bairros perigosos e meu dia de trabalho começava às 4h da manhã e frequentemente terminava bem depois de escurecer. Mas, o mais importante é que eu tinha uma meta maior em mente: chegar ao PGA Tour.

Quando jovem, eu era um dos melhores golfistas do país, e quebrei dois recordes de Tiger Woods. Eu era o jogador de golfe calouro mais bem colocado no ranking do país em 1995; de fato, um artigo de jornal se referiu a mim como o “próximo Tiger Woods” do sul da Califórnia. Eu era o campeão de golfe da SoCal no último ano do colegial, mas minha bolsa escolar não vingou, o que fatalmente me conduziu ao negócio da família.

Em 2004, contudo, eu já tinha conseguido voltar a jogar golfe em tempo integral. Eu ganhei cinco vezes os mini-circuitos e em maio era favorito do Golden State Tour. Meu sonho de chegar ao PGA Tour estava logo ali. Mas o destino me jogou no descarte.

Eu vinha trabalhando meio expediente para os meus pais, e estava trabalhando em uma loja quando senti uma dor enorme no peito. Aos 23 anos, eu estava inexplicavelmente tendo um ataque cardíaco. De repente, eu estava no hospital e os médicos me diziam que eu precisaria de pelo menos um ano de reabilitação. Eu não conseguia fazer uma única flexão.

Minha família se recusou a me pagar um salário durante a minha convalescência. Voltei ao trabalho, mas minhas economias estavam se acabando e as contas médicas eram cada vez mais altas. Eu tinha apenas meus últimos $1.000.

Eu estava sozinho no meu minúsculo apartamento em Newport Beach no Natal quando meu grande amigo Matt Amen apareceu na minha porta com uma camisa cara de golfe. “Eu lhe dou essa camisa se você me der $50”, ele disse. Eu sabia que podia devolvê-la na loja Nordstrom no dia seguinte pelo dobro do valor. Ele pegou meu cartão de crédito, entrou em um site de poker, e colocou meus $50 na conta dele. Esse foi o meu primeiro contato com o poker online.

O que eu descobri abriu minha mente. Havia dezenas de milhares de jogos espalhados em uma variedade enorme de limites. Nós vimos alguns dos jogos de maiores stakes e eu não conseguia acreditar no que os meus olhos viam. Uma das primeiras mãos a que assistimos foi um pote all-in que valia mais de $2.000. Ali estava eu, sentado no meu quarto vendo duas pessoas jogando um pote que valia quase todo o meu salário mensal.



Um dos jogadores teve sorte no river e conseguiu a carta do seu flush para ganhar o pote. Ele então digitou na caixa de diálogo “Desculpe” para seu oponente, que respondeu: “Sem problema, cara. Acontece”.

Acontece? Aqueles $2.000 pareciam todo o dinheiro do mundo para mim. Também notei que os sites de poker ofereciam bônus de $500 se você jogasse determinado número de mãos. Eu estava desesperado por dinheiro. Na noite seguinte, coloquei $100 na minha conta e comecei a jogar no meu computador. Enquanto isso, a tela do meu laptop mostrava as regras do poker. Eu estava tentando apenas ficar no zero a zero ali e me segurar o suficiente para ganhar os bônus. Logo deixei meu emprego, coloquei meus últimos $1.000 online e comecei a me dedicar 400 horas por mês para ganhar os bônus.

Minha decisão de jogar poker não se baseou em nenhum tipo de talento natural; em vez disso, eu simplesmente vi seu potencial enquanto negócio. Foi algo tão arbitrário quanto decidir reger a Orquestra Filarmônica de Boston sem saber ler partituras. Se havia um pote de $2.000 no final e eu pudesse ganhar bônus de $500 ao longo do caminho, eu estava dentro.

Ao final do dia, o que importa são os lucros, não a credibilidade na Internet, nem ganhar a alma do seu oponente — apenas os lucros, pura e simplesmente. Nós estamos aqui para ganhar dinheiro. Em colunas futuras, vou lhe ensinar conceitos como estoque, expansão, gerenciamento de despesas, valoração do tempo e orientação de metas — todos sob a ótica do poker.

A liberdade que o poker trouxe para a minha vida não pode ser quantificada. Ele tem o mesmo potencial para você, mas apenas se você tratá-lo como um diretor executivo. Nosso jogo é um negócio sério.

Dusty Schmidt é instrutor no DragTheBar.com. Ele já disputou cerca de 7 milhões de mãos online e ganhou mais de $3 milhões. Seu blog é o dustyschmidt.net




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EDIÇÃO 33

Ano 3 - abril, 2010

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