EDIÇÃO 24 » ESTRATÉGIAS E ANÁLISES

Probabilidade Prática — Parte VI

Erros de amostragem


Steve Zolotow

Eis uma breve revisão da discussão sobre amostragem que começamos na minha última coluna. Existem certas operações estatísticas que você faz com bastante frequência em sua vida diária sem sequer pensar nelas no sentido estatístico. A Teoria da Amostragem é uma divisão da estatística relativamente complexa, embora seja algo que façamos no dia a dia. Basicamente, amostragem é a técnica usada para possibilitar a obtenção de conclusões sobre uma “população” testando-se um pequeno grupo escolhido daquela população como amostra representativa. Há dois grandes tipos de erros que podem ser cometidos na amostragem. O primeiro é escolher uma amostra muito pequena. O segundo é escolher uma amostra que não seja representativa da população.

Ao jogar poker, cada mão que você joga ou observa se torna parte de sua amostra. Quanto mais observador você for e quanto maior a frequência com que joga contra alguém, maior é a precisão das conclusões que você pode tirar sobre ele e sobre o que ele vai fazer em várias situações. Em geral, quando algo acontece com frequência, uma amostra relativamente pequena vai ser significativa. Quando algo é raro, será preciso uma amostra muito grande para chegar qualquer conclusão relevante. Você vai acabar tendo a maior amostra sobre você mesmo, e até mesmo isso pode ser muito pouco para provar alguma coisa.

A situação é ainda pior quando tentamos tirar conclusões sobre nossos oponentes a partir de mãos que jogamos contra eles e mãos que os observamos jogar. A não ser que você enfrente com um número muito pequeno de oponentes em um jogo regular ao vivo, é totalmente impossível ver mãos suficientes para formar uma amostra realista de como seus oponentes jogam. Nesses casos, a população consiste em como seu oponente realmente joga. As mãos que você jogou contra ele ou o observou jogar são sua amostra. Sua esperança é usar essa amostra para determinar como ele age, ou mesmo como ele age em situações específicas. Mais cedo, eu mencionei que há dois tipos de erros de amostragem. É fácil perceber quando você pode ter uma amostra muito pequena para tirar conclusões significativas. Há também o grande perigo de cometer o segundo tipo de erro — escolher uma amostra que não seja representativa da população.

Seus oponentes não estão lá para lhe ajudar a descobrir como eles jogam. Na verdade, eles provavelmente estão fazendo tudo que podem para lhe confundir. Eis um divertido exemplo dos velhos tempos de glória do draw poker. Mike Caro era conhecido como “Mike Louco” (acho que quando ele foi promovido para “O Gênio Louco”, Mike Matusow tenha herdado a alcunha de “Mike Louco”). High draw, valetes ou melhor, outrora foi o jogo principal das salas de cartas da Califórnia. No início da sessão, Mike sempre fazia essa jogada: depois que um oponente abria, ele aumentava. Seu oponente geralmente trocava três cartas e ficava com um par ou talvez uma carta e ficava com dois pares. Mike não trocava nenhuma. Seu oponente naturalmente pedia mesa. Mike pedia mesa de novo, então mostrava cinco cartas aleatórias. Essa jogada custava a ele pelo menos duas small bets. Parece estúpido, certo? Mike afirmava que os jogadores, tendo visto essa jogada, achavam que ele era totalmente louco, e passavam dinheiro para ele durante as horas seguintes. Se pode ser uma tática vencedora fazer uma jogada estúpida assim de modo a enganar seus oponentes, deve haver uma variedade de coisas mais baratas que você possa fazer para ludibriar seus adversários. Muitos jogadores tight mostram um blefe ou dois no começo, então se tornam muito mais sólidos. Do mesmo modo, alguns jogadores loose começam jogando um estilo bastante sólido. Estruturas de torneio frequentemente recompensam esse tipo de jogo. Quando os blinds e antes estão pequenos, é geralmente razoável jogar um estilo de cash game tight. Mais tarde, quando os blinds e antes estiverem nas alturas, um jogo agressivo é recompensado.

Mesmo sem fazer um esforço deliberado para lhe enganar, o jogo de um oponente pode ser traiçoeiro. Um jogador pode aumentar com mais frequência que a média porque ele é agressivo ou porque tem recebido cartas particularmente boas. Um jogador que normalmente é bastante conservador pode jogar de maneira um tanto insana quando estiver perdendo muito. Eu gosto de jogar sit-and-gos online. Ultimamente, tenho sido um vencedor bastante consistente, mas, de vez em quando, jogo depois de ter bebido um pouco em um de meus bares. Nessas sessões, tanto meu estilo quanto meus resultados são muito diferentes do normal. Outro fator que pode complicar as coisas é o fato de alguns de seus oponentes melhorarem com o tempo. Não cometa o erro de achar que as mãos que você jogou contra um iniciante seis meses atrás são uma amostra representativa de como aquela pessoa joga hoje.

Usar as mãos que você jogou contra determinado oponente e aquelas que você o viu jogar como amostra de como ele joga provavelmente vai produzir ambos os erros de amostragem: 1. A amostra é muito pequena. 2. A amostra não é representativa da população. Numa tentativa de coletar mais dados e juntá-los com maior precisão, muitos jogadores online utilizam softwares de rastreamento. Eu devo admitir que tenho sido bastante negligente quanto a instalar e usar esses programas, embora eu tenha experimentado alguns. Ao utilizar qualquer software, certifique-se de que você está analisando amostras grandes o suficiente para serem significativas. Tenho tentado levar mais a sério os pequenos sit-and-gos e jogá-los melhor. Eu posso lhe dizer que isso tem valido à pena quando utilizo a busca avançada do software SharkScope. Eu já joguei mais de 5.400 sit-and-gos, com um ROI [retorno de investmento] de -2% e uma perda total de $10.500. Nos últimos 500 eu tive um ROI de 5% e ganhos de quase $5.000. Os últimos 200 mostraram ainda maior evolução — um ROI de 17% e ganhos de quase $6.000. Perceba que, embora 200 torneios sejam uma amostra bem grande, eu tenho tido muita sorte ultimamente. Alguém que por acaso veja meu status total, uma grande amostra de mais de 5.000 torneios, vai se enganar achando que eu jogo muito pior do que realmente jogo. Alguém que cautelosamente se concentrasse nos últimos 200, para ver como estou jogando hoje, também se enganaria ao achar que eu sou melhor do que realmente sou.

Em suma, seja bastante cuidadoso ao tirar conclusões sobre seus oponentes. Tente observar tudo, sobretudo as mãos nas quais você não está envolvido. Tente sentir o nível básico de habilidade e como eles estão jogando no momento. Por outro lado, se alguém parecer estar jogando mal e perdendo, vá em frente e jogue algumas mãos ou tente algumas jogadas que você não tentaria contra um oponente difícil que estivesse ganhando. Uma de minhas promessas de Ano Novo foi instalar um daqueles programas de rastreamento e dominar sua utilização. Isso não apenas vai ajudar a melhorar meus resultados, como também vai me permitir escrever com maior precisão sobre eles nas colunas.




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EDIÇÃO 24

Ano 2 - julho, 2009

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