EDIÇÃO 22 » COLUNA INTERNACIONAL

L.A. Poker Classic 2009

Dia 1


Todd Brunson

Com um primeiro prêmio de quase $1,7 milhões e uma estrutura superlenta, o Evento Principal do L.A. Poker Classic é meu tipo de torneio. Esse ano, foi conduzido por um sujeito chamado Matt, e ele fez um excelente trabalho, embora eu ache que sua esposa, Mary Ann, na verdade tenha feito o trabalho pesado.
Nós recebemos 20.000 em fichas, e os blinds começaram pequenos e nunca duplicaram. Na verdade, eles quase nunca deram um pulo de 50% de um nível para outro, e cada nível era de aproximadamente demorados 90 minutos. Estávamos situados no espaçoso salão de festas no segundo andar, como de costume. Se você conseguisse ignorar o fato de que não havia quem lhe servisse, (exceto coquetéis, que você tinha que pagar), era um torneio bastante agradável de se jogar.

Apareci com duas horas de atraso e não sofri penalidades, o que também foi legal. Eu não estava tentando imitar Phil Hellmuth aqui: apenas gosto de aparecer descansado e sem pressa. Sei que abro mão de um pouco de equidade aqui, pois jogadores mais fracos jogam muito loose nas rodadas iniciais, mas acho que, para conseguir a maior equidade possível, é mais importante eu me sentir bem.

De qualquer forma, as coisas começaram bem devagar para mim. Com a lenta estrutura de blinds, eu estava em uma mesa difícil com pouca ação. Por sorte, fui transferido para uma mesa um pouco melhor, mas ainda não recebia cartas boas. Eu ainda tinha a maior parte de meus 20.000 originais, mas os blinds estavam começando a subir muito.

Eu queria tentar variar as coisas um pouco, e a oportunidade logo surgiu. A mesa rodou em fold até mim no button, e eu tinha K-J offsuit. Em geral, é um aumento automático nessa posição. Mas nesse caso, ambos os meus oponentes eram superagressivos, e o small blind tinha pouco menos de 10.000. Eu não queria dar a ele a chance de me atacar, então decidi tentar uma jogada estranha e simplesmente paguei.
Quase toda vez que eu via alguém fazer isso, algo estranho acontecia. As pessoas iam all-in sem nada, nenhum draw ou outra mão idiota. Bem, o small blind aumentou cerca de 4,5 vezes o big blind, um raise bem grande. Eu farejei fraqueza e decidi que, se conseguisse flopar um par, eu poderia derrotá-lo, então paguei.

O flop veio K-4-4 e o que deu raise apostou cerca de um terço de seu estoque. Voltei all-in e ele deu insta-call, mostrando A-K. Acho que meu faro estava um pouco enganado. Bem, eu ainda podia ganhar esse pote com um valete, ou dividi-lo com um rei ou um 4. Os deuses do poker me deram um alívio com um 4 no river. Eu adoraria ter recebido o valete e puxado o pote, mas para mim foi ter ganhado dinheiro de volta depois de ter entrado em um pote com a pior mão foi um milagre!

Depois disso, um jogador que responde pelo nome de “Super Mario” [Mario Esquerra] veio para minha mesa. Mario é um mexicano-americano de cerca de 70 anos e em melhor forma que o Mr. Universo. Super Mario é muito ativo hoje, e vai all-in contra quase todo mundo que aumenta contra ele. Ele gosta muito de pares, e não distingue muito seus valores. Um par é sempre um par para Super Mario. Ele rapidamente triplica seu estoque com essa estratégia, quando eu recebo um par de oitos, falando depois dele. Ele faz seu aumento inicial habitual, e eu cogito pagar, mas decido fazer um reraise padrão. Mario vai logo all-in.
Eu sinto que tenho a melhor mão aqui. Não apenas isso, realmente acho que o derrotarei. Ele já mostrou muitos pares pequenos nessa mesmíssima situação, e é isso que eu acho que ele tem agora. Ele foi all-in tão depressa, sem refletir, que me parecia que ele estava fingindo força.

Depois de uma longa reflexão, decidi que não queria arriscar todas as minhas fichas naquele instante, pois ele tinha um estoque maior que o meu. Mas minha vingança não demorou muito. Algumas mãos mais tarde, a mesma coisa aconteceu e alguém pagou com um par alto, o que fez com que ele perdesse metade de seu estoque. Agora ele explicou para nós por que não tinha medo de ir all-in com pares pequenos. “Fui pego, fui pego”, ele lamentou. Bem, agora eu sabia com certeza.

Algumas mãos mais tarde, a mesma situação ocorreu. Mario abriu, eu reaumentei e ele foi all-in. Mas dessa vez, ele tinha metade das fichas que eu tinha, e eu tinha um par um pouquinho maior do que da última vez. E era um pouquinho maior do que o par dele também. Paguei, e ambos prendemos nossa respiração esperando o flop.

Flopei uma trinca, mas isso não foi muito reconfortante. Sabe, o flop veio 9-7-6, dando a Mario uma queda para as duas pontas. Como o Super Mario do jogo Nintendo, esse também era duro de matar. Contudo, quando o turn e o river não trouxeram nada, Mario foi derrotado.

Consegui derrotar um poderoso inimigo, e quando o Dia 1 chegou ao fim, eu tinha aumentado meu estoque de fichas em mais de 50%. Talvez esse fosse ser meu torneio.




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