EDIÇÃO 16 » COLUNA INTERNACIONAL

Fazendo uma Jogada Sobre uma Jogada

Uma leitura ruim e uma fraca decisão de atacar


Roy Cooke

Meu camarada John está jogando no-limit hold’em de $5-$10 no Seminole Hard Rock Casino, em Hollywood, Flórida. Ele tem cerca de $1.200 na mesa. É uma mesa relativamente loose-passive, com muitos jogadores vendo o flop, começando com $10-$35. Em quatro rodadas seguidas, o jogador na posição 10 abre com uma aposta do tamanho do pote ($100-$175) e ganha o dinheiro de todos os limpers sem ver o flop e sem ter que mostrar sua mão. John suspeita que ele esteja roubando, e que a força das mãos dele seja provavelmente marginal nesses potes. Esse jogador possui o maior estoque, de cerca de $2.000, e o resto dos stacks varia entre $500-$1.000, exceto pelos dois jogadores depois de John que têm os menores estoques (um jogador tem cerca de $75 e o outro tem $200).

O UTG, no assento 2, entra de limp com $10. O jogador seguinte aumenta para $35. A gama de mãos dele é muito, muito ampla. Ele possui cerca de $600. Os jogadores nas posições 4 e 5 apenas pagam os $35 com seus estoques de $500-$600. John olha para baixo e vê KQ.

Na grande escala das mãos de poker, K-Q do mesmo naipe pode ser a 11ª ou 12ª melhor mão inicial, atrás TT+, AK e AQs, AJs e possivelmente de naipes distintos também. Para muitos jogadores, um aumento de um oponentes em posição inicial ou intermediária indica uma dessas mãos superiores. E KQs se dá muito bem contra todas essas mãos, exceto AJ, TT e JJ. Então, trata-se de uma mão inicial muito boa — exceto quando não é! Aí ela costuma se dar muito mal diante de mãos superiores.

John hesita um segundo — quase certamente não o suficiente! Algum dos dois com os menores estoques à esquerda dele pode empurrar com uma gama maior de mãos. Se eles não fizerem isso, o jogador na posição 10 pode fazer uma jogada para levar o pote. John decide simplesmente pagar e ver como a ação se desenvolve.

Um dos detentores dos menores estoques descarta a mão e o outro simplesmente paga os $35. E, como John suspeitara, o jogador na posição 10 aumenta para $185 do small blind. Todo mundo descarta até chegar a John. John novamente hesita — definitivamente não o suficiente — e reaumenta para $515, menos da metade de sua pilha de fichas. O menor estoque paga com tudo que possui. O small blind — para a surpresa de John — também paga. O flop vem 9-3-2 rainbow. O small blind, que possui mais fichas que John, instantaneamente empurra all-in. John pondera e descarta. Essa desistência é a única coisa certa que John fez nessa mão. O small blind revela AKo e leva o pote do jogador de menor estoque, que tinha T8s.

Eu odeio o jogo de John aqui. Primeiro, a leitura: sim, o jogador da posição 10 poderia ter intenção de roubar os potes, mas isso não quer dizer que ele não consiga mãos. Como eu costumo dizer, mesmo os idiotas conseguem sua fração de ases, e esse cara no small blind provavelmente não é um idiota – ele possui certa habilidade de leitura de mãos. John, por outro lado, é um cara teimoso, que não deixa ninguém roubar dele. Às vezes parece que ele prefere dar $500 do que ter $35 roubados, mas a situação atual é daquelas em que seu oponente esteja provavelmente blefando?

Muitas vezes, em no-limit, quando um jogador aumenta e vários jogadores pagam, você tem uma oportunidade de tentar ganhar o pote pré-flop, como o jogador da posição 10 parecia estar fazendo. Se quem deu o primeiro raise não possuir uma mão forte o suficiente para o call, os pagadores em geral tampouco possuem mãos assim. Obviamente, isso toma como premissa o fato de que seus oponentes irão desistir diante de um aumento e que sua aposta e os estoques de seus oponentes são grandes o suficiente para gerar uma desistência de todos os seus adversários. Como o small blind sabia disso e o detentor do pequeno estoque pagou, criou-se um pote protegido. John devia ter lido que ele não estava brincando e que possuía uma mão que seguraria um aumento. Pote protegido é a situação que alguém deve evitar ou reduzir enormemente a probabilidade de um oponente blefar.

John, ao voltar reraise contra o jogador da posição 10, transformou sua mão em um blefe completo. Era improvável que uma mão pior pagasse ou que uma melhor largasse, a não ser que um oponente fosse capaz de descartar AQ. Além disso, para enfraquecer ainda mais sua jogada, se ele tivesse obtido um call, a maioria das mãos que pagariam provavelmente dominaria a dele. AA, KK, AK, AQ e QQ, todas o teriam massacrado!

Em no-limit hold’em, você é muito mais dependente da leitura das mãos de seus oponentes e da compreensão de como suas mãos vão se dar, se enfrentarem a gama dele, do que em limit hold’em. Mas isso não significa que o conceito não seja importante nessa modalidade. Outra variável importante que exerce influência é o tamanho dos estoques de seus oponentes e como eles têm relação tanto com sua leitura quanto com o modo como sua mão é jogada. É preciso conhecer as tendências e os estoques de seus oponentes, então se ajustar para jogar de acordo.

John ficou obcecado com o fato de ter achado que o cara estava roubando nas últimas quatro vezes em que fez apostas pré-flop do tamanho do pote contra limpers fora do small blind. Ele supervalorizou uma mão inicial que é puramente situacional. E falhou em reconhecer que, só porque alguém faz uma jogada com mais freqüência do que seria estatisticamente justificável, isso não significa que ele esteja pressionando a situação. Às vezes, trata-se apenas de uma flutuação estatística das cartas distribuídas. O cara podia muito bem ter recebido mãos jogáveis em todas aquelas situações. Foi uma leitura muito ruim de John e uma fraca decisão de quando atacar!

Levando tudo em conta, John devia ter gastado os $515 em uma passagem de avião para Las Vegas, onde Jade Lane — uma de nossas colegas de poker que está se tornando uma especialista significativa em no-limit hold’em — e eu poderíamos ter ajudado John com seu jogo.

Roy Cooke tem ganhado poker profissionalmente desde 1972, e tem sido colunista da Card Player desde 1992. Seu colaborador de longa data, John Bond, é um escritor freelance que mora no sul da Flórida. Eles escreveram seis livros de poker, inclusive How to Play Like a Poker Pro.




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EDIÇÃO 16

Ano 2 - novembro, 2008

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