EDIÇÃO 16 » COMENTÁRIOS E PERSONALIDADES

Boas maneiras e fair play nas mesas de poker


Geraldo Campêlo

A grande maioria dos artigos e livros que li sobre o poker, discorrem sobre o que fazer durante um torneio ou uma sessão de cash game. Porém, nunca li nada sobre o que “não fazer” numa mesa, então, aproveitando minha experiência como organizador de torneios, decidi descrever algumas atitudes que considero reprováveis.

 Todos nós que militamos no mundo do poker queremos que nossa atividade seja reconhecida como esporte. Porém, para que isso seja possível, nós, praticantes e amantes do poker desportivo, devemos ser merecedores deste reconhecimento e nos portarmos como verdadeiros esportistas e cavalheiros.

 Algumas vezes, percebo determinados jogadores tentarem constranger os adversários com um comportamento agressivo a cada vez que é aumentado ou re-aumentado. A aposta faz parte do jogo: é o único instrumento disponível sobre o qual temos o controle e podemos tirar proveito para tentar vencer. Se não fosse a aposta, bastaria abrir o flop-turn-river e verificar quem tem a melhor mão. É justamente por existir a aposta que o poker se transforma num “jogo de habilidade”. Este tipo de comportamento é totalmente conflitante com os nossos anseios.

 Outra atitude deplorável é o “collusion”. Para quem não sabe, esta prática consiste na proteção de um jogador por outro, por exemplo: o jogador A, mesmo tendo um bom jogo, não aumenta quando o jogador B, que é seu amigo, está no big blind; ou ainda descarta um jogo com o qual pagaria a aposta, porque quem aumentou foi o amigo. Em nenhuma competição esportiva séria existe este tipo de comportamento. Quem não se lembra das irmãs Williams se enfrentando nos torneios mais importantes do circuito feminino de tênis, com todo empenho e determinação? Um exemplo para todos nós.

 Procure nunca comentar as jogadas de seus adversários. Percebo que alguns jogadores se consideram muito melhores do que realmente são e constantemente criticam os movimentos dos adversários. Faço esta recomendação por dois motivos: primeiramente porque é muito constrangedor para quem recebe as críticas, e segundo porque se ele continuar errando, melhor para você que vai poder tirar proveito disso no futuro. Lembro-me de uma situação que ocorreu comigo numa sessão de cash-game no Conrad Casino, em Punta Del Leste. Num bordo com J95, o jogador A, que tinha dado raise pré-flop, seguiu apostando pós-flop. O jogador B, um uruguaio, voltou all-in com10Q. O jogador A deu insta-call com AA. Nada no turn, mas no river veio um 3 dando flush para o jogador B, que puxou um pote gigantesco. Ao meu lado estava um brasileiro que fez o seguinte comentário: “puxa, que sorte teve o uruguaio!”. Então eu falei que ele era favorito, pois tinha 15 outs, e que em minha opinião a jogada dele tinha sido correta. O brasileiro emendou: “nunca vi alguém estar perdendo e ainda assim ser favorito”. Neste momento o uruguaio, no outro lado da mesa, balança a cabeça e me olha com cara feia, com seu semblante dizendo claramente: “pare de ensiná-lo, pois quanto menos ele entender do jogo, melhor para nós.”

 Mantenha o “fair-play”. Logicamente, é frustrante ser eliminado de um torneio quando o adversário possui apenas 2 ou 3 outs, mas não esqueça de que numa próxima vez poderá ser o contrário e você é quem irá aplicar uma bad beat. Na etapa do BSOP de Belo Horizonte, fui especialmente para jogar o evento e fui eliminado no final do Dia 1, quando o oponente pagou meu all-in com o segundo par da mesa e acertou dois pares no river. Mesmo bastante chateado, educadamente cumprimentei o adversário e me retirei.
 Por fim, esteja atento à dinâmica do jogo, ou seja, saiba quando é a sua vez de pingar os blinds, não se esqueça dos antes e da sua hora de falar. Jogadores que precisam ter a sua atenção chamada a toda hora atrapalham o andamento do jogo e podem irritar os adversários.

 Tomando os cuidados acima, você fará com que o prazer de jogar seja ainda maior, tanto para você como para seus adversários, e juntos estaremos dando mais um passo para a regulamentação e reconhecimento do nosso esporte.

BRILHANDO
O jogador curitibano Rodrigo “seijistar” Seiji tem conseguido excelentes resultados no poker online. Através dos satélites do Poker Stars, Seiji participou do EPT de Londres (onde jogou na mesa de Gus Hansen) e também conquistou vaga para o PCA Bahamas, que será realizado em janeiro, no paradisíaco Hotel Atlantis. Seiji é mais um curitibano que tem um futuro brilhante pela frente. Boa sorte, garoto!




NESTA EDIÇÃO


EDIÇÃO 16

Ano 2 - novembro, 2008

ASSINE JÁ! ÍNDICE COMPLETO
FichasNet Garantimos o melhor negócio online na compra e venda de créditos.
RoyalPag - Comprou, jogou, ganhou, sacou!
RoyalPag - Comprou, jogou, ganhou, sacou!
Aumente seu stack agora! Stack fichas
Fichas Nupano - Compra e venda de fichas online
Raise Editora - Os melhores livros de poker do mundo totalmente em português

A CardPlayer Brasil™ é um produto da Raise Editora. © 2007-2019. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo deste site sem prévia autorização.

Lançada em Julho de 2007, a Card Player Brasil reúne o melhor conteúdo das edições Americana e Européia. Matérias exclusivas sobre o poker no Brasil e na América Latina, time de colunistas nacionais composto pelos jogadores mais renomados do Brasil. A revista é voltada para pessoas conectadas às mais modernas tendências mundiais de comportamento e consumo.

Sede: Rua Stela de Souza, 54 - Sagrada Família - Belo Horizonte/MG - CEP: 31030-490
contato@cardplayer.com.br
31 3225-2123
LEIA TAMBÉM!×