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Dan Cates - O Homem da Selva


Brian Pempus
O norte-americano Dan “jungleman” Cates é uma das lendas do poker online. Ele já lucrou cerca de US$ 11,3 milhões de dólares jogando na internet, número que o coloca como o segundo jogador que mais ganhou dinheiro jogando cash games online, atrás apenas do finlandês Patrik Antonius. Nos torneio ao vivo, Cates já ganhou cerca de US$ 3,5 milhões. Some isso ao que ele já ganhou nos cash games ao vivo e você terá os elementos para um futuro membro do Hall da Fama do Poker.

No entanto, 2015 teve um gostinho amargo. Ele perdeu cerca de US$ 300.000 online. A primeira vez que terminou um ano no vermelho desde 2009. O poker online tem ficado cada vez mais difícil, mas ele afirma que está preparado para sobreviver ao tempo. 
 
Em entrevista exclusiva à Card Player, o profissional de 26 anos falou soh high-stakes, Macau e poker online.
 
Brian Pempus: As recentes mudanças nos sistemas de recompensas do PokerStars afetaram os jogos mais caros?
 
Dan Cates: Os jogos high-stakes online já não são tão atrativos. É raro formar uma mesa de $400-$800, por exemplo; mas você sempre pode encontrar boas mesas ao vivo. Poker online vem se tornando um jogo duro e agora eles fizeram-no ainda mais difícil. Não acho que eles saibam o que ser um profissional significa. Eles querem ganhar mais dinheiro,  o que é normal, mas aumentaram o rake em cinco vezes. Ainda é possível vencer, mas não ganhar tanto dinheiro como há alguns anos.
 
BP: Eu vi alguns tweets seus sobre jogos high-stakes na Filipinas. Nos dias de hoje, lá é o lugar para esses tipos jogo?
 
DC: Bem, há lugares na Ásia com jogos fora da realidade, mas não dá para especificar. Em Las Vegas e Los Angeles há grandes jogos de mixed se formando.
 
BP: Durante a World Series of Poker (WSOP), os maiores jogos do mundo estarão em Las Vegas?
 
DC: Sim, eles estarão de volta. No ano passado, já houve jogos bem caros. Eu ficava pulando de uma mesa para outra porque nem sabia o que jogar. Hoje, jogo qualquer coisa, já domino os 8-games muito bem.
 
BP: A Black Friday coincidiu com o ápice da sua carreira online. Foi difícil ver a ação diminuir gradativamente nas mesas high-stakes? E o seu desafio com Tom Dwan, parece também ter sido uma perda, certo?
 
DC: Foi complicado, mas quanto ao meu desafio com Dwan, ainda vai acontecer. Temos conversado bastante, mas o pai dele está doente. Ele não teria foco no momento. Mais tarde, trataremos disso.
 
BP: No ano passado, você afirmou que não existem mais jogadores que dominam o cenário dos nosebleed high-stakes. Dá pra dizer que os jogos são bem mais competitivos hoje?
 
DC: Eles são mais competitivos, mas é possível vencer. Ainda há muito espaço para melhorar. As pessoas eram piores no passado, mas os jogadores ainda cometem erros óbvios. No entanto, conseguir se sobressair nesse ambiente está muito difícil.
 
BP: Há algumas semanas, você disse que o Tom Dwan havia perdido, recentemente, um pote de US$ 20 milhões em Macau. Você poderia falar mais sobre essa mão?
 
DC: Não mais do que qualquer um. Os dois trincaram. Eu nem sei se poderia dizer isso, então não vou fazer mais nenhum comentário sobre.
 
BP: Em agosto do ano passado, você disse que perdeu quase US$ 5 milhões jogando $5.000-$10.000. Foi sua pior perda?
 
DC: Na verdade, não. A quantia, sim, mas você não pode olhar por esse prisma. Se você presta atenção apenas na quantia, parece que isso acabou comigo. Mas em termos de buy-in, não foi muito. Eu perdi muito, é verdade, mas para entrar em um jogo desses, você precisa de dois ou três milhões pelo menos.
 
BP: É certo dizer que os cash-games ao vivo estão maiores do que nunca?
 
DC: Não acredito nisso. É uma coisa periódica. Você tem cinco ou seis jogadores que querem um jogo mais caro, se um deles para de jogar, não forma mais. Então, eles não vão continuar crescendo. Haverá tempos com gente querendo jogar e tempos sem tais jogadores.
 
BP: Quais os planos para WSOP deste ano?
 
DC: Provavelmente, vou jogar o torneio de US$ 50.000. Devo jogar outros, mas vai depender do cash. Não dá para passar a noite jogando cash game e dormir apenas uma ou duas horas para depois jogar um torneio. Os torneios, definitivamente, não são as minhas primeiras escolhas. 
 
BP: Você já teve problemas com políticas de cassinos durante a WSOP?
 
DC: Acontece o tempo todo. Em Las Vegas, há um jogo bem caro que, certa vez, um jogador saiu na mesa e, depois de duas horas, o floor não me deixou sentar. Todos sabem que em uma mesa de cash, você não pode ficar fora para sempre. Infelizmente, isso acontece o tempo todo nos jogos mais altos, principalmente durante a WSOP, quando temos muitos figurões por lá.
 
BP: Já houve alguma sessão tão grande que, durante, você pensou: “Droga, tenho que parar”?
 
DC: (Risos). Bem, se o jogo está fluindo, eu não saio, não importa o que aconteça. Jogarei para sempre. Eu dormirei na mesa, o que já fiz antes, ou tirarei cochilos. Se o jogo está normal, bom, aí irei dormir.
 
BP: Você já não é mais um novato em cena. O que lhe mantém motivado? Dinheiro? 
 
DC: Não está diretamente relacionado a dinheiro. Eu apenas quero vencer. Esse é o meu objetivo. Há também a questão do ego. Um dia, vou querer fazer outras coisas, como montar um negócio. Por enquanto, não.



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