EDIÇÃO 95 » COLUNA INTERNACIONAL

Análise de Mão

com PearlJammer, Rizen e Apestyles


Matthew Hilger
Como Vencer Torneio de Poker – Uma Mão de Cada Vez Vol. III, lançado em português pela Raise Editora, é uma das referências em literatura de poker. Nele Jon “PearlJammer” Turner, Eric “Rizen” Lynch e Jon “Apestyles” Van Fleet analisam 50 mãos jogadas na internet. No final, eu, Matthew Hilger, faço um resumo das lições aprendidas. A mão deste artigo é a de número 21 do livro.

Mão 21
Enviada por Bill Sutton, também conhecido por MXRider.

Estrutura: Este é um freezeout de $5,50 com mais de 3.000 participantes. Há  proximadamente 60 jogadores restando.

Você tem jogado um poker sólido, tight-aggressive, roubando os blinds frequentemente de posição final.

Blinds: 2.500-5.000 Blinds com ante de 500

Pré-flop (11.500):
A10
Você dá raise para 15.000. A Posição 7 paga do small blind.

Flop (39.000):
A52
A Posição 7 empurra all-in.


O que você faz?



Jon "PearlJammer" Turner

A-10 de naipes diferentes certamente é uma mão forte o suficiente para abrir o pote do hijack com 25 big blinds, mas ao dar raise de três vezes o big blind, eu desnecessariamente aumento o pote e perco fichas demais quando tomo uma 3-bet pré-flop. Nesta mão, a Posição 7 dá call do small blind, e eu acerto top pair no flop em um bordo razoavelmente seco. Com 39.000 no pote, o meu oponente toma a iniciativa, entrando de all-in por mais do que o dobro do pote! Este tipo de jogada raramente é vista em torneios de buy-in mais alto, mas não é assim tão incomum em torneios com buy-in de $5.

Se houvesse um flush draw ou straight draw de duas pontas no bordo que a Posição 7 pudesse razoavelmente ter, este certamente seria um call, uma vez que ele teria essas mãos com frequência demais para que eu desse fold.

No entanto, em um bordo tão seco, a gama do meu oponente deve ser de qualquer ás, talvez uma trinca ou dois pares, ou às vezes até mesmo “blefes” como um par na mão ou segundo par jogado de forma estranha.

De todas essas mãos, eu só derroto os ases com kickers mais fracos do que o meu, e os blefes. Mesmo assim, eu teria dificuldade para dar fold com top pair com um kicker razoável neste flop, uma vez que não espero que o meu oponente faça esta jogada com o limite superior da sua gama. Eu espero que ele dê check com A-K, A-Q ou uma trinca, tentando preparar uma armadilha e conseguir pelo menos uma continuation bet minha. Ele provavelmente teria feito uma 3-bet com A-K ou A-Q pré-flop; no entanto, em um torneio com buy-in baixo, muitas pessoas dão call com essas mãos em situações nas quais uma 3-bet ou all-in seriam automáticos.

Espero que ele mostre A-J a A-7 na maioria das vezes, mas uma vez que esta jogada é tão não ortodoxa, e os oponentes em torneios com buy-in baixo frequentemente fazem jogadas deploráveis, ele poderia facilmente mostrar um A-K jogado de forma estranha, ou um Q-Q jogado de forma terrível.

Embora esta seja uma situação rara, quando um oponente toma a iniciativa com uma overbet contra mim, gosto de pensar no que eu faria caso tivesse feito uma continuation bet padrão antes de ele fazer esta jogada.

Se a resposta for dar call, como seria neste caso (embora seja uma decisão difícil), então eu darei call. Portanto, dou um call um tanto quanto choroso.




Eric "Rizen" Lynch

Esta é uma posição realmente precária. Por um lado, tenho top pair, e se a Posição 7 gostasse tanto assim da sua mão, não seria melhor dar check-raise em vez de tomar a iniciativa? Além disso, se ele realmente gostasse da sua mão, não teria apostado um valor que eu provavelmente pagaria, em vez de quase três vezes o pote? Por outro lado, ainda tenho aproximadamente 20 big blinds, e se eu perder, ficarei com apenas 2, tornando dar call e perder um evento catastrófico.

Na maioria das vezes, os jogadores que fazem este tipo de jogada as fazem como um semiblefe, ou com uma mão pronta fraca. Neste bordo, acho que uma gama provável seria de 44/33, ou mesmo A-4/A-3. Eu estou tendo muita dificuldade de achar que ele poderia estar jogando uma mão como 55/22. Além disso, a maioria dos ases com kickers mais altos do que o meu teriam dado reraise pré-flop. Eu pagaria o all-in e esperaria estar à frente na maioria das vezes.




Jon "Apestyles" Van Fleet

Com stacks efetivos de 25 big blinds, dar raise de três vezes o big blind pré-flop é uma overbet. Eu daria raise para no máximo 2,3 vezes o big blind. Com stacks de menos de 30 big blinds, não dou raise de mais do que o mínimo com frequência, a menos que a mesa seja extremamente loose pré-flop.

No flop, é difícil colocar a Posição 7 com uma gama, uma vez que ele não deveria estar jogando nenhuma mão desta forma. Como posso descobrir o que meu oponente está pensando se ele não está pensando? O meu argumento principal a favor do fold é que não há nenhum draw real, mas eu ainda clicaria no botão de call. Mesmo oponentes inexperientes geralmente dão check com as suas mãos mais fortes neste tipo de bordo, uma vez que o raiser pré-flop geralmente fará uma continuation bet. Tendo dito isto, ele pode não conhecer o conceito de continuation bet! Ele pode ter uma trinca e pensar, “Espero que o meu oponente tenha um ás. Eu entro de all-in”.

Se eu fosse obrigado a escolher uma mão específica para o vilão nesta situação, eu imaginaria que ele tivesse três ou quatros. Mas mesmo assim, por que ele não daria check-raise com estas mãos? Na ausência de mais informação, eu prefiro pagar por diversas razões: estou em posição final, então as gamas de mãos são amplas, a maioria dos jogadores daria reraise com os seus ases fortes, e jogadores inexperientes costumam fazer esse tipo de aposta quando querem que o seu oponente dê fold — e não com a parte mais forte da gama. Acho que é melhor presumir que o meu oponente não tem cartas fortes aqui, uma vez que há mais combinações de mãos que eu derroto do que combinações de mãos para as quais eu perco. Afinal de contas, é difícil acertar um flop!


Matthew Hilger
Uma vantagem que os amadores têm é que às vezes as suas jogadas não ortodoxas são muito difíceis de ler. Isso pode fazer com que os bons jogadores cometam erros ao enfrentá-los. Acho que o herói basicamente entrará de all-in todas as vezes no flop independente das circunstâncias, mas você pode ver quão difícil é colocá-lo com uma mão. O vilão tinha A-J.



Matthew é dono da editora Dimat Enterprises, que já lançou títulos como: Advanced Pot-Limit Omaha, Volume II e Volume III, de Jeff Hwang; e Small Stakes No-Limit Hold’em, de Ed Miller, Matt Flynn e Sunny Mehta.




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EDIÇÃO 95

Ano 8 - junho, 2015

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