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EDIÇÃO 85 » COLUNA NACIONAL

Balancear ou ser explorável?


Ivan “RoyalSalute” Santana
Hoje vou falar sobre um assunto que muito menosprezam, mas muitos também superestimam: o balanceamento do range.
 
Balancear range é, a grosso modo, fazer uma estratégia equilibrada para que em que determinada situação você tenha uma quantidade de blefes e mãos por valor que não deixem o oponente explorar o seu jogo.
 
Muitos jogadores não entendem a importância disso. Se você em certas jogadas apenas faz uma aposta por valor — digamos, somente abre do UTG com A-K, A-A, K-K e Q-Q — e os oponentes percebem isso, eles podem jogar de forma ótima contra você. Nesse caso, um oponente pode desistir facilmente de mãos como A-Q e pagar, caso tenha odds, apenas com mãos como pares baixos e cartas conectadas baixas, sabendo exatamente o tipo de mão que está enfrentando e que, se acertar um jogo forte, pode ganhar um pote imenso.



Outro exemplo seria quando chegamos ao river e o bordo traz um possibilidade flush. Vamos apostar apenas quando temos o flush ou também vamos blefar? Com qual frequência? E se decidirmos apostar apenas quando tivermos o flush? Isso seria explorável. Mas é um problema? O oponente pode não saber disso. Afinal, quando devemos ou não nos preocupar em balancear o range?
 
Bom, em primeiro lugar, balancear o range está diretamente ligado ao histórico que temos ou teremos com os oponentes na mesa. E não entender isso é um erro bem comum. Várias vezes eu vejo em torneios um jogador comentar: “Aumentei pré-flop, apostei no flop e dei um check-raise no turn blefando, porque eu também faço isso quando tenho valor. Então, ele tem que desistir”, ou, “blefei o river para equilibrar meu range com as mãos de valor que eu tenho”. O problema desse comentário é que em torneios, principalmente ao vivo, você não tem histórico grande suficiente com o adversário para se preocupar em equilibrar o range, mesmo contra aqueles adversários que jogam sempre o mesmo torneio que você.
 
Em um torneio, devemos pensar muito no momento e não em balancear o range. Bons jogadores de torneio sabem bem disso. Como as mesas de torneios são sorteadas, cada situação ser única, principalmente as mais importantes, de reta final. Mesmo contra os jogadores que você costuma jogar, é difícil cair toda hora na mesma mesa, mais difícil ainda, em situação parecida. A fase do torneio pode ser diferente (início do torneio, bolha, mesa semifinal e final), a dinâmica da mesa e os stacks envolvidos também. Fora tudo isso, ficar em uma situação parecida de jogo contra o oponente (bordo, apostas em outras streets) também será muito raro para você ter que se preocupar em balancear. A exceção é para ações pré-flop, já que essas são mais comuns. Aí sim é interessante ter um range equilibrado, pois com poucas mãos jogadas é possível perceber algum padrão de agressividade/passividade ou de quão tight/loose você está jogando.
 
Em cash games, o buraco é mais em baixo. Aqui temos uma necessidade maior de balancear o range para situações pós-flop, pois enfrentamos os mesmos oponentes com uma frequência muito maior, principalmente em mid/high-stakes, que não há tantas mesas online, ou em um jogo ao vivo, que são os mesmos jogadores que costumam jogar.
 
Para vocês terem ideia, quando filtrei meu banco de dados, com 300 mil mãos de torneios, procurei os jogadores que eu mais enfrentava. Percebi que tinha cerca de 1.500 a 2.000 mãos deles. Quando filtrei meu banco de dados de cash games, com as últimas 300 mil mãos, eu encontrei jogadores que tinha mais de 50.000 mãos jogadas contra. Ou seja, aprender a não ser explorável contra eles e estudar as falhas do jogo deles é importantíssimo para maximizar a lucratividade. 
 
Assim, jogadores de cash costumam traçar estratégias pós-flop bem mais detalhadamente, principalmente em limites mais altos. Eles buscam jogar perto do GTO (Game Theory Optimum), ou seja, uma estratégia não-explorável, pensando em não adotar uma linha exclusivamente por valor ou blefe contra os oponentes que mais enfrentam.



Um exemplo para entender essa diferença de momento para contrabalancear o range é quando o jogador paga no big blind e o board vem K-T-4 rainbow. Um jogador de cash game analisa antes esse tipo de bordo e já tem um plano em quais tipos de mãos ele vai de check-call, check-fold, check-raise e em quais vai dar lead (se existem mãos que ele dá lead ou check-raise, por exemplo). Se ele decide ter um range de mãos que vai jogar esse bordo de forma agressiva, ele normalmente coloca alguns blefes (como J-9s) com as mãos de valor (K-T, 4-4 e, às vezes, até K-Q e K-J). Já o jogador de torneio, ou mesmo o jogador de cash, quando enfrenta alguém que não tem muito histórico, deve pensar apenas no momento. Defina o range do oponente, nosso range na visão dele, pense na melhor jogada e ponto. Haverá situações que não valerá a pena blefar nunca, e situações que uma aposta será boa apenas se for por valor. 
 
Um jogador de torneio que eu admiro muito por saber interpretar o momento muito bem é o Alexandre Gomes; enquanto que vários jogadores de cash sabem muito bem definir estratégias vencedoras pós-flop, como o Diógenes Malaquias, Leonardo “Roqueiro”, Leonardo Bueno, Marlon "Sphinter", dentre outros.


Ivan Santana é um dos maiores e mais respeitados especialistas em cash games do Brasil. Ele é instrutor da PokerLab e autor do livro "The Royal Book"


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Ano 8 - agosto, 2014

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