EDIÇÃO 74 » COLUNA NACIONAL

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Fábio Eiji

"Torneio é um jogo de stacks". Você já deve ter ouvido essa afirmação diversas vezes e deve ter noção do que isso significa. Assim, o objetivo deste artigo é explorar um pouco mais o tema.

Uma das principais características dos MTTs — em comparação ao cash game ou até mesmo aos SNGs — é a heterogeneidade dos stacks. Ou seja, excluindo-se a fase inicial, é comum que os stacks estejam distribuídos de maneira disforme pela mesa. Podemos estar pilotando 40 big blinds, mas, quando estamos no BTN, enfrentamos um SB com 15 bbs e um BB com 12. E aí? Apesar do nosso stack médio, seremos forçados a jogar como short stack nessa situação. Seguindo essa linha, temos uma infinidade de combinações cuja dificuldade se evidencia quando temos grandes stacks, mas o jogo não é, de fato, deep.

Para entendermos melhor, veremos algumas situações em que os stacks envolvidos têm tamanhos diferentes e as sugestões de como adaptar-se corretamente.

SITUAÇÃO 1
BTN: 16 bbs
SB (Hero): KQ (30 bbs)
BB: 30 bbs
A mesa roda em fold até o BTN, que abre raise de 2 bbs. Sabemos que esse vilão costuma aumentar com mãos marginais, mesmo com stacks curtos.

ANÁLISE
Aqui, o resteal seria uma jogada padrão, dado o stack efetivo contra o vilão (16 bbs) e o range fraco que enfrentamos. K-Q tem equidade suficiente contra o range de call do vilão, que ainda dará fold uma quantidade de vezes o suficiente para que a nossa jogada seja lucrativa. Porém, o shove (all-in) de 30 bbs não parece o melhor cenário, já que o BB ainda agirá e quando ele pagar estaremos em uma situação ruim. Digamos que o BB dê call no shove com AJ+ e 99+. Em números, seremos pago 6,3% das vezes e nossa equidade, contra esse range do BB, é próxima de 32%.

SUGESTÃO
A adaptação que se deve fazer nesse tipo de situação é bem simples, prefira uma 3-bet de 4 ou 4,5 vezes o raise inicial ao all-in, o mínimo necessário para causar os seguintes efeitos:
1) Isolar contra o vilão que aumentou.
2) Mostrar que estamos comprometidos com o shove do vilão. Dessa forma, podemos dar fold tranquilamente em nosso K-Q quando o BB aplicar uma 4-bet, já que ele não pode fazer essa jogada blefando, uma vez que teria que pagar  um possível shove do BTN.



SITUAÇÃO 2
MP: 30 bbs
BTN (Hero): 30 bbs
SB: 50 bbs
BB: 12 bbs
Dezoito jogadores restando no torneio. Fold até o MP que faz um raise de 2,2 bbs. Ele é um regular bom, com tendência a ser loose e agressivo nos estágios finais do torneio. O BB é um regular muito bom.

ANÁLISE
Temos um stack bom pra 3-bet light (30bbs), já que é muito difícil para o oponente reagir nessa situação — a 4-bet fica muito "cara", o que custaria uma parte significativa do stack. Assim, reduz-se a frequência de blefes aqui. Porém, qualquer que seja o tamanho da nossa 3-bet, nós estaremos nos comprometendo com um eventual shove do BB.

SUGESTÃO
O range padrão para 3-bet com 30 bbs costuma ser polarizado —mãos fortes ou muitos fracas, estas, geralmente, acompanhado de blockers. Por valor, um range padrão de 3-bet seria algo como AQ+, TT+, e muitos A-X e K-X  por blefe. Porém, como o Hero estaria comprometido com o shove do BB, a sugestão é que o range de blefe nessa situação não contenha tantas mãos ruins, mas as mãos mais fortes com as quais o Hero daria fold para uma 4-bet, K-Q, K-J, A-J, A-T,55-88, por exemplo. Dessa forma, o Hero terá equidade suficiente quando enfrentar o shove do short. Outro ponto importante é que essa jogada demonstra muita força, justamente por deixar o Hero comprometido com um dos jogadores. Assim, nessa situação, a frequência de 4-bet light é bem reduzida.



SITUAÇÃO 3
MP: 30 bbs
CO: 40 bbs
SB: 12 bbs
BB (Hero): A9 (35 bbs)

Mesa final, nove jogadores restando. A ação chega ao MP, que abre raise de 2 bbs. O CO paga, assim como o SB. O MP é um regular competente. O CO é desconhecido e com tendências a dar muitos flat calls. O SB é um jogador muito fraco que parece não saber jogar corretamente com stacks curtos.

ANÁLISE
Completar o raise com uma mão suited, jogando um pote com vário jogadores, e com odds tão favoráveis é certamente uma jogada boa — e deve ser a adotada como padrão pela maioria dos jogadores. Porém, é preciso ressaltar o "dead money" no pote, resultado dos flat calls do CO e do SB. Do CO porque ele tende a dar mais call do que deveria; e do SB porque ele claramente tem uma mão fraca, visto que com as mãos mais fortes, certamente, empurraria all-in dado a sua situação.

SUGESTÃO
O squeeze, aqui, mostra mais força do que o normal, justamente por estarmos comprometidos com o stack do SB. Neste caso, o MP, que abriu raise, não tem muito espaço pra reagir.  Um aumento de 3,5 a 4 vezes o valor do raise inicial, ou seja, 8,5 bbs, certamente tem muita efetividade. E, por fim, o Hero não se importa em enfrentar o shove do SB, já que quando ele dá apenas call com esse stack, podemos excluir AT+ do seu range.

Existem muitas possibilidades de combinações de stacks que podem influenciar diretamente no desenvolvimento de uma mão e é de extrema importância que o leitor esteja atento para agir e reagir de maneira correta. Uma lição muito básica é sempre verificar o tamanho das pilhas de fichas à frente. Afinal, os torneios são, essencialmente, jogos de stacks.





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Ano 7 - Setembro, 2013

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