EDIÇÃO 57 » COLUNA INTERNACIONAL

Encarando Golias

Como enfrentar jogadores com stacks intimidadores


Ed Miller

Você se senta em uma mesa de no-limit hold’em em que o cacife máximo é de $1.000 e os blinds são de $2-$5. Ao olhar para seus oponentes, percebe que a maioria deles tem stacks cujos valores variam entre $500 e $1.000. Porém, um sujeito na casa dos 30 anos, um camarada forte e grande, tem pelo menos $4.000 à sua frente. E agora, como você deve reagir?

Se você for como a maioria dos jogadores, tentará evitar jogar potes contra esse cara. Conscientemente ou não, uma vez que alguém venha acertando várias mãos e puxando muitos potes, todos os outros tentam ficar fora do seu caminho. Porém, eu acredito que, na maioria das vezes, devemos atacar esse jogador.

Primeiro, vamos deixar as coisas claras: ter muitas fichas não faz com que alguém seja bom no poker. Stacks grandes são construídos quando se ganha potes grandes. Para isso, são necessários, pelo menos, dois jogadores – e há muitas chances de que pelo menos um deles seja fraco.

Para ter um stack de $4.000, você só precisa ganhar três potes grandes. E para completar o nuts por três vezes, habilidade não é um requisito. Porém, a sorte não acompanha um jogador para sempre. A “Lady Luck” é uma dama bem volúvel, e, em algum momento, ela vai se cansar do sortudo.

Quanto mais mãos você jogar, maior a probabilidade de a pilha de fichas à sua frente ir crescendo, mas ainda maiores são as chances de você torrar diversos buy-ins em poucas horas. Comportamentos desse tipo indicam jogadores ruins – e com sorte –, e não serão poucas as vezes que iremos nos deparar com oponentes assim. Aonde as pessoas veem um predador insaciável, eu enxergo apenas alguém com muito dinheiro para perder.

Outra razão para atacar o “Golias da mesa” é porque os outros jogadores não o farão. Por exemplo, se eu triplicar meu stack em uma mesa em que a maioria não meu conhece, vou presumir que eles estarão propensos a desistir dos potes pequenos e médios disputados comigo. Assim, aumentarei a frequência com que aposto no flop e no turn. Quando alguém reaumentar, pagarei menos, acreditando que poucos tentarão grandes blefes contra mim. Isso torna a jogada muito lucrativa. Até eu perceber o que está acontecendo, já terei perdido diversos potes.



O QUE FAZER
O primeiro passo, se possível, é buscar uma assento onde teremos posição sobre o nosso alvo. O ideal é a cadeira imediatamente à sua esquerda – uma ou duas posições depois também é interessante.

Depois, você deve identificar o estilo desse jogador. Se ele é tight, pré-flop, nossos blefes, depois que o flop for virado, serão bem efetivos. Caso você também tenha um stack grande, blefar com frequência pode ser uma boa estratégia. Quando este jogador abrir raise, pague com uma gama mais ampla do que com a qual você normalmente pagaria. Então, desafie o seu oponente com raises no flop e no turn, em bordos que dificilmente ele tenha acertado alguma coisa e que deem a você alguma equidade quando for pago.

Por exemplo, digamos que o seu oponente deu raise, a três posições do button, para $20, e você pagou do button com Q-9 de copas. O flop vem 10-10-7, com uma carta de copas. Ele aposta, e, em função da maneira que ele vem jogando, você espera que ele aposte no flop quase todas as vezes. Diante desse cenário, dê raise imediatamente. Se apenas pagar, no turn, quando ele pedir mesa, aposte. Se uma carta boa aparecer, como um 8 ou um J, e ele apostar, reaumente. Com stacks grandes o bastante, será difícil para o seu oponente pagar em todas as streets – a não ser que ele tenha um 10, 7-7, A-A ou K-K.

Jogadores tight-agressives ou que gostam de continuar apostando até encontrarem resistência são muito fáceis de explorar com blefes como esse.



Mas nossa estratégia de atacar os gigantes é realmente lucrativa contra jogadores loose. Como já vimos antes, quem joga muitas mãos e ostenta stacks grandes, normalmente, são oponentes fracos.

Presumindo que você também tenha um stack considerável, quando esse jogador entrar limp, faça o mesmo com mãos mais fracas, mas que tenham muito valor quando acertam o flop. Quando isso acontecer, esse tipo de jogador é o melhor candidato a pagar nossas apostas.

Com mãos premium, eu daria raises e reraises muito altos, antes do flop. Recentemente, participei de um jogo de $2-$5 contra um senhor idoso que teve uma boa sequência de cartas. Ele tinha quase $6.000 à frente dele. Eu estava duas posições à sua esquerda, com o stack inicial de $1.000. O senhor deu raise para $15 do UTG. Eu fiz tudo $150, com K-K. Ele pagou com A-Q. Obviamente, uma situação excelente para mim, e nem um pouco fora do comum.


   
Considerações Finais
Quando você joga ao vivo tem oito ou nove oponentes. Em todas as sessões, há uma boa chance de que um deles consiga uma boa sequência de cartas e construa um stack monstruoso. Mas isso não indica que esse jogador seja bom no poker – e muito menos que continuará tendo sorte.

Na realidade, a tendência é que aconteça contrário. Jogadores que conseguem uma sequência fora do comum de cartas boas, com frequência, jogarão muitas mãos. E quem joga muitas mãos, tende a errar mais. Na maioria das vezes, eles se sentirão a prova de balas, e correrão riscos que não deveriam. Eles também esperam que seus oponentes comportem de uma determinada maneira. E quando você mudar esse padrão, estarão vulneráveis.

Resista ao impulso de temer e ficar fora do caminho de jogadores com pilhas gigantescas de fichas. Em jogos no-limit, você deve apontar sua mira sempre para onde os stacks maiores estão. Reaja de acordo, e você se surpreenderá quão frequentemente a maior parte ou todo esse dinheiro terminará com você ao final da noite.




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