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Rio Poker Tour - 4ª Etapa


Marcelo Souza
Eu sei, já está ficando repetitivo. Mas o que dizer de um torneio que, pela terceira vez consecutiva, quebra os próprios recordes de público e premiação, atrai mais de 200 jogadores e tem presença ilustres de Akkari, Petkovic e Fábio Luciano? Lembrar que o RPT é um grande sucesso é chover no molhado.

Depois da experiência em Las Vegas com o Best Poker Team Brasil, resolvi dar continuidade ao meu momento “jornalista jogador”. Impressionado com a estrutura do evento que presenciei como repórter há duas etapas, decidi participar da 4ª Etapa do Rio Poker Tour. Independentemente do meu resultado (que foi até bom, se você for daqueles que sempre enxerga o lado positivo das coisas), eu me arrisco a dizer que esse é o torneio com melhor custo-benefício que já disputei no Brasil. A estrutura de blinds permite um jogo extremamente técnico, e levará muitas horas e muitos potes perdidos até que você se encontre em situação delicada.

Decidi engatar na sexta-feira, Dia 1A, e peguei uma mesa dura. Dos jogadores mais conhecidos, estavam o ex-craque de Flamengo, Vasco e Fluminense Petkovic, Léo Bello e Bob Fraga. Quem andasse pelo salão, entre os 129 inscritos do dia, encontraria ainda Christian Kruel, André Doblas e André Akkari, que terminou o dia como chip leader – sem surpresa.

Graças à excelente estrutura, pude acumular um stack confortável nos primeiros níveis, mas, infelizmente, depois de atravessar a madrugada jogando, paguei pelo preço de não ter descansado direito no dia anterior. (Aqui, aliás, um conselho: se decidir jogar o Dia 1A descanse bastante na véspera ou na própria sexta, para que o cansaço não o pegue de surpresa depois). Para não arruinar horas de torneio em questão de minutos, decidi tirar o pé do acelerador quando faltava pouco mais de um nível de blinds para o encerramento do dia. A madrugada já se entregava aos primeiros raios de sol, assim como eu ameaçava entregar meu stack por causa do sono. Acabei avançando com quase 30 big blinds, e junto comigo, outros 41 jogadores.

O Dia 1B, jogado no sábado, trouxe aos feltros mais 100 jogadores, confirmando um novo recorde de participantes, 229, e de premiação, R$ 160.300. Dentre os que entraram em campo estavam Marcos Sketch, Márcio “Kamikaze” e o ex-capitão do Flamengo Fábio Luciano. E esses dois últimos acabaram marcando presença entre os 31 sobreviventes.

No Dia 2, 73 jogadores continuavam em busca do primeiro prêmio de R$ 42 mil. Eu estava entre eles e tive o prazer de jogar por algum tempo com Fábio Luciano. Humilde e atencioso, o “Eterno Capitão” me disse que faria de tudo para comparecer no maior número de etapas possíveis, assim como Petkovic, que já virou figurinha carimbada no RPT.

Pena que nada deu nada certo para mim naquele domingo. Permaneci na faixa das 50 mil fichas durante horas. Quando restavam 40 jogadores eu era o short-stacked e profetizei a alguns amigos que o bolha do torneio seria eu... “Nunca ouvi profecia tão macabra”, brincou Heber Nogueira, um dos responsáveis pelo evento. Enquanto isso meu stack continuava ali, imutável, e os jogadores iam sendo eliminados. A bolha estava cada vez mais perto, e meu destino no torneio talvez tivesse sido diferente se o A-K de Carlos Mavca não tivesse quebrado o par de reis do adversário, ou se o 3-3 de outro short-stacked não tivesse se mantido firme contra o KQ do chip leader. O problema é que “se” não entra em campo...

Restavam 24 jogadores e eu tinha cerca de oito big blinds quando veio a mão fatídica. Faltando dois minutos para o break, recebi par de setes em middle position e não pensei muito antes de colocar todas as fichas no centro da mesa. A ação rodou em fold até o big blind, Marcelo Mesquieu, que anunciou call ao olhar apenas uma carta, um ás. Mostrei meu parzinho e, antes que ele abrisse sua outra carta, comecei a torcer para que fosse um sete ou algo menor. Infelizmente, quis o destino que a carta de cima fosse igual à de baixo. O bordo não me ajudou, e acabei saindo de mãos vazias em meu primeiro grande torneio nacional.

Os 23 jogadores restantes, que não tinham nada a ver com minha “falta de sorte”, já receberiam pelo menos R$ 1.700. A batalha continuaria até que restassem nove finalistas, os quais foram conhecidos quando Renato Miranda e Frank Guerra caíram ao mesmo tempo. Por terem exatamente o mesmo número de fichas, ambos ficaram com a 9ª colocação.

Na segunda-feira, muitas reviravoltas marcaram a mesa final, que se prolongou por quase oito horas. Um dos destaques foi Iata Anderson. Único não-carioca entre os finalistas, o mineiro ganhou o apelido de “Inquebrável” por ressurgir das cinzas diversas vezes durante a final table. Ele ficaria com uma honrosa 4ª colocação. Ao final, o grande campeão foi o jogador que tinha entrado com o segundo menor stack da mesa final. André Perlingeiro cravou a 4ª etapa do RPT ao vencer Alexandre Rivero no heads-up decisivo, apresentando um desempenho surpreendente e, claro, vitorioso.

1. André Perlingeiro (RJ) - R$ 42.000
2. Alexandre Rivero (RJ) - R$ 25.000
3. Igor Souto (RJ) - R$ 16.000
4. Iata Anderson (MG) - R$ 11.000
5. Victor Natan (RJ) - R$ 8.300
6. Leonardo Oliveira (RJ) - R$ 7.100
7. Alexandre França (RJ) - R$ 6.100
8. Marcelo Mesquieu (RJ) - R$ 5.100

SECOND CHANCE
Field – 50 jogadores
1º - DENNIS BENZECRY - RJ
2º - FÁBIO ISSA - MG
3º - LEONARDO CANÇADO - MG

LAST CHANCE
Field – 96 jogadores
1º - THALES SOUZA - RJ
2º - RODRIGO SEMEGHINI - RJ
3º - RENATO RIBEIRO - MG


Torneio de Heads-Up Homenageia Christian Kruel
A grande novidade na 4ª Etapa do RPT foi o primeiro “Torneio de Heads-Up Christian Kruel”, que premiaria o campeão com um belíssimo troféu em homenagem a um dos grandes especialistas da modalidade no Brasil.

O evento teve buy-in de R$ 1.000 (sem rake) atraiu 16 jogadores e teve a presença de Marcos Sketch, Stetson Fraiha, André Akkari, Vini Marques e, obviamente, o homenageado Christian Kruel.

A queda de CK e Akkari logo no primeiro duelo mostrou que o field estava duríssimo. Marcos Cerqueira, que eliminara Akkari e Sketch, surgia como fortíssimo candidato ao título. Mas Vinícius “vinifenômeno” Telles colocou freios no ímpeto do carioca, eliminando-o nas semifinais e vencendo Rodrigo Giostri por 2x1 na grande final.



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