EDIÇÃO 31 » COLUNA INTERNACIONAL

Apostar de Acordo Com as Gamas

Saiba por que você está apostando


Roy Cooke

Quando você faz uma aposta, geralmente espera que uma mão melhor dê fold com frequência suficiente que a aposta valha a pena ou que uma pior dê call com frequência suficiente para compensar pelas vezes em que você recebe call ou raise de uma mão melhor ou sofre um raise blefando que lhe tira do pote. Quantificar precisamente situações de poker para chegar a tais conclusões exige uma boa dose de conhecimento, habilidade de leitura e instinto. Quando você conseguir realizar essas equações em um grau razoável de precisão, terá dado um passo enorme na direção de jogar em um nível profissional.

Era o fim de semana de Ação de Graças no Bellagio, época em que os jogos são ótimos. A mesa de limit hold’em de $30-$60 que eu jogava estava pegando fogo. Um turista loose entrou de limp na minha frente e dois limpers deram call depois dele. No small blind, olhei para baixo, vi 65 e joguei uma ficha para dar call. O big blind pagou e nós vimos o flop five-handed.

O flop foi favorável: A64. O turista loose era o tipo de jogador que geralmente apostava quando davam check até ele, então eu dei check, esperando que ele apostasse para que eu pudesse ter um feeling sobre as mãos dos dois callers depois dele e soubesse como a mão seria jogada. O big blind também deu check e, como era de se esperar, o turista loose apostou; um caller deu fold e o outro pagou. Achando que minha mão era boa ou que eu poderia fazer com que uma mão melhor desse fold diante de um aumento, eu dei check-raise.

Mesmo que eu não fosse bem sucedido ao tentar fazer com que alguém desse fold e minha mão estivesse derrotada, eu não estava pagando um preço ruim no raise estritamente devido à força do meu draw contra múltiplos oponentes. Em termos de expectativa, eu não tinha perdido muito (ou nada) quanto ao preço para aumentar. E, caso eu conseguisse fazer uma mão melhor desistir ou impedisse que alguém acertasse um draw e ganhasse o pote de mim por isso, eu teria criado uma enorme equidade para a minha mão. Além disso, dar raise com draws faz com que eu fique muito mais difícil de ser lido no futuro.

O big blind largou e meus dois oponentes restantes ambos deram call. A carta do turn foi o 3, somando uma queda para as duas pontas à minha mão; 20 cartas agora me davam dois pares ou melhor. Como planejado, dei seguimento com uma aposta no turn, achando que havia chance de ganhar o pote logo ali e sabendo que eu daria call em todas as apostas de qualquer maneira. Mais uma vez, havia pouca ou nenhuma expectativa perdida com um draw tão grande. Ambos pagaram. Eu ainda tinha pouca leitura sobre as mãos de meus oponentes. A gama de mãos deles era ampla.

O river foi o 8, que em nada ajudou minha mão. Eu cogitei apostar de novo, mas nenhum dos meus oponentes largaria com um ás e, tendo em vista a gama de mãos deles, não havia muita coisa que eu já tivesse derrotado que daria fold diante da uma aposta minha. Além disso, a probabilidade de receber um call de uma mão pior era pequena. Achando que apostar não tinha muito valor, eu dei check, assim como ambos os meus oponentes.

Eu mostrei minha mão antes; o turista loose segurou a sua um pouco, como se me fosse mostrá-la lentamente, então balançou a cabeça e jogou suas cartas no descarte. O outro caller mostrou 10 6, um par de seis com um kicker mais alto.

“Você esqueceu de apostar no river”, o profissional local me disse em tom condescendente, começando a rir. Com base nesse cenário, ele estava certo. Apostar no river poderia muito bem ter me dado o pote, e se eu soubesse quais eram as mãos dos meus oponentes, teria apostado.

Mas eu não sabia o que eles tinham e, só porque uma jogada teria funcionado, isso não significa que ela seria a jogada com a expectativa correta com base nas informações disponíveis no momento da decisão. Muito embora, em retrospecto, uma aposta nesse momento pudesse ter me dado o pote, eu ainda agi corretamente ao não apostar. Analisar suas decisões com base na hipótese de elas darem ou não certo não é a melhor maneira de maximizar sua expectativa.

Bons jogadores de poker baseiam suas decisões nas gamas de mãos plausíveis de seus oponentes. Às vezes, sem que você saiba, seus oponentes podem ter as maiores ou as menores mãos de suas gamas.

Supondo que você esteja lendo as gamas de mãos de seus oponentes de maneira aproximadamente correta, ganhar ou perder pode ser questão de se deparar com a parte mais baixa ou mais alta das gamas deles. É por isso que jogadores que não entendem o jogo conceitualmente e/ou não têm as habilidades matemáticas necessárias para calcular a probabilidade de se deparar com determinadas mãos em uma leitura precisa das gamas de mãos de seus oponentes, podem facilmente tomar decisões equivocadas quando se deparam com fases em que as gamas deles são uma anomalia estatística.

Antes de fazer alguma aposta, deve-se ter uma ideia de que reações você deseja que seus oponentes tenham. Saiba por que você está apostando. Como as possíveis reações de seus oponentes afetam nosso preço e sua expectativa? Como eu disse antes, milhões de dados afetam cada decisão no poker, e você tem apenas segundos para computá-los.




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EDIÇÃO 31

Ano 3 - fevereiro, 2010

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