EDIÇÃO 22 » COLUNA NACIONAL

Quem dita o ritmo é você

Utilizando o Conceito de Ranges para Mudar o Estilo do Oponente


Christian Kruel

Nos últimos artigos, falamos a respeito de “ranges de mãos” e sobre como utilizar esse conceito para elevar o nível do nosso pensamento no jogo. Hoje, vamos encerrar esta série com um último exemplo clássico que ainda não abordamos, qual seja, usar o conceito de ranges para calcular o EV de uma jogada com a finalidade de mudar o estilo de jogo do nosso oponente.

Porém, antes de começarmos, gostaria de abrir um parêntese. Dia desses estava jogando um torneio e fui questionado no chat sobre uma 3-bet pré-flop com JJ. A pessoa me disse que havia lido um artigo meu, em que eu “condenava” esse movimento pelo fato de o mesmo não ter valor. Voltei aos meus textos e de fato vi que tinha escrito isso, mas numa situação completamente diferente da ocorrida no torneio em questão. Por que estou falando isso?

Pelo simples fato de que os movimentos e os exemplos de jogadas possuem “prazo de validade”, mas os conceitos por trás deles não. Como já afirmei em artigos anteriores: o poker muda, e uma situação lucrativa hoje pode não ser mais amanhã. O importante é ler os artigos e analisar as jogadas em busca de conceitos, e não de fórmulas pré-estabelecidas. A ideia é aprender a raciocinar, e não decorar situações. Isso é sempre o mais importante.

Dado o recado, vamos retomar nosso tema. Imagine que você esteja jogando heads-up com um vilão extremamente agressivo e esteja bastante incomodado com isso. Ele abre raise em muitos buttons e joga fora de posição contra você de maneira agressiva também, paga seus 3-bets e dificilmente dá fold diante de uma c-bet no flop. Enfim, o vilão vem literalmente lhe incomodando no jogo.



Numa certa altura vocês têm cerca de 20 big blinds efetivos. Você recebe T-8 off, e seu oponente abre raise de 2,5xBB, com blinds em $25-$50. Há a opção de pagar e jogar fora de posição contra um oponente bom e agressivo, mas você gostaria de saber o quão efetiva seria a tática de voltar reraise nele nessa situação.
A primeira coisa a se fazer é estimar a frequência com que ele abre raise do button. No nosso caso, vamos supor 6 aumentos a cada 10 mãos (média de 60%). Feito isso, você deve estimar as mãos com as quais ele pagaria o seu shove. Digamos que ele pague seu empurrão com 66+, A7s+, A8of+, KQs e KQ off. Agora, você pega essas mãos e lança no software do Poker Stove...

Percebe-se, então, que o range de call dele é de 12,8%. Num universo de 60% de raises abertos do button, isso representa aproximadamente 22% numa regra de três simples. Ou seja, quando você der o shove, estatisticamente falando, 78% das vezes ele vai largar. Logo, 78% das vezes em que você empurrar, vai levar as $150 fichas que estão no pote. “Mas, e nas vezes em que ele pagar, quantas fichas perderei?” Voltemos ao Poker Stove...

Pelo software, podemos perceber que em 32% das vezes ganharemos o pote, e 68% das vezes não. Assim, temos a conta:

0.78 * (150) + 0.22 * [(0.32*1000) + (0.68* -950)] = (117) + 0.22 * (320 – 646) = 117 – 71.72 = $45.28 fichas.

Para quem não entendeu a conta, vamos explicá-la. Em 78% (0.78) da vezes, nós vamos ganhar as $150 fichas que estão no pote, o que totaliza $117 fichas “positivas”. Nos outros 22% das vezes, em 32% vamos ganhar as 1000 fichas do oponente, e em 68% vamos perder nossas $950 fichas restantes, o que representa $71.72 fichas “negativas”. No geral, a jogada fica $45.28 fichas positivas, apresentando EV+.



Se o seu oponente abre raises com mais frequência ainda, a jogada se torna ainda mais lucrativa. Porém, o mais importante é que ela ainda vai servir para mudar o estilo de jogo do seu adversário, fazendo com que ele mixe raises com limps, deixando você ver mais flops fora de posição, sem gastar mais fichas. O mais importante para o sucesso desse move não é o programa e nem os cálculos, mas que você saiba estimar com precisão o percentual de raises do seu oponente (coisa que bons programas como o Poker Tracker já fazem hoje em dia), bem como colocá-lo no range correto (coisa que nenhum programa pode fazer por você!).

Acho de grande valor estes meus últimos artigos para a CardPlayer Brasil, pois nós devemos sempre estar dispostos a nos aprimorar. Falando por mim, por exemplo, nunca fui acostumado a usar softwares para análises, mas hoje me rendo a eles. No mínimo, eles são ferramentas importantes para se ter uma avaliação sob um prisma “matemático”, o que na maioria das vezes é muito importante no Hold’em.

Boa sorte a todos!




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EDIÇÃO 22

Ano 2 - maio, 2009

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