EDIÇÃO 110 » COLUNA INTERNACIONAL

E se eu virasse pro hoje?

Três coisas que eu faria diferente


Ed Miller
Há trinta anos, eu larguei meu emprego para jogar poker. No geral, a decisão foi bem boa para mim, mas se eu tivesse que fazer tudo de novo agora, eu escolheria outros caminhos. Vejam três coisas que eu faria diferente se fosse virar um profissional hoje.

Procuraria mais oportunidades para me mudar e viajar

Quando eu comecei a jogar profissionalmente, eu vivia na cidade de Seattle. É um lugar com muitas opções para jogar poker, mas também com um custo de vida alto. Decidi me mudar e meu foco era Los Angeles ou Las Vegas. Os jogos em Vegas eram ok, mas o custo de vida era bem barato. Em Los Angeles, os jogos eram muito bons (e ainda são), mas o custo de vida era muito mais alto.

Acabei indo para Vegas e gostei da cidade. Mas hoje percebo que minha percepção era bem restrita. Eu deveria ter adicionado muitas outras cidades (e até países) à lista. Por exemplo, minha cidade natal, New Orleans, tem um custo de vida bem barato e jogos muito bons. Sem contar que New Orleans está a um dia de distância de lugares como Tunica, Mississipi e dos cassinos de Oklahoma — esses são lugares incríveis para profissionais jogar, principalmente quando as séries de torneios chegam à cidade. Hoje, com o crescimento do poker há ainda mais opções.  

Outro ponto a ser levado em conta é que quando novas salas de poker ou cassinos são inaugurados há um frenesi que atrai muitos jogadores inexperientes dispostos a jogarem horas e horas. 

Também conheço alguns jogadores que têm se dado bem na América Latina e na Ásia. O que quero dizer é que se você quiser jogar profissionalmente, você deve gastar um tempo pensando em quais os melhores lugares para jogar — e nunca se acomode, sempre procure por locais e oportunidades ainda melhores.



Buscaria jogar outros jogos além de hold´em

Quando me profissionalizei, limit hold´em era o jogo padrão. Em Vegas, havia poucos lugares que as pessoas jogavam stud e razz. Bem, logo o no-limit hold´em (NLH) virou febre. Eu aprendi o jogo, claro, mas eu estava trás da curva de aprendizado. A primeira vez que joguei NLH foi em 2003, mas só fui levar o jogo a sério em 2005 — ou seja, desperdicei dois anos. Imagine se eu já começasse a estudar o NLH em 2003? Em 2005, eu já poderia ser um grande jogador da modalidade, não um iniciante.

Eu não acho que o que aconteceu entre 2003 e 2005 com o NLH vá acontecer de novo, mas, como regra geral, faz muito sentido tentar aprender jogos que não sejam NLH. Hoje, o jogo mais importante (fora o NLH) é o pot-limit Omaha (PLO). Se você quer ser profissional, você deve aprender PLO e tentar achar lugares em que aconteçam bons jogos, Nos Estados Unidos, por exemplo, Las Vegas, na época da World Series, é um excelente lugar.

O Santo Graal seria achar um lugar onde ninguém seja bom no jogo, exceto você, e que outros profissionais não conheçam o local. Eu não estou dizendo que esses jogos são fáceis de achar, mas eles estão por aí.

Eu juntaria um bankroll maior

Quando eu larguei meu trabalho, eu tinha cerca de US$ 20.000 de bankroll. Meu plano era usar alguma dessas calculadoras de bankroll e ver até quais limites eu poderia jogar sem quebrar — e foi isso que fiz.

Eu consegui ganhar o bastante para viver, mas percebi que, no longo prazo, as coisas poderiam ficar feias. É muito difícil de viver do poker ao vivo com apenas US$ 20.000, aumentar seu bankroll consistentemente e ainda pagar as suas contas. Se você quer viver confortavelmente, eu diria que o ideal seria algo como US$ 100.000. Se você não tem tanto dinheiro, comece a pensar em alguma maneira de ganhá-lo.

Posso dizer com segurança que pouquíssimos profissionais conseguiram ganhar 100 mil partindo de um bank de 20 mil. Ou eles conseguiram um “big hit” ou juntaram dinheiro de outra forma — poker online (antes da Black Friday), apostas esportivas, cassinos, fantasy games etc. Claro que existem muitos outros modos de fazer dinheiro, mas meu ponto é: as pessoas acham que os profissionais ficaram ricos começando nas mesas de $1-$2 e foram ganhando até chegarem nos high stakes. Mas em minha experiência em conversar com muitos jogadores, posso lhes dizer que a história não é bem assim. No geral, eles conseguiram o dinheiro de vez, com uma boa oportunidade ou bom um encontrão com a sorte.



Conclusão

Então, se eu fosse você, hoje, pensando em virar profissional, eu gastaria mais tempo em dar um jeito de aumentar o bankroll e menos jogando. Uma vez que eu conseguisse esse primeiro objetivo, eu procuraria um lugar com bons jogos, abaixo do radar e com jogos que não fossem NLH. Depois, procuraria outros lugares melhores. É verdade que nos dias atuais é bem mais complicado se tornar um profissional, mas trabalhando duro, você pode conseguir.


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