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HISTÓRICO – Bruno Foster leva o Brasil ao November Nine


Marcelo Souza
Doyle Brunson uma vez disse a seguinte frase, imortalizada no filme Rounders – Cartas na Mesa: “O no-limit Texas Hold’em é o Cadillac do poker”. Nos eventos de poker, esse Cadillac seria o Main Event da World Series of Poker (WSOP). Não importa o valor do buy-in ou onde são disputados, nenhum dos torneios do mundo atrai tantas pessoas, direta e indiretamente, como o Main Event.

O público é o mais eclético possível. Basta uma rápida circulada pelos salões do Rio Casino e você trombará com astros do basquete, do futebol e do cinema; com americanos, europeus e asiáticos; com mulheres, idosos e jovens. Neste ano, não teríamos nada de diferente, se não fosse por um detalhe: pela primeira vez, desde 1970, quando começou a ser disputado, o mundo verá um brasileiro no principal torneio de poker do planeta.
 
No último dia 15 de julho, o cearense Bruno Foster entrou para história ao se tornar um November Nine, nome dado aos nove finalistas do Main Event, desde 2008, em alusão à mesa final ser disputada no mês de novembro. 
 
Com 31 anos, Foster tem a chance de ganhar o terceiro bracelete da WSOP para o Brasil e uma premiação de US$ 10.000.000, o equivalente a R$ 24 milhões. Apesar de ter o menor stack entre os finalistas, a situação está longe de ser desesperado. Com 30 big blinds, Foster terá bastante espaço para impor seu jogo.

Para chegar à decisão, ele teve que encarar 68 horas de jogo e sobreviver entre os 6.683 jogadores que pagaram o buy-in de US$ 10.000. Agora, ele terá pouco mais de 100 dias para se preparar e estudar os adversários, uma vez que a mesa final só será realizada nos dias 10 e 11 de novembro.
Foster começou a chamar a atenção no Dia 4, quando jogou por bastante tempo na mesa da TV e chegou a ser o chip leader do torneio. A atuação rendeu elogios do maior vencedor da história da WSOP, Phil Hellmuth, que afirmou que o Brasil teria, com Foster, um representante entre os November Nine.

A partir dali, ele figurou sempre entre os líderes e a tão sonhada mesa final era questão de tempo. No Dia 7, quando o mexicano Luis Velador foi eliminado, a torcida brasileira, na internet, no Brasil e em Vegas, explodiu. A história estava começando a ser escrita, e, independentemente do desfecho, já tem final feliz.
 
A TRAJETÓRIA DE BRUNO FOSTER NO MAIN EVENT DA WSOP 2014
Dia 1C Dia 2C Dia 3 Dia 4 Dia 5 Dia 6 Dia 7
STACK AO FINAL DO DIA 66.800 72.400 110.000 2.280.000 5.475.000 11.625.000 12.125.000
NÚMERO DE BIG BLINDS 134 45 28 190 137 97 30
MÉDIA DE FICHAS 77.980 107.560 268.750 688.970 2.537.850 7.425.555 22.276.667
POSIÇÃO 474/2.571 1.134/1.864 598/746 5/291 4/79 6/27 9/9
 
AS PRINCIPAIS MÃOS QUE LEVARAM BRUNO FOSTER AO NOVEMBER NINE
Dia 4 – Flip valendo a vida contra Phil Ivey
Jogadores Restantes: 574/6.683
Média: 350.000 fichas
Blinds: 3.000-6.000 com ante de 1.000
Do UTG, Bruno Foster (175.000 fichas) abre raise para 14.000. Imediatamente à sua esquerda, Phil Ivey (750.000 de fichas) reaumenta para 45.000. A ação volta até Foster, que empurra suas últimas 161.000 fichas para o centro da mesa. Ivey paga.
Foster: 9-9
Ivey: A-K
Bordo: Q-Q-5-3-5
Foster vence um flip decisivo contra um dos melhores jogadores do mundo e ultrapassa a média de fichas do torneio.

Dia 5 – Set over set para a liderança
Jogadores Restantes: 219/6.683
Média: 915.000 fichas
Blinds: 8.000-16.000 com ante de 2.000
Do meio da mesa, Bruno Foster (2.340.000 fichas) abre raise para 40.000. No botão, Zach Jiganti (3.000.000 de fichas) faz tudo 114.000. A ação volta até Foster que reaumenta para 276.000 e é pago. 
Flop: A K 9
Foster aposta 279.000 e vê Jiganti colocar 657.000 na mesa. O brasileiro pensa por quase quatro minutos e aumenta novamente para 1.200.000. Até então chip leader, Jiganti não leva muito tempo para colocar Foster em all-in, que paga instantaneamente. 
Foster: KK
Jiganti: 99
O 8 e o 5 que completam o bordo não mudam nada e Bruno Foster assume a liderança do Main Event com quase 5.000.000 de fichas.
 
Dia 6 – Uma trinca de 10 milhões
Jogadores Restantes: 37/6.683
Média: 5.420.000 fichas
Blinds: 50.000-100.000 com ante de 10.000
Bruno Foster (6.240.000 fichas) aumenta para 250.000. No cutoff, Robert Park (4.500.000 fichas) faz uma 3-bet para 575.000. Foster paga.
Flop: A 9 2
Foster pede mesa, mas paga a continuation bet de 675.000 de Park.
Turn: 9
Foster pede mesa, assim como Park.
River: K 
Foster aposta 1.200.000 e é pago instantaneamente por Park. 
Foster: 97
Jiganti: AK
O brasileiro chega a 10,4 milhões de fichas, quase o dobro da média.

Dia 7 – November Nine, finalmente
Jogadores Restantes: 10/6.683
Média: 20.490.000 fichas
Blinds: 200.000-400.000 com ante de 50.000
Do meio da mesa, Bruno Foster (13.025.000 fichas) aumenta para 900.000. No button, Mark Newhouse (19.850.000 fichas) paga. Luis Velador (6.150.000 fichas) anuncia all-in do small blind. Foster pensa por quase dois minutos e larga. Newhouse pensa por um tempo, mas paga.
Velador: 44
Newhouse: 55
Bordo: A A 6 3 A
Luis Velador é eliminado e mesa final, com o brasileiro Bruno Foster, é formada.
 

OS OITO OBSTÁCULOS DE BRUNO FOSTER

No dia 10 de novembro, quando as cartas forem distribuídas, Bruno Foster terá um stack de 12.125.000 (30 big blinds) para buscar o tão sonhado prêmio de US$ 10 milhões. Para isso, ele terá que enfrentar os seguintes adversários:
 
ASSENTO 1: “BILLY PAPPAS” (ESTADOS UNIDOS)
Stack: 6º – 17.500.000 (44 bbs) 
O dealer William Pappaconstantinou fez a sua estreia no Main Event da WSOP neste ano. O seu currículo no poker é modesto. Em quatro anos, jamais conquistou um título, mas já conheceu o mundo graças a um outro jogo, o pebolim. Pappas já foi campeão mundial da modalidade e jogou etapas por todo o mundo.

ASSENTO 2: FELIX STEPHENSEN (NORUEGA)
Stack: 2º – 32.775.000 (82 bbs)
Com 23 anos, o norueguês Felix Stephensen trocou a capital da Noruega, Oslo, pela capital da Inglaterra, Londres. Com apenas 22 mil dólares ganhos em torneios ao vivo, ele é um dos finalistas mais inexperientes. Essa foi somente a sua segunda participação no Main Event, o único torneio em que registrou-se na WSOP 2014.

ASSENTO 3: JORRYT VAN HOOF (HOLANDA)
Stack: 1º – 38.375.000 (96 bbs)
Pelo segundo ano consecutivo, a Holanda marca presença no November Nine, e cabe a Jorryt van Hoof a responsabilidade de conquistar um resultado melhor que a 7ª posição de seu antecessor Michiel Brummelhuis. Pesa contra o holandês o fato de que somente um chip leader na história do November Nine conseguiu ficar com o bracelete, Jonathan Duhamel, em 2010. A seu favor, sua vasta experiência no poker. O jogador joga cash game high-stakes de pot-limit Omaha sob o pseudônimo de “TheCleaner11”. O curioso sobre seu nick é que ele foi escolhido devido a um duelo contra um dos principais jogadores do mundo: Justin “ZeeJustin” Bonomo. Na época, depois uma sessão contra Jorryt, que usava o nickname “Jorrytvh”, Bonomo foi perguntado contra quem ele estava jogando. O norte-americano respondeu: "I don't know, but he cleaned me out” [Eu não sei, mas ele me limpou].

ASSENTO 4: MARK NEWHOUSE (ESTADOS UNIDOS)
Stack: 3º – 26.000.000 (65 bbs)
Ele é o cara para quem os holofotes estão virados. Desde o boom do poker, no ano de 2003, apenas Mark Newhouse conseguiu chegar a duas mesas finais no Main Event da WSOP — e de forma consecutiva. Campeão do World Poker Tour Borgata 2006, o norte-americano, um dos jogadores mais experientes da mesa final, que apagar a “desastrosa” 9ª colocação conquistada no November Nine do ano passado.   

ASSENTO 5: Andoni Larrabe (Espanha) 
Stack: 4º – 22.550.000 (56 bbs)
Torcedor fanático do Athletic de Bilbao, Andoni Larrabe quebrou um jejum de 13 anos sem espanhóis na mesa final do Main Event. Outro morador de Londres, o profissional conquistou o melhor resultado da sua carreira no PCA 2013. Ele venceu o Evento #18 a série e faturou US$ 218.710.

ASSENTO 6: William Tonking (EUA)
Stack: 7º – 15.050.000 (38 bbs) 
Mais conhecido por seus feitos nos cash games online, Tonking conseguiu ficar ITM nos três torneios da WSOP que disputou neste ano. Se conseguir acumular fichas, pode ser tornar um adversário perigoso.

ASSENTO 7: Dan Sindelar (EUA)
Stack: 5º – 21.200.000 (53 bbs) 
Dan Sindelar tinha um péssimo retrospecto no Main Event. Mas em sua sétima participação no torneio, ele não só conquistou o primeiro ITM como também foi para a mesa final. Aos 31 anos, seu melhor resultado no poker foi o título do Fall Poker Classic 2007, em que ganhou US$ 105.000.

ASSENTO 8: Martin Jacobson (Suécia) 
Stack: 8º – 14.900.000 (37 bbs)
Um dos principais destaques do Main Event, Martin Jacobson passou o torneio todo entre os líderes, mas quando retornar ao seu assento, ele terá o segundo menor stack. Com cerca de US$ 4,8 milhões conquistados em torneios ao vivo, ele é o finalista com os melhores resultados entre os November Nine. Ele já chegou a outras mesas finais da WSOP, WSOP Europa e EPT.



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